31 de dezembro de 2014

Quadradinhos e Crumbs. AAVV (Chili Com Carne/Kingpin)

Tal como em casos anteriores de leituras “gémeas”, gostaríamos de ler estas duas antologias lado a lado, não como forma de as confundir ou comparar na direcção de uma criação de hierarquias, mas esperando somente que a sua colação possa despertar e revelar linhas de interpretação mais sólidas e argumentadas.

E com estes dois "ramalhetes", ficam os votos de um bom 2015. (Mais)

30 de dezembro de 2014

Monstros!/ Có! & Birds. Gustavo Duarte (Companhia das Letras)

A propósito da reedição de dois livros anteriores a Monstros!, de 2012, num só volume, deixaremos aqui algumas rápidas considerações sobre o trabalho de Gustavo Duarte, reforçando algumas das notas que havíamos indicado quando da leitura da sua participação no projecto MSP Graphic com Chico Bento. Pavor espaciar. (Mais) 

26 de dezembro de 2014

Nowhere Men, Fate Worse Than Death. Eric Stephenson e Nate Bellegarde (Image)

Apesar do título desta série remeter a uma ideia de impotência (pelo menos, sob a forma da citação que representa), de inocuidade, podemos entendê-la de três formas distintas e paradoxais, mas todas válidas. Estes “homens de nenhures” são o grupo de cientistas que são afectados por um misterioso vírus e que se vêem obrigados a mudarem de espaço continuamente, mas todos esses lugares que não estão assinalados nos mapas. Ou, os “homens de nenhures” são antes os génios científicos que estão por detrás de todos os eventos mostrados, inclusive as maleitas do primeiro grupo, e cujo dom é precisamente o da ubiquidade das consequências das suas acções. Ou ainda, numa leitura mais frágil, são antes todas estas personagens que vivem num estado muito desequilibrado e incerto na sua vida editorial. Se é bem possível que apenas o hipotético desenvolvimento da série (ver nota final) possa confirmar, desmentir, transformar as seguintes notas de leitura, avançaremos como se se pudesse ler este primeiro volume como uma obra fechada, terminada, singular. (Mais)

24 de dezembro de 2014

No presépio... José Pinto Carneiro e Álvaro (Insónia)

É tempo de celebrarmos o nascimento de Jesus, o Cristo. Com essa celebração, também se pensa na família, esse gigantesco pilar da sociedade moderna, verdadeiro berço da construção do indivíduo, cadinho dos valores identitários de uma cultura. Celebram-se os laços férreos que unem os membros da família, a espessura do sangue que lateja de emoção. E outras tretas do género, representadas o melhor possível por essa invenção agora posta em causa, o presépio. (Mais)

21 de dezembro de 2014

Sandman, Overture # 04. Neil Gaiman e J. H. Williams III (Vertigo)

Remetendo os leitores ao que dissemos sobre os números anteriores desta série (1, 2 e 3), escusamo-nos de repetir muitas das ideias e noções que ainda têm lugar neste quarto número, à medida que fazemos este exercício de leitura capitular. (Mais)

19 de dezembro de 2014

Revoir Paris, e outros títulos relacionados. Benoît Peeters e François Schuiten (Casterman)

Para ser rever algo, é porque já se viu isso antes. Apenas com experiência directa é que se podem criar tessituras posteriores de memórias. As reminiscências são sempre restos de algo que passou. O que acontece quando não vimos, não se experienciou, não se passou por algo em concreto? Como é que se pode rever, rememorar, recordar essa mesma coisa? Podemos ter memórias em nome de outro? Podemos criar (não re-criar) memórias utilizando os mais díspares elementos, reais e fictícios, imaginários e herdados? Essa é possivelmente a trama central da aventura de Kârinh, a protagonista de Revoir Paris. (Mais) 

17 de dezembro de 2014

Roghi. Anna Deflorian (Canicola)

Quais são as expectativas mínimas quando nos deparamos com um livro de banda desenhada? Esperar uma narrativa? Encontrar uma qualquer linha que se organize ao longo das supostas imagens múltiplas que se apresentarão no objecto determinado – livro, revista, etc. - ? Um qualquer tipo de prazer cognitivo, que tem em conta igualmente certos sentidos físicos e de sensações? Afectos específicos associados a memórias de leituras anteriores, “ares de família”? E o que sucede quando esses ares de família falham ou são continuamente desviados? (Mais)

16 de dezembro de 2014

"O corpo dos negros amarelos", artigo em Este corpo que me ocupa (Buala)

Tendo já colaborado em ocasiões passadas com a plataforma Buala, voltamos agora a um novo episódio, em contornos ligeiramente diferentes. (Mais)

15 de dezembro de 2014

Deixa-me entrar. Joana Afonso (Polvo)

Alberto é condutor de um camião de recolha de lixo em Lisboa. Vive sozinho, pobremente, acumulando caixas de papelão no seu abetesgado quarto, cheios de tudo o que tem salvaguardado desde a sua infância, tal como uma bola de trapos. A senhoria, dona Fernanda, vai colocando perguntas estratégicas, que vão abrindo a sua vida de concha fechada. Mas Alberto é um homem de poucas palavras. Mas não de poucas memórias.(Mais) 

14 de dezembro de 2014

Ardalén, de Miguelanxo Prado no aCalopsia.

Tendo recebido uma cópia deste livro da parte da Asa através do editor do site aCalopsia, ficara prometida que a crítica que dele faríamos seria publicada nesse mesmo local. O nosso interesse pela obra de M. Prado tem sido algo intermitente, e não tanto de seguidores fiéis, por encontrar neste autor prestações muitos desiguais entre si. 

Se por um lado este imenso volume é apresentado como uma grande obra no percurso do autor, e apenas uma leitura atenta permita responder se se trata de uma obra maior, ela pede, ainda assim,por um esforço particular em compreender a sua natureza.

Ficando os agradecimentos à editora e a B. Campos, o nosso texto pode ser acedido directamente aqui.