31 de janeiro de 2015

Participação em “Encontros com o património: Cottinelli Telmo".

Serve o present post para informar que, por ocasião da exposição “Os Arquitectos são poetas também”, dedicadas à obra e vida de Cottineli Telmo, patente no Padrão dos Descobrimentos, projectado por ele-mesmo e o escultor Leopoldo de Almeida, participámos no programa radiofónico da TSF, “Encontros com o património”.

Conduzida por Manuel Vilas-Boas, o programa espelhou a carreira multifacetada do autor português, focando-se o cinema com a presença de João Mário Grilo, a dimensão da banda desenhada e ilustração com este vosso criado, e, claro está, a espinha dorsal do programa, a sua vida como arquitecto com duas historiadoras de arte, Joana Brites e Ana Mehnert Pascoal. (Mais) 

30 de janeiro de 2015

Quatro estudos.

Desta feita, angariámos aqui quatro títulos escritos por um só autor e apresentando uma tese, tema ou foco disciplinar. Nesta frente igualmente o avanço é substancial, e não se atém somente a leituras analíticas informadas pelas ciências literárias e/ou artísticas, mas tentam dialogar com áreas de interesse mais específicos e mais latas, desde a ciência militar e política, à religião, sociologia, etc. É claro que aquelas áreas mais clássicas, como a narratologia, a literatura, a comparação a linguagens tais como o cinema, o teatro, ou a procura de ligações a outras áreas afectas ao desenho narrativo, etc., não são de forma alguma descuradas, mas é importante que a expansão seja tanto lateral como em profundidade. Alguns destes volumes parecem prescrever sobre áreas já de certa forma abordadas por áreas exploradas anteriormente, enquanto que outros parecem burilar de facto novos territórios, ou apresentam inflexões de tal complexidade que se tornam pontos obrigatórios de passagem e reflexão por aqueles que se atribuam a tarefa de navegar estas águas. (Mais) 

29 de janeiro de 2015

Quatro monografias académicas.

Conforme informámos no texto anterior, a produção acelerada e exponencial de volumes académicos em torno de todas as dimensões passíveis de estudo da banda desenhada tem-se tornado demasiado intensa e complexa para podermos dar conta dela de uma maneira equilibrada. O que se desejaria, e foi feito até à data, era uma leitura cabal, pelo menos, dos livros, acompanhada por uma atenção rigorosa, uma memória e associação à tradições e discussões similares ou complementares, para depois se devolver ao leitor uma compreensão dos argumentos, uma descrição das estruturas e, onde pertinente, apontar os pontos cegos ou sublinhar as grandes forças. Enfim, cumprir aquilo que George Steiner dizia ser a tarefa do intelectual, que era ler um livro de lápis na mão.

Todavia, essa tarefa vê-se agora drasticamente diminuída pela entrada massiva de livros que nos interessaria conhecer com maior intimidade, e pela falta de tempo. Assim sendo, procuraremos dois caminhos alternativos. Por um lado, procuraremos angariar o apoio a investigadores e/ou leitores críticos com as capacidades necessárias para esse tipo de leituras. Isso foi brilhantemente cumprido por Ana Matilde Sousa nos livros sobre mangá e animé, e já se encontram a lavrar outros artigos por outras pessoas. Por outro, faremos apenas apresentações gerais, senão mesmo superficiais, de alguns desses livros, pelo menos pour prendre date, esperando que possam existir mais desenvolvimentos adiante.
Comecemos, então, com quatro livros dedicados a artistas singulares, também escritos por autores individuais. (Mais)

27 de janeiro de 2015

6 livros académicos sobre mangá e animé, por Ana Matilde Sousa.

Nota inicial: até há recente período, o Lerbd procurava ter alguma capacidade de ir dando conta da bibliografia académica especializada. Jamais sem a veleidade de ser completa, claro está, até pela impossibilidade de aceder a todos os livros publicados, conhecer as línguas ou mesmo compreender o alcance de alguns dos projectos, integrando-os e contextualizando-os correctamente nas suas áreas. Todavia, havia uma possibilidade de ir lendo um volume ou outro, com cuidado, rigor a atenção, por vezes providenciando uma entrevista que permitisse uma maior aproximação. Mas o ritmo de publicação, sobretudo em língua inglesa e francesa, na área cada vez mais consolidada dos Estudos de Banda Desenhada tem conhecido acelerações progressivas, tornando essa tarefa impossível de realizar com segurança, muito menos de modo individual. 

Querendo, ainda assim, contribuir para uma divulgação em Portugal, dessa linha de trabalhos, damos início hoje a uma série de posts em que daremos contas de alguns títulos, mas com uma abordagem bem diferente da usual, mais concentrada.

Mas a de hoje, alargada e rigorosa, passa por um convite estendido, e aceite, à investigadora e artista Ana Matilde Sousa, que se encontra a terminar o seu doutoramento, com um projecto em torno da banda desenhada e a cultura popular japonesas sob ângulos críticos propostos pela arte contemporânea. O que se segue são notas de leitura de uma série de seis livros sobre banda desenhada e animação, mas não só, japonesas, cada qual com o seu foco e disciplina. Agradecemos à autora não apenas ter aceite o convite mas também por ter providenciado um nível de qualidade imerecido deste espaço. Agradecimentos também às respectivas editoras, pela oferta dos livros. (Mais)

26 de janeiro de 2015

The Dream-Quest of Unknown Kadath. I.N.J. Culbard (Self-Made Hero)

São variadíssimas, como se imagina, as adaptações de Lovecraft à banda desenhada. Ele é, aliás, um favorito mesmo de uma certa tendência da banda desenhada, mais dada ao choque e ao terror gore, se bem que também tenha conhecido desvios e raptos pelos underground comix ou outros géneros e/ou estilos que os transformam de alguma forma para longe do seu território literário, usualmente baptizado de “weird fiction”, mas tratando-se no fundo de uma variação muito particular de uma família mais alargada a que se pode dar o nome de ficção gótica. Um desses desvios de Lovecraft, por assim dizer, e que ainda hoje achamos uma das mais interessantes premissas possíveis neste universo de referências, é aquele proposto pelo autor catalão Max, na sua história curta “El encuentro entre Walt Disney y H.P. Lovecraft”. (Mais) 

24 de janeiro de 2015

Bad Houses. Sara Ryan and Carla Speed McNeil (Dark Horse)

Eis uma ideia produtiva, já tentada neste espaço de outras maneiras. Se a banda desenhada é considerada como parte da, ou pelo menos relacionada à, literatura num sentido lato, e se aceitarmos o continuamente extensível campo dos ditos “romances gráficos” no que diz respeito à sua autoria, público e modos de circulação, então é claro como a água que viremos cada vez mais a depararmo-nos com uma variedade tão larga quanto à da literatura. Isto leva necessariamente a que surjam títulos diferentes sob a luz, não tanto de grandes conquistas de temas e campos, mas de ligeiros incrementos no interior de um dado género ou estilo. (Mais) 

23 de janeiro de 2015

Pizza Man/Space. Afonso Ferreira (El Pep)

Ainda no seguimento dos posts anteriores, como se se tratasse de um grau de diferenciação incremental que fosse dos fanzines fotocopiados ao mundo da pequena edição, falemos hoje de duas publicações de Afonso Ferreira, que têm todas as condições editoriais de zine, mas que graças à política de descoberta e edição da El Pep (política que, de resto, é seguida por praticamente todos os pequenos editores em Portugal, de forma acertada e intensa), ganham uma outra projecção material. (Mais) 

22 de janeiro de 2015

Três títulos do Clube do Inferno.

Uma vez que falámos de alguns fanzines há dois posts, regressemos a este território que, independentemente do acesso a novos modos de produção e distribuição, sobrevivem enquanto formato válido e, muitas vezes, particularmente reveladores de novas tendências. Pode-se considerar, esperamos, o Clube do Inferno como um colectivo e artistas. Se a esmagadora maioria dos seus títulos são a solo, havendo alguns casos de colaborações cruzadas, e não tendo havido nenhuma publicação verdadeiramente conjunta, estamos em crer que todos os passos da produção de cada título conta com o apoio mútuo de cada membro. Além disso, se as características estilísticas, visuais, compositivas e até de género são bem distintas, quase ao ponto de impossível irmanação entre eles, isso também contribui de forma decisiva à variedade interna do grupo. (Mais) 

21 de janeiro de 2015

Peter Pontiac. 1951-2015.

Obrigado, Morte, não tiras férias.

Morreu Peter Pontiac. Não sendo propriamente um autor conhecido do grande público, Pontiac era uma lenda do underground dos anos 1970-80 da Holanda, que rapidamente ganhou fama no circuito internacional da mesma tribo, sobretudo graças à El Víbora, se não erramos. E em Portugal tinha muitos fãs. A sua prestação na criação de bandas desenhadas curtas e médias dedicadas ao sexo, drogas, sexo, drogas e rock'n'roll (e punk, garage, trash, etc.) era imparável e, mais tarde, daria início a uma extremamente profícua - e quiçá materialmente mais recompensadora - carreira na ilustração (veja-se o site). Se o seu traço grosso e negro, em vinhetas ocupadíssimas e frenéticas se aproximava, por um lado, de Robert Crumb, Moscoso e outros valores do underground comix norte-americano de primeira geração, nas faces e expressões há uma dimensão mais leve, jovial, icónica, e tudo isso viria a ser burilado e aveludado ao longo dos anos. Sendo amigo e colega em muitos projectos editoriais com Joost Swarte, sobretudo na juventude, não se integraria no mesmo tipo de circuito desse autor mais famoso, em parte graças às suas opções pessoas, living on the edge. Além disso, bastas histórias eram protagonizadas por avatares da sua própria pessoa, como o "Mr. Me". 

Quase todas essas criações seriam reunidas várias vezes em volumes imensos, publicados em holandês, mas muitos dos quais contendo algum acesso em inglês. Trabalhando directamente para a livraria Lambiek, em Amsterdão, durante muitos anos a livraria especializada em banda desenhada, e associada à Oog & Blik, a "Fantagraphics das tulipas", e ainda hoje paragem obrigatória às peregrinações, era dele um mapa das ruas da capital holandesa assinalando essa pequena Meca, retratando de modo sui generis a cidade. E do outro lado, um retrato revelador da cultura no interior da loja, exacto até ao mais ínfimo pormenor, se exceptuarmos os clientes distintos, evidentemente...

Um exemplar desse mapa está algures guardado nas pilhas do LEBD. Aos 16 anos, deambulando pelas ruas de Amsterdão, conhecendo já algumas referências fora da "bd comum" mas desconhecendo ainda a existência da Lambiek, foi um acaso e um olho atento que apanhou a ilustração do mapa e, graças a este, que nos colocaria o nariz no no sítio certo. E ainda nos recordamos do que comprámos: os dois números de Big Numbers, um título inconfessável e um outro do tal Pontiac. Começara aí um processo longo de sedução, que iria sendo alimentado aos poucos com outras visitas e cruzamentos. 

Em 2000, depois de anos de labor intenso, Pontiac publicou o que poderá ser considerada a sua grande obra: Kraut. É um livro dedicado ao, ou melhor, sobre o pai, que havia sido um soldado nas SS quando da Ocupação Nazi da Holanda, correspondente de guerra e que viria a desaparecer em 1978, na ilha do Curaçao. Em mais do que um aspecto foi comparado ao Maus, de spiegelman, mas a distância entre o filho e o pai era incomensurável e inegociável. Em termos gráficos, também, eram dois animais bem distintos: Kraut é denso de texto, documentação transcrita, e uma dimensão muito mais ensaística na tentativa de se aproximar do fantasma. Contém variadíssimos documentos (na esteira de Maus, é certo, mas elevando essa presença), inclusive desenhos infantis do pai, como nesta página. 

Por volta de 2010 estivemos envolvidos num projecto editorial que não passaria de boas intenções, e um dos livros que havia sido discutido, e até mesmo dado início à maquinaria para contratos e traduções, havia sido precisamente Kraut. Graças a isso dar-se-ia início a um processo de correspondência, troca de ideias e anedotas, que aumentaria o grau de afinidade e admiração. Em 2012, a propósito da exposição central do FIBDA sobre autobiografia, tivemos a oportunidade mais uma vez de o contactar sobre assuntos concretos, garantindo que estariam expostos trabalhos dele em Portugal, mas infelizmente ele próprio não nos pôde visitar. Finalmente, em 2014, no Stripdagen Haarlem, na Holanda, cruzámo-nos pessoalmente. E pudemos confirmar a ideia que já havíamos formado ao longo de tantos anos... 

Perdeu-se um dos últimos punks gentlemen .

20 de janeiro de 2015

Preto no branco (Façam fanzines e cuspam martelos)

Depois do momento em que se aventara o fim das publicações de papel pelo advento das plataformas digitais, e a compreensão de que esse aparecimento tinha um propósito e limitações específicas, e que levaria a uma paradoxal maior atenção à produção cuidada do livro enquanto objecto, atomizando e entrosando com uma maior acessibilidade e democratização dos meios de produção (pelo menos no “nosso” mundo ocidental), observando a multiplicação de meios e formas de edição, materiais e ferramentas, não deixa de ser salutar e razão de celebração encontrar quem ainda cultive modos de produção agora vistos como “clássicos”. Falamos dos fanzines em formato A5. Existindo ainda quem os cultive afincadamente, a experiência de rigor editorial levada a cabo pela plataforma Façam fanzines e cuspam martelos, um trabalho coordenado entre os artistas Catarina Domingues e Tiago Baptista, este último partilhando de forma mais contínua os mundos da banda desenhada e das artes visuais, tornam este título em particular, Preto no branco (primeiro número de Setembro de 2012, último de Novembro de 2014), um objecto obrigatório de seguir. (Mais) 

18 de janeiro de 2015

Zombie. Marco Mendes (Mundo Fantasma)

A obra de Marco Mendes merece esse mesmo descritivo. Não se trata de uma sucessão de livros que se vão acumulando nas estantes, e que poderão angariar mais ou menos atenção de certos círculos, afectos à banda desenhada ou mais abrangentes de outras esferas culturais. O mesmo ocorre com as pequenas peças que poderão surgir nas mais diversas publicações, desde os mais humildes fanzines a antologias internacionais. É que cada passo de Mendes contribui para um mesmo fluxo, uma mesma pulsão e hausto, que nos faz revisitar o passado. Não é apenas um projecto autobiográfico. Não é apenas um projecto de banda desenhada madura e relevante para além de questões de imaginário ou tecnicistas. É um projecto político, de uma voz singular. (Mais) 

17 de janeiro de 2015

Best of 2014: para Paul Gravett.

Repetindo os mesmos avisos à navegação das experiências anteriores, aqui fica a lista que enviámos ao projecto internacional de Paul Gravett. Já escrevemos sobre alguns volumes, sobre o de Marco Mendes nos próximos dias, e o de Diniz mais tarde. Mas houve outros projectos, quer de que já falámos quer de que não falámos, que acabaram por não entrar no cômputo final. Sempre osmesmos desequilíbrios.
Para consulta aqui.

15 de janeiro de 2015

Erzsébet. Nunsky (Chili Com Carne)

Qual é o prémio do mal? Não será o seu próprio exercício, a recompensa imediata do que entende como prazer próprio, independentemente das consequências que poderá ter? Não será indiferente ao injusto, que perpetra os seus crimes num presente, a justiça a que não atende no futuro? E qual é o papel do leitor, do espectador, da testemunha mesmo de um objecto artístico, ao enfrentar os mecanismos e ritmos desses mesmos males? Erzsébet é, possivelmente, uma exploração, dura e cruel, dessas perguntas. (Mais) 

14 de janeiro de 2015

Não sei bem o que dizer, mas tenho de dizer qualquer coisa.


Serve o presente post para convidar todos os leitores do lerbd a comparecerem e participarem neste encontro.

Não sei bem o que dizer, mas tenho de dizer qualquer coisa.
Mesa-redonda aberta sobre o ataque ao Charlie Hedbo: o poder dos cartoons editoriais, liberdade de imprensa e expressão, limites sociais, contextos históricos da imprensa ilustrada.
Sara Figueiredo Costa, Nuno Saraiva, Osvaldo Macedo de Sousa e Eduardo Salavisa, com moderação de Pedro Moura. 
Terça-feira, 20 de Janeiro, às 18h30, no Museu Arqueológico do Carmo.
Entrada livre. 

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O crime perpetrado contra o jornal satírico francês Charlie Hedbo colocou na ordem do dia junto ao grande público uma discussão que tem tido lugar em círculos especializados. Qual o papel do cartoon editorial nas democracias modernas, cujas leis de liberdade de expressão permitem um qualquer grau de negociação entre o que se entenderá por "aceitável" e "pertinente", por um lado, e "exagerado" e "ofensivo", por outro. Se se acreditar numa tal categorização, porém, há que compreender que ambas pertencem a uma longa tradição de trabalhos, e com particular presença na cultura francesa. A questão desta liberdade vai embater noutras questões, como os posicionamentos ideológicos, os ditos limites da imprensa, a censura prévia e as decisões judiciais, assim como a conjuntura actual a nível mundial cujas fricções são vistas por alguns como um "choque de civilizações". Não é difícil começar uma discussão sem tropeçar em controvérsias ou mesmo afirmações elas mesmas insustentadas, já que tudo isto implica emoções, limites ao nosso conhecimento, posicionamentos extremados, etc. 

A comunidade de artistas de banda desenhada, ilustração e cartoon editorial, assim como investigadores e críticos da área têm multiplicado a sua expressão de solidariedade, assombro e até mesmo incompreensão nos mais variados canais de comunicação. Alguns dos seus membros não sabem bem como começar a articular o que pensam e sentem, mas sentem também a urgência em fazer algo mais. Esta é uma oportunidade, entre outras, de dialogar.
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Imagem: Eduardo Salavisa, "7 Janeiro 2015".

13 de janeiro de 2015

Colaboração no IJOCA. Vol. 16, no. 2.

Serve o presente post para indicar que está disponível o último volume do International Journal of Comic Art, no qual participámos com uma pequena resenha crítica, co-escrita com a investigadora Conceição Pereira, de um livro académico. Como tem sido recorrente nos últimos números, este volume é imenso (mais de 680 páginas!) e com dezenas dos mais díspares artigos sobre várias frentes e vistos sob as mais diversas disciplinas, ou mesmo propondo uma mera, mas necessária, apresentação. Assim, passando pela banda desenhada mais popular dos grandes centros de produção até tradições menos conhecidas ou até mesmo obscuras para quem não as vive (como a portuguesa, vista "de fora"), e incluindo a animação, temos aqui um campo variegado, não esquecendo jamais o cartoon político e internacional, que sempre foi um cavalo de batalha de John Lent. (Mais) 

9 de janeiro de 2015

Coïncidence. Fabien Vehlmann et al. (On a marché sur la bulle)

Este livro não é mais do que um curto e simples exercício de uma constelação de autores, mas que poderá servir de instrumento de análise e/ou pedagógico em torno dos processos construtivos da banda desenhada, mas sobretudo no que respeita aos resultados expressivos. [O descritivo "experimental" deveria ter um ponto de interrogação à frente, assinalando uma dúvida] (Mais)

7 de janeiro de 2015


3 de janeiro de 2015

The Cigar That Fell in Love With a Pipe. David Camus e Nick Abadzis (Self-Made Hero)

Misturando factos históricos e personagens reais com uma linha de desenvolvimento de pura fantasia, digna de um conto de fadas, e um gigantesco e profundo veio romântico informando toda esse concerto, The Cigar That Fell in Love With a Pipe conta a história de Conchita Marquez, supostamente a mais famosa torcedora, isto é, fazedora de charutos, da companhia Pinar del Rio, cadinho dos mais famosos, caros, procurados e saborosos charutos cubanos (para os aficionados, evidentemente). (Mais)

2 de janeiro de 2015

And Then Emily Was Gone. John Lees e Iain Laurie (Comix Tribe)

 Existem muitos títulos que tentam alimentar o género do “horror” na banda desenhada, e há várias maneiras de o fazer. Mas se a maioria deles opta pelo caminho fácil da violência, quase sempre gratuita, muitas vezes misturada com um qualquer entendimento da sexualidade de modo básico e titilante, existem outros caminhos mais subtis ou pelo menos mais elaborados. Sem querer de forma alguma arrogar-nos de apresentar uma tipologia fechada ou taxativa, um deles é o da compreensão do que esse género permite como espaço de reflexão dos limiares apresentados ao ser humano, e nesse território temos em Portugal um excelente exemplo com a obra de David Soares. Outra é a de fomentar pequenos universos mitológicos que podem ir aumentando de facetas, até ao ponto é que é menos importante a emoção central que deveriam explorar – o horror – do que a contínua construção do universo diegético; é precisamente isso o que se passa com o desdobramento do universo de Clive Barker pelos Boom! Studios, ou Hexed, da mesma editora (uma exploração das referências de Lovecraft num tecido mais ou menos coeso).  Outra ainda é perseguir formas heterodoxas, surreais, pós-genéricas, e freaks. And Then Emily Was Gone pertence a essa categoria. (Mais)