23 de novembro de 2012

Critical Approaches to Comics. Theories and Methods. Randy Duncan e Matthew J. Smith, eds. (Routledge)

Este livro encontra-se no seguimento de um anterior projecto de Randy Duncan e Matthew J. Smith, a saber, o seu The Power of Comics: History, Form and Culture. Mas onde esse outro livro era escrito pela dupla, e tinha um fito introdutório ao estudo de banda desenhada, no seu plano académico (já) possível, este novo projecto reúne 21 ensaios de vários investigadores e escritores (inclusive, naturalmente, os próprios Smith e Duncan), cada um dos quais procura estabelecer os instrumentos mais correctos e específicos a uma das dimensões analisáveis desta linguagem. Como os próprios explicam na entrevista que lhes fizemos (ver no fim deste post), este livro poderia ser utilizado durante um curso universitário, como uma espécie de manual concentrado, ajudando assim os docentes e os discentes a encontrarem num só volume toda uma série de questões pertinentes. (Mais) 

21 de novembro de 2012

Asteroid Fighthers 2 e Hän Solo. Rui Lacas (Asa/Polvo)

Não haverá dúvidas aos leitores destes livros, e da obra de Rui Lacas em geral, que este é um autor capaz de navegar as mais diversas águas dos géneros da banda desenhada, adaptando-se a eles e fazendo inflectir as suas ferramentas de construção narrativa, composição e ritmo, e até mesmo os instrumentos gráficos. Tal não significa, porém, que todas as suas conquistas sejam efectivas do mesmo modo. (Mais) 

19 de novembro de 2012

Odisseia Negra. Valentino Sergi, Jorge Coelho et al. (Passenger Press)

Apesar de estarmos a utilizar para descritivo geral um título em português, como se vê pelas fotos da capa este é um projecto na verdade em três outras línguas: italiano, francês e inglês, partindo de um núcleo editorial italiano. Valentino Sergi é, conforme indicado na ficha técnica, quem o idealizou e é possivelmente quem escolheu os argumentistas e os artistas, assim como a forma geral do projecto. O livro aparece como uma caixa de cartão, cintada, no interior da qual se encontram três fascículos (apenas um caderno, impresso a preto sobre folhas coloridas de gramagem espessa: azul bebé, amarelo torrado e um rosa com mais ciano), contendo cada um deles um dos três capítulos ou sub-histórias desta saga. Por ordem, são eles: Odissea Nera (em italiano, obviamente), escrito por Alessandro Cremonesi e desenhado por Christian G. Marra (que é o editor da Passenger); Black Odyssey (inglês), escrito por Sergi e desenhado por Jorge Coelho; e Noire Odysseée (francês), escrito por Adriano Barone e desenhado por Alain Poncelet. No entanto, todos os fascículos, estando a mancha de banda desenhada em cada uma das línguas respectivas, apresenta uma tradução nas outras línguas no friso inferior. Sendo todo o projecto uma versão da Odisseia, as línguas não deixam de poder fazer sentido no interior desta matéria diegética, se imaginarmos que por cada paragem da viagem de Ulisses ele se encontraria com povos de línguas diferentes, ou dialectos distintos, como o ático, o iónico, o aeólico ou o lésbico (não é piada). (Mais) 

18 de novembro de 2012

Abstract City. Christoph Niemann (Abrams)

Aquilo que pode ser englobado pela denominação “ilustração” não pode ter, e cada vez terá menos, contornos espartilhados. Ela não tem de se ancorar necessariamente a textos prévios nem tem de obedecer a determinadas regras materiais (que, de resto, nunca foram muito certeiras). Há, porém, gestos que conseguem subverter ainda algumas das ideias que se poderiam firmar para empurrar as fronteiras em direcções novas, mais ou menos misturadas com outras disciplinas e categorias que podem fazer sentido para começar a criar um discurso em torno delas, como por hipótese “o design” ou “a arte”, mas rapidamente esgotam a sua pertinência face às experimentações possíveis. Tais são os gestos de Christoph Niemann. (Mais) 

16 de novembro de 2012

"To Find Places to Draw". Ensaio na Reconstruction.

O segundo artigo (da dupla indicada) está escrito em língua inglesa e foi incluído no no. 12.3 da Reconstruction. Studies in Contemporary Culture, cujo número especial tem como tema (In)Securities e foi editado por Susana S. Martins e Susana Araújo.
O título deste artigo é "'To Find Places to Draw': Comics' Resistance to Insecurity", e que repesca elementos empregues na nossa leitura de Viva la Vida!, de Baudoin e Troub's, Faire le Mur, de Maximilien Le Roy, e L'Inscription, de Chantal Montellier, re-integando-os num todo coeso e sob o signo das discussões centrais no artigo.

Está disponível aqui.

Os nossos agradecimentos às duas editoras, pela paciência e apoio, a Miriam Sampaio, pela revisão de texto, e aos blind reviewers, pelos conselhos e críticas pertinentes, nem sempre acatados da melhor forma por nós, que insistimos em certos erros.

"A voz do oud". Ensaio na estrema.

Por feliz coincidência, é no mesmo dia que se tornam disponíveis dois artigos académicos da nossa autoria que, apesar das diferenças temáticas e de alguma metodologia, se coordenam entre si enquanto "ensaios gémeos" (como repararão pelo coincidente parágrafo inicial e alguns dos instrumentos e referências). O primeiro, em língua portuguesa, encontra-se disponível online no site da estrema: Revista Interdisciplinar de Humanidades
Trata-se de um projecto de alunos associados ao Centro de Estudos Comparatistas da FLUL, que publicará trabalhos desenvolvidos sobretudo nos seminários afectos a essa instituição, apesar de estarem igualmente abertos a colaborações provindas de áreas contiguas.O nosso artigo intitula-se (brace yourselves!), "A voz do oud. Criação de espaços multiculturais e a reinvindicação da voz ao 'outro' na banda desenhada francófona contemporânea", e que aborda sobretudo as obras dos autores Farid Boudjellal e Kamel Khélif. Trata-se de um texto desenvolvido no seminário de António Sousa Ribeiro, Temas e Conceitos de Teoria da Cultura (inserido no Programa de Estudos Comparatistas, e ministrado no 1º semestre de 2011-2012), tendo por isso necessariamente que atravessar uma construção contextual das obras analisadas e um discurso balizado em referências bibliográficas denso. 

Agradecimentos ao Prof. Dr. Sousa Ribeiro, aos colegas de seminário, sobretudo Bruno Henriques, e aos blind reviewers, apesar de não termos corrigido todos os erros e incompletudes apontados.
Poderão aceder directamente ao artigo em pdf aqui.

Ensaio do Vazio. Carlos Henrique Schroeder et al. (7letras)

Baseado no romance homónimo de Carlos Henrique Schroeder (de 2006), “este” Ensaio do Vazio é um projecto que reúne um conjunto de cinco artistas para criarem uma adaptação em banda desenhada. Esse aspecto colectivo insufla-lhe, logo à partida, uma dimensão pouco usual, mas apenas a sua consideração cuidada poderá desvendar se se trata de uma conquista de novas potencialidades ou se, bem pelo contrário, acaba por criar obstáculos na sua fruição. O aspecto colectivo é multiplicado pelo facto de, editorialmente, ser uma junção entre três casas, a saber, a 7 Letras, a Editora da Casa e a Design Editora. É esta última, pensamos, que terá tido a parte de leão em termos de coordenação, convite e distribuição. (Mais) 

15 de novembro de 2012

Lynda Barry. Girldhood through the Looking Glass. Susan E. Kirtley (University Press of Mississippi)

Esta é uma monografia académica dedicada exclusivamente à obra da autora de banda desenhada (mas não só) norte-americana Lynda Barry, sobretudo através de um filtro específico, que tem a ver com a representação - figurativa, actancial, social, sexual, política, filosófica - das raparigas na sua obra. “Visualizing girlhood”, como se escreve na página 22. Sendo, como é hábito repeti-lo, o campo dos estudos da banda desenhada relativamente jovem, não é de estranhar que muitos aspectos prementes ou autores importantes não tenham sido ainda alvo de estudos específicos. Se é verdade que Barry já foi alvo de muitos artigos, e é inclusive uma das autoras eleitas por Hilary Chute no seu Graphic Women, ela era merecedora de um estudo como este. (Mais)

15 de outubro de 2012

FIBDA 2012 - Autobiografia

É já de notícia pública que o próximo FIBDA (Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora) tem como destaques principais exposições de Cyril Pedrosa, Ricard Cabral e Paulo Monteiro (que assinou o cartaz), entre outras. Mas o que une esses três autores e a exposição central é um princípio comum, ainda que elástico, a saber, o da autobiografia em banda desenhada. Foi com grato prazer e honra que fomos convidados a comissariar essa mesma exposição central, a qual se pauta mais por princípios institucionais, de clareza de informação e equilíbrios internos do que uma mais decidida - e, porventura, limitada - escolha pessoal. Assim sendo, esperamos que a multiplicidade desse "sub-campo" (como lhe chamamos e argumentamos no texto do catálogo) seja demonstrada através da arte original, reproduções e mostra bibliográfica que se apresentará. Fica aqui uma das versões (longas) do texto de divulgação, também assinado por nós.
"A autobiografia é um género que no modo de expressão da banda desenhada se consolidou por volta dos anos 1960 e 1970, quer nos Estados Unidos, sobretudo com os autores afectos ao movimento dos underground comix, quer em França com pequenas experiências pelo humor irrisório de Gotlib, Mandryka, Gire ou mesmo Jean Giraud.
“Existem exemplos que podem ser colhidos ao longo da história da banda desenhada, e no caso português a menção de Rafael Bordalo Pinheiro não seria, como sempre, descabida. Contudo, enquanto género próprio, ou até possibilidade de criação, apenas emerge na contemporaneidade. Autores como Justin Green, Robert Crumb, Aline Kominsky, Edmond Baudoin, Carlos Giménez, Keiji Nakazawa e Harvey Pekar são fundamentais e influentes na abertura dessa possibilidade.
Os anos 1990, mais uma vez nos três pólos principais da produção de banda desenhada global (França, Estados Unidos e Japão) marcariam uma viragem e exposição substancial: aí poderíamos destacar nomes tais como Seth, Chester Brown, David B., Julie Doucet, Jean-Christophe Menu, Yoshiharu Tsuge, Fabrice Neaud, Debbie Drechsler, Howard Cruse, Marjane Satrapi, Craig Thompson, Alison Bechdel, entre tantas outras possíveis referências num universo muito alargado.
“Portugal, por todas as vicissitudes e especificidades da sua história particular da banda desenhada, tem uma presença no campo da autobiografia mais tímida, mas não seria errado pensar nos nomes de Fernando Relvas ou Ana Cortesão nesse balanço. Mais recentemente, autores como Marcos Farrajota e Marco Mendes exploram esse território de um modo explícito e criativo.
“Tendo em conta que a história da banda desenhada, sobretudo no século XX, foi ocupada sobretudo por géneros infanto-juvenis e associados a géneros fantasiosos, escapistas ou delimitados por regras de expectativas mercantis, a autobiografia foi um dos géneros que mais e melhor contribui para uma sua abertura e desenvolvimento cultural. Quer dizer, a paulatina mas assegurada consolidação da banda desenhada como uma arte ou modo de expressão passível de ser empregue para quaisquer fins, narrativos, artísticos, estilísticos, políticos ou filosóficos, que sejam desejados pelos autores, encontrou nesse género em particular uma das vias de expansão. É aí que encontramos um contributo decisivo para o aparecimento de editoras alternativas dedicadas à produção não apenas de revistas mas de livros (a canadiana Drawn& Quarterly e a francesa L'Association poderão servir de exemplos maiores), e que influenciariam igualmente editoras mais tradicionais, assim como é graças a esses novos autores e essas obras que a banda desenhada ganha um espaço mais digno e crítico na recepção crítica cultural, levando mesmo à sua inclusão em prémios literários prestigiados, bolsas de desenvolvimento artístico, residências, convites aos autores para participarem em encontros transdisciplinares, já para não falar do enorme ímpeto que deram aos estudos académicos de banda desenhada”.
A exposição compreenderá uma mostra integral do fundamental Binky Brown Meets the Holy Virgin Mary, de Justin Green, e apresentará os seguintes núcleos: núcleo central, "o corpo", "a família", "memória histórica", "memória alheia", "diário de viagem" e "auto-ficção".
Agradecimentos a toda a equipa do FIBDA e CNBDI.

1 de outubro de 2012

JAB # 32.

Serve o presente post para informar que o último número da revista Journal of Artist's Book, projecto de Brad Freeman,é exclusivamente dedicado ao panorama português da edição de livros de artista, termo esse que englobará uma miríade de configurações e materialidades. As editoras deste número são Catarina Figueiredo Cardoso e Isabel Baraona, e este é um número que conta com variadíssimos artigos por vários investigadores e escritores, sobre várias áreas.
Tive o grato prazer de ser convidado a participar, tendo contribuído com um artigo intitulado "Portuguese comics artists books", no qual, depois de tentar argumentar o que existe enquanto pontos de contacto discursivos, materiais ou até de condição de possibilidade entre alguns livros de artista e alguns livros de banda desenhada, passo a apresentar uma pequena constelação de artistas e/ou projectos que se coadunam a esse cruzamento, a saber, André Lemos e os seus Opuntia Books, a Imprensa Canalha de José Feitor, o projecto heteronímico de Tiago Manuel, e entre outras menções nominais, uma breve descrição de Post-Shit de Joana Figueiredo e de A última obra-prima de Aaron Slobodj de José Carlos Fernandes.
Através do primeiro link poderão consultar o índice, e algumas páginas, desta publicação. Informamos ainda que está agendado o seu lançamento em Portugal, e uma apresentação, no dia 17 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian, associado, de certa forma, à exposição Tarefas Infinitas (mais informações, ver aqui, em "Actividades Paralelas").
Fomos informados que a revista estará à venda em Lisboa na livraria STET, mas é possível que esteja disponível também noutros locais.
Nota: Agradecimentos, portanto, a Brad Freeman, Catarina Cardoso e Isabel Baraona.