Mostrar mensagens com a etiqueta EUA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta EUA. Mostrar todas as mensagens

1 de julho de 2018

Introdução à Filosofia em Banda Desenhada. Michael F. Patton e Kevin Cannon (Gradiva)


Na esteira de toda uma produção de livros de banda desenhada que procuram popularizar, sobretudo junto a um público mais jovem, ou alargado, ou apressado, etc., temas de alguma complexidade através de discursos mais simples mas não menos sistematizados e sempre com humor e a facilitação permitida pela camada visual, este livro é uma espécie de súmula da história da filosofia ocidental. De certa forma, Larry Gonick é o percursor imediato deste projecto, com os seus variadíssimos guias disciplinares e a sua História Universal, igualmente publicada pela Gradiva, a qual também lançou recentemente os primeiros volumes da colecção Pequena Bedeteca do Saber. Mas poderíamos citar ainda projectos tão distintos tais como Dinosaur Empire! ou os Science Comics para um público infantil, ou o projecto mais ensaístico de Jens Harder... (Mais) 

20 de maio de 2018

Wonderstruck: o museu das maravilhas. Robert Selznick (Bertrand)


Perguntamo-nos se a publicação deste livro se deve a uma atenção para com a obra deste autor particularmente central na produção de livros cuja natureza se encontra nos interstícios e experimentação conjunta de várias disciplinas, que havia sido publicado em 2011, ou se terá antes a ver com uma esperança de que a sua versão cinematográfica, realizada por Todd Haynes e em exibição em Portugal este mesmo ano, possa suscitar interesse junto aos potenciais leitores. A resposta é, naturalmente, óbvia, até pela capa do livro (veja-se uma nota final), mas pelo menos isso torna-se garante da sua circulação entre o público português. (Mais) 

23 de agosto de 2017

Bruxas/Wytches. Scott Snyder e Jock (G. Floy)

A ideia de que toda uma sociedade sacrifique parte da sua felicidade momentânea e sempre imperfeita em nome de uma fortuna consequente, e por isso sempre “melhor”, não é de todo nova. Ainda que o famoso conto de Shirley Jackson, “The Lottery”, de 1946, se centre mais na ideia do bode expiatório, conta-se aí igualmente na ideia do preço, que se encontra no coração deste livro. Mas o bode expiatório convidaria à ideia de um pecado original e de uma forma de o expiar. Em Bruxas, explora-se antes a entrega total a um crime em nome de um ganho egoísta.

Como todo e qualquer bom projecto, e que permita com efeito leituras múltiplas a partir dos seus elementos (não basta dizer, contra a ideia popular, que qualquer obra de arte tem sentidos múltiplos, é preciso identificá-los e explicá-los), Bruxas pode ser lido, em vez de uma simples e empolgante novela em torno de uma família e o seu confronto com criaturas primais, como um livro sobre desejos, promessas e a capacidade dos seres humanos viverem com as suas fantasias mais negras. Mas também coloca o amor filial, a paternidade, a superação de obstáculos pessoais, na linha da frente. (Mais)

18 de agosto de 2017

Monstress. Marjorie Liu e Sana Takeda (Saída de Emergência)

Monstress é uma bateria ou amálgama de géneros que, não tendo, possivelmente, um elemento propriamente original, produz uma combinação equilibrada e curiosa. Steampunk, fantasia épica e negra, histórias de monstros, Bildungsroman, ficção científica, ficção feminista, são os tijolos que montam a sua estrutura, sendo a argamassa uma pesquisa sobre a individualidade perante a cruel e abjecta injustiça da escravatura e do racismo provocadas pela guerra. Mas ao mesmo tempo espraia-se uma história centrada na senda de uma protagonista em torno de respostas sobre a sua família, que poderá ter consequências para o seu mundo em geral. (Mais)

18 de junho de 2017

Nimona. Noelle Stevenson (Saída de Emergência)

Nimona é uma personagem intempestiva, irreflectida, violenta, inconsequente, com um sentido de humor duvidoso, e de oportunidade enxovalhado, enfim, um péssimo “modelo de comportamento moral” para qualquer criança ou adolescente. As mortes, destruição, uma certa paixão pelo caos, as suas alianças pouco saudáveis, causadas pela protagonista, tornam-na com efeito um péssimo exemplo se se pretender instigar nos jovens leitores um manual de comportamento e de civilidade. Mas esse não é, felizmente, o fito de Nimona. (Mais)

10 de junho de 2017

The Comics Alternative: Entrevista a Christopher Pizzino.

Na produção assombrosa de Estudos de Banda Desenhada, ou de volumes académicos que a abarcam de forma séria, consequente e integrada em diálogos mais alargados, não apenas é agora difícil seguir tudo (mesmo que saibamos a língua, mesmo que haja acesso editorial, etc. o que nem sempre é verdade, criando imnsos blocos de pontos cegos), como ainda mais impossível ler os livros com atenção, compreender de imediato o seu impacto ou (palavra horrenda) "utilidade". Em breve, esperamos, faremos precisamente um exercício de leituras quase superficiais e céleres de uma pilha de volumes dessa produção.

Mas por agora, fiquemos por um volume no qual não apenas operámos, ou assim o esperamos, uma leitura atenta, como tivemos o privilégio de conversas alargadamente com o seu autor, sublinhando alguns dos aspectos mais importantes do seu livro. Como dizemos na resenha crítica inicial no The Comics Alternative, não temos dúvida de que o argumento central de Pizzino neste livro tornar-se-á um pilar dos estudos futuros. basicamente tem a ver com o alerta e um despertar aos discursos que se tecem em torno da banda desenhada, mormente norte-americana, que constrói uma ideia de "maturidade" conquistada ao longo dos últimos anos. Nessa história simplificada ("antes as bds eram simples e infantilóides, hoje são para adultos", numa caricatura bruta), acabam por se criar outros perigos de recepção social, desde a ideia, absolutamente errónea, de distinguir "os romances gráficos" do "resto" da banda desenhada, e, claro, a criação de hierarquias de juízos de valor entre material que parecerá "digno" de atenção crítica e académica e disciplinar, e todo um fundo "negligenciável". É um peso valorativo que incorre com menos precisão noutras áreas criativas e inflecte um estatuto diminuído a esta arte em particular.

Poderão aceder ao artigo introdutório e à entrevista aqui.

3 de maio de 2017

Heavy Metal, l'autre Métal Hurlant. Nicolas Labarre (Presses Universitaires de Bordeaux) & entrevista no The Comics Alternative.

Por ocasião da leitura deste livro, entrevistámos o seu autor, na nossa colaboração com The Comics Alternative. A entrevista está disponível aqui. Uma vez que nesse outro texto tecemos outras considerações e a própria entrevista sublinha aspectos do livro de Labarre, ficam aqui apenas alguns outros apontamentos complementares. O foco deste livro são os primeiros anos da revista norte-americana Heavy Metal (HM), no quadro da sua relação directa com a influente publicação francesa Métal Hurlant (MH). Com efeito, a HM nasceu como um projecto editorial afecto à plataforma que publicava a National Lampoon, até certo ponto uma herdeira mas igualmente desvio da Mad magazine, e que tinha como objectivo a divulgação desse material europeu nos Estados Unidos. Todavia, até hoje a HM é vista como uma versão deslavada, necessariamente inferior, da Métal Hurlant: menos experimental, menos influente, mais atreita a géneros de pouca intensidade criativa (ficção científica e high fantasy “clássicas”) e um claríssimo propósito machista, com as suas capas de pinups. Não é que essa imagem seja totalmente injusta, mas o grande objectivo de Labarre neste volume é corrigir a exatidão histórica das relações entre as revistas e uma mediascape mais alargada e, de certa forma, matizar o juízo sobre a revista americana, a qual criou “uma forma inédita nos Estados Unidos de negociar a articulação entre o underground e a banda desenhada de grande público” (207). (Mais)

27 de abril de 2017

Três títulos da Avery Hill. AAVV.


Três passeios por paisagens inconstantes. A Avery Hill é uma recente e pequena editora londrina que parece disposta a fazer apostas numa certa diversidade de linguagens da banda desenhada, que tanto poderá compreender gestos algo experimentais como outras abordagens mais convencionais, mas ainda assim informadas por sensibilidades e estilos contemporâneos, abertos a um diálogo entre vários géneros, e sempre sob o signo da tranquilidade. Dos que nos foi dado a ler, vimos precisamente como constante a exploração dos mais distintos mundos ficcionais, que podem compreender a ficção científica, a fantasia, o fantástico, o mundano e até o horror, mas sempre numa pausada e certeira caminhada. Os três livros que trazemos aqui à colação, de uma forma ou outra, dão-nos a impressão de estarem unidos por “passeios” idênticos, sejam eles mais próximos da ficção ou da autobiografia, e procurando vários graus de experimentação gráfica, narrativa ou de composição. (Mais) 

29 de março de 2017

Parker, vols. 2 e 3. Richard Stark e Darwyn Cooke (Devir)

Uma vez que já havíamos falado alargadamente da estrutura literária e da forma dialogante entre a adaptação em banda desenhada de Cooke e os romances de Stark, passaremos à leitura imediata dos livros em si. Ficando ainda a nota de homenagem ao artista, cuja morte foi uma surpresa triste há tempo recente.

Cada um dos volumes de Parker lê-se com efeito como uma novela centrando-se nos “trabalhos” a que o criminoso se entrega. É curioso como apesar de o acompanharmos e termos mesmo direito de ir compreendendo alguns dos mecanismos psicológicos que o movem, e o tipo de “ética”, se assim se pode dizer, que pautam o seu profissionalismo, há sempre um limite curto desse mesmo conhecimento. Parker é ainda um homem misterioso, silencioso, que não se deixa endrominar por explicações fáceis. Todavia, essa distância com o leitor é também aquilo que impede uma qualquer empatia ou simpatia total por uma personagem que não esconde de forma alguma ser um sociopata (mesmo que isso seja fruto das alterações mais violentas operadas por Cooke, e não as novelas originais, mais de 20, datadas da década de 1960-1970): machista, violento, ladrão, assassino, etc.. Mesmo os pequenos laivos de “amizade máscula” que ele demonstra para com os seus colegas não será suficiente para o redimir face a uma moralidade humana societal. Mas as novelas policiais, já o havíamos dito, não são habitadas por flores que se cheirem… e há criações tão famosas com criminosos como personagens principais quanto com heróis e justiceiros. (Mais)

23 de março de 2017

Science Comics, vários títulos. AAVV (First Second)

A ideia de usar a banda desenhada como um meio de transmissão de informação, como meio de educação, não é de todo nova. Se englobarmos as imagens Quentin nessa equação, ancoramo-nos mesmo nas origens populares e na infantilização desta disciplina no século XIX. Mas poderíamos recuar ainda mais, se se pensasse em questões dos livros ilustrados medievais, das enciclopédias aos Musterbuchen, e a inúmeras práticas. Usualmente, esta utilização é vista com alguma desconfiança quando se parte de um ponto de vista estritamente estético, uma vez que os instrumentos empregues por estes exemplos não serão aqueles que mais preocupados estarão com a pesquisa da expressão, com a individualidade autoral, mas antes subsumem-se a noções tais como as da legibilidade, da inteligibilidade, da clareza de argumentação, etc. E muitas vezes acompanham-se de um qualquer enquadramento moralista que é bem distinto da visão mais progressiva. Não se pode, porém, negar que esse “uso”, não sendo artístico ou literário ou politicamente relevante, ainda assim conseguirá conquistar de quando em vez um qualquer grau de competência que a faz escapar de uma oferta desapaixonada. (Mais)

23 de dezembro de 2016

Si Lewen’s Parade, An Artist’s Odyssey (Abrams)

Si Lewen, que viria a falecer algum tempo depois da produção deste livro, foi um pintor norte-americano que é muitas vezes agregado a essa imensa família do “expressionismo abstracto” desse país, se bem que não conste da primeira linha de artistas que usualmente se citam. Não tendo o mesmo papel no palco internacional que outros nomes mais sonantes, a sua presença não é de forma alguma displicente nesse contexto, e algumas das suas obras ocupam um espaço interpelante, vincado, significativo, e até original, mesmo que esta palavra tenha hoje um valor diluído. Oscilando entre a figuração e a abstracção, herdando dos cubistas muitas vezes a presença dupla dessas forças num só plano de composição, os jogos de referencialidade com o mundo, e jamais abdicando do “sentido”, transmitido quer pela figura, quer pelo título (se bem que muitas telas sejam baptizadas com “Sem título”) quer pela coordenação de séries, Lewen é um autor que, descoberto de atacado, faz-nos ponderar até que ponto a História da Arte, tal como é estruturada e transmitida pelos seus canais mais usuais, não é ainda um projecto de uma incompletude estrondosa, quiçá mesmo impossível. Acresce a isto a produção de objectos ou obras que possam ser re-agregadas pela História da Banda Desenhada, e ainda se torna mais complicada a sua integração… (Mais) 

11 de novembro de 2016

Miracleman/Watchmen. Alan Moore et al. (Levoir/G. Floy)

A publicação destes dois livros no mesmo ano, por dois projectos diferentes (mas que sabemos estarem aliados por agentes comuns), vem repor uma das muitas falhas da banda desenhada disponível em Portugal em língua portuguesa na norma europeia. As relações de ambos os títulos partem da circunstância de ambas partilharem o mesmo escritor, Alan Moore, e de fazerem parte de um projecto que ele não tem abandonado, pois mais que o pareça nas suas afirmações explícitas: a da reinscrição do género dos super-heróis numa nova relação com a referencialidade real para, a partir disso, interrogar o género mas também a fantasia, a efectividade das utopias, a realidade política que nos assiste, etc. E à distância de mais de trinta anos, não pode haver dúvidas de que houve de facto uma transformação radical desse género provocado pelo trabalho do escritor inglês. (Mais) 

10 de novembro de 2016

Big Kids. Michael Deforge (Drawn & Quarterly)

Apesar do seu formato, um livrinho de bolso de capa cartonada, esta é bem capaz de ser a maior obra até à data do autor, confirmando-o não apenas como um inventor de novas formas de criar banda desenhada em termos figurativos, de composição e no uso das cores, o que já havíamos discutido a propósito de vários dos seus títulos anteriores, como também a um nível de dramatismo, exploração emotiva e relevância social. Deforge tem-se revelado como um verdadeiro autor “completo”, não no sentido clássico de “trabalhar sozinho”, mas antes de “moldar todos os elementos passíveis de uso numa banda desenhada”. A leitura dos seus projectos são de facto experiências cumulativas de atenção para com todos os factores expressivos que ele acessa. De uma forma sucinta, Big Kids é uma novela em torno da vida de um adolescente e o momento em que, nessa fase da vida, se atravessam transformações radicais a todos os níveis, não apenas físicas, como em termos de consciência, relacionamento social, personalidade, identidade. (Mais) 

15 de outubro de 2016

Bad Little Children's Books. Arthur C. Gackley (Abrams)

A existência, esforço de escolha e condução da leitura de livros infantis pautar-se-á por toda uma série de premissas, sendo as principais aquelas que advém da posição dos progenitores face ao mundo e que pretendem transmitir à sua prole, se os educarem. Os valores e conhecimentos passam-se sobretudo através do exemplo e do diálogo, pela presença, mas os livros talvez continuem a ser um dos melhores instrumentos de delegação desses valores que existem. Muitas vezes também poderão servir de contra-exemplo, e necessitam por isso de um maior esforço dos pais em criarem um espaço que discuta esses mesmos textos. Julgar portanto qualquer “livro infantil ilustrado” desprovido da transmissão de valores imbuídos de características ideológicas e políticas é não apenas ingénuo como perigoso, como já o havíamos discutido em ocasiões anteriores. Dito isto, é por vezes um esforço aborrecido da parte dos pais tentarem criar uma visão do mundo através de metáforas suavizantes ou, pior, delicodoces, ou de simplificações de enquadramentos que sabemos serem mais matizados, subtis e complexos. (Mais)

6 de outubro de 2016

Colecção Novela Gráfica II. AAVV (Levoir)

Nota de intenções: tendo traduzido dois volumes desta colecção, assim como escrito o prólogo de dois outros, temos uma associação profissional a esta colecção.
Tendo terminado esta colecção, e não tendo tido oportunidade antes de falar sobre ela, esperamos que ainda sejam pertinentes estes comentários, uma vez que a colecção continuará disponível quer através da rede do Público quer, mais tarde, no mercado livreiro. As ideias apresentadas a propósito da primeira colecção são ainda válidas para esta segunda. Compreendendo-se que o mundo editorial em Portugal, no que diz respeito à banda desenhada, ainda não se encontra num estado óptimo, sobretudo no que diz respeito à sua recepção e circulação, a aposta em apresentar de rompão toda uma série de títulos é uma estratégia válida. De certa forma, é mesmo uma maneira de revalidar alguma da sua história, aumentar exponencialmente os títulos disponíveis de entre os “clássicos”, os “desconhecidos” e os “contemporâneos”, e, de resto, trazer algum grau de diversidade à sua maneira. Não sendo possível esquecermos os gestos, tão diferentes mas sustentados e programáticos, de editoras como a Polvo, a Chili Com Carne e a Kingpin Books, selos mais pequenos mas também buscando coerências várias, como a El Pep, o Clube do Inferno, a Libri Impressi, os projectos comerciais sólidos da Devir, da Goody e da G.Floy, os gestos mais ou menos isolados de editoras generalistas com apostas na banda desenhada nacional e internacional (Bertrand, Parceria A. M. Pereira, Tinta da China, Teorema, Gradiva, etc.), a paisagem é suficientemente variada para albergar e acomodar os propósitos destes projectos da Levoir. (Mais)

5 de outubro de 2016

Colecção Sandman. Neil Gaiman et al. (Levoir)

Nota de intenções: estando envolvido na tradução de vários volumes desta colecção, existe uma relação profissional entre nós e a editora.
Quando a edição de Sandman, pela Devir, se viu interrompida por problemas de cariz legal e internacional, que não era imputável à editora, tecemos algumas considerações gerais sobre a série. A elas remetemos, pois apesar da distância de dez anos, algumas dessas notas são ainda pertinentes. É verdade que a leitura desta série, no início dos anos 1990, se fez numa paisagem mediática e de produção de banda desenhada profundamente distinta daquela que é possível nos nossos dias, já para não falar da própria recepção pessoal, que tem de ser diferente por razões tão várias quanto óbvias. (Mais)

26 de agosto de 2016

After Nothing Comes/Little Angels. Aidan Koch (Koyama/MoMA PS1)


Tal qual como ocorre em qualquer outro território artístico e criativo, ou até mesmo da actividade humana, existe uma diversidade de gestos, intentos, alcances e intensidades que deve ser compreendida por ela mesma, não se pautando uma forma de cumprir um papel pelos princípios de outra. Mesmo assim, não deixa de ser uma fonte de felicidade quando nos deparamos com gestos que abandonam as preocupações usuais e clássicas da banda desenhada, como a de “contar histórias” ou até “mostrar relevância”, para lavrarem explorações da própria matéria que constitui a banda desenhada, ou com ela atingem contornos bem diversos dos usuais. De uma forma nem sempre clara, decisiva, passível de continuidade, ou totalmente subsumível a categorizações, e muitas vezes votadas ao desinteresse geral, até sobretudo por aqueles que mais dedicação parecem demonstrar à banda desenhada (nas suas prestações mais arregimentadas), são aqueles trabalhos que merecem o apodo, torto, historicamente erróneo e complicado, insuficiente, de “experimental”. (Mais) 

21 de julho de 2016

The New Mutants. Ramzi Fawaz (New York University Press)

Tendo como sub-título Superheroes and the Radical Imagination of American Comics, compreender-se-á de imediato o objecto de estudo deste volume académico, assim como a matéria que é desalojada para lhe prestar atenção crítica. Basicamente, este é um estudo das figuras dos superheróis no contexto histórico e cultural norte-americano, criando um filtro que permite ver essas personagens como capazes de reconfigurar imaginativa mas igualmente politicamente (isto é, com efeitos na pólis) vários tipos de inscrição cultural. Desta feita, o autor contribui de uma forma sustentada e feliz para com a consideração da banda desenhada como, acima de tudo, para citar uma das cartas enviadas às editoras que o investigador utiliza, “espaço legítimo para pôr em prática ideais” (195). (Mais) 

7 de julho de 2016

Hora de aventuras, vol. 1. Ryan North et al. (Devir)

O lançamento do primeiro volume desta série faz esperar por uma tendência de alguma saudável diversidade em relação à banda desenhada para um público mais infantil, que não passe nem pelos grandes impérios comerciais costumeiros (se bem que este seja igualmente um produto da indústria massificada de entretenimento e consumo, não tenhamos dúvidas), nem por uma subsunção a princípios pedagógicos moralizantes, criados por uma comissão de marketeers e pedagogos. Adventure Time, ou Hora de Aventuras, é apesar de tudo um projecto autoral, algo doidivanas e divertido. O que poderá, todavia, ser precisamente um dos factores que cria obstáculos junto aos progenitores do seu público-alvo. (Mais)

26 de junho de 2016

Superman: American Alien. Max Landis et al (DC Comics)


Em outras ocasiões tivemos oportunidade de revelar algum tipo de acompanhamento que fazíamos de séries mainstream de super-heróis em continuidade, o que ainda se mantém, ainda que de modo menos visível do que se pensaria pelos textos aqui publicados. Maior atenção, todavia, é dada a projectos que surgem como “one shots” feitos fora dessa mesma continuidade, que dessa forma se permitem explorar de modos mais interessantes as potencialidades das variações do género. Foi o que aconteceu, por exemplo, com títulos de Batman ou dos Vingadores. Apesar de termos iniciado igualmente uma abordagem de um outro projecto com o Super-homem, apenas agora surge a oportunidade de sermos mais específicos. (Mais)