6 de maio de 2020

«Bestiário» #s 1 & 2.


Num momento em que a os editores, livrarias e todos os agentes associados à dita “indústria” do livro já lançam mãos de quaisquer bóias de salvamento das contínuas crises – económicas, de consumo, de confiança, educação, das plataformas digitais, alterações sociais e culturais, de sector, legislação e, mais recentemente, de saúde pública – é difícil encontrar uma solução que funcione como panaceia universal. Podemos estar no mesmo oceano de papel, mas as embarcações são bem distintas entre si, e as ondas levantam-se de maneira diferente, o marulhar afecta em variação. Uma opção, porém, se avizinha àqueles que ainda crêem no poderoso objecto que o livro é: fazê-los bem, fazê-los belos, fazê-los inteligentes. Entra a Bestiário. (Mais)
A cada geração, ou a cada momento, caber-lhe-á as “revistas” que merece. Podíamos pensar desde o século XIX, com a imprensa ilustrada, em que Bordallo também foi o “pai-de-todos”. Depois a combatividade de todas as revistas literárias do primeiro quartel do século XX, e mais além. A democratização da democracia com a Seara NovaO Tempo e o Modo, de mãos dadas. A &tc., mas também a Gaiola Aberta, combativas sem quartel. A “pós-moderna” K. O guia mutante flirt, na qual tive a honra de participar. Os gestos sérios da literatura, como As Escadas não têm Degraus ou a Telhados de Vidro. As agregações de pensamento estético, com a fulgurante Pangloss. E os bichos jogando literatura e ilustração, da V-Ludo à Cão Celeste. O imbriamento da imagem e do texto, e destes com a política, da BuracoE, naturalmente, a empreitada monstra da Bíblia, “mais famosa que a outra”, sempre de cara lavada e suja a cada número, tem-te-não-caias e onde há lugar para tudo, desde que caia no goto de Tiago Gomes, noctívago, omnívoro, incansável. Bestiário agrega muitas das dimensões destas heranças, e mesmo que abandonando o mero fito mercantil, apresenta-se como objecto singular, esmerado, e informado igualmente por tradições diversas das revistas de arte, quem sabe se mesmo com citações directas a algumas das quais já debatidas neste espaço: The GanzfeldKramer's Ergot, outras. Uma “aliança intrínseca”, como quer Herberto Helder entre duas partes do corpo humano, entre o conhecimento e a mestria.

Uma “revista” aponta sempre à ideia da diversidade de assuntos e de tratamento das matérias. Este é um projecto pensante, e que não se fecha somente a uma experiência de um género de escrita, mas bem pelo contrário coloca em prática muitas das estratégias previstas numa simbiose livre de preocupações diversas, mas todas elas informadas pelo rigor dos seus instrumentos específicos. É um rizoma nas suas partes, mas cada uma dessas partes é um órgão. Não será, julgo, um desserviço e ofensa aproveitá-los isoladamente, mas o seu cômputo colectivo poderá colocar o leitor em vertigens produtivas.

Bestiário propõe-se seguir temas condutores, sob o pavilhão de palavras-chave, conceitos palpáveis e conhecidos. O primeiro número é o do “nojo” - nos seus sentidos líquidos e plásticos de “repúdia”, “abjecto”, “luto” - o segundo o de “monstro” - criatura compósita, advertência e obsceno. É possível que haja uma articulação interna, talvez mesmo de forma explícita: uma citação de Llansol no final da Bestiário 1 fala de “monstros” e a sua contra-capa é a ilustração, de Hetamoé, que orna a capa do segundo número. O abjecto, o informe, o monstro, a própria vontade enciclopédica de construir um outro entendimento do mundo, faz-nos imaginar que a égide de Bataille estende as suas asas sobre os dois números (e assim surge mais uma referência, na Documents). Pela pequena monumentalidade destes tomos (o segundo substancialmente mais monstruoso que o primeiro), há uma clara fuga do efémero, do hodierno, para uma preocupação mais cabal com o consentâneo e o consequente. Com o dossier. Um “bestiário”, afinal de contas, apresenta-se como um repositório de formas vivas, havendo espaço para a mais banal das criaturas domésticas e a quimera ainda insuspeitada. Alguns dos textos, como os de Ana Matilde Sousa, revelam esse convívio, nada contraditório no fundo, mas é sobretudo o colectivo que reúne essa força.

Há uma exigência para a leitura desta publicação, já que muitos dos textos são longos, densos, requerem uma atenção particular, e interrogações permanentes. Não são somente para ser “consumidos”, mas debatidos. Mesmos os literários, muitos dos quais roçando territórios “não-identificados”, abrem caminhos de pesquisa (que, em si mesmos, também possibilitam a criação de toda uma outra constelação de associações).

Pois há literatura, sob os modos da poesia, do teatro, da prosa. Há ensaios, estes mais presididos por uma interpretação de política, aqueles mais conduzidos pela filosofia das artes, aquele outro uma historiografia da securatização urbanística, uma ponderação sobre o moldar ideológico do sexo, e havendo espaço para o burilar crítico da literatura e do cinema. Há banda desenhada (de André Coelho), e imagens, não fossem estes objectos explorações eles mesmos do design de comunicação e publicação, do livro enquanto arte material própria (em que os arranjos de Pedro Serpa e Joana Pires abrem espaços a diálogos menos comuns). Há ilustração, mas ela não ilustra nada, no seu sentido de serviço a um texto, de lhe aclarar as ideias. Ora em prestações isoladas, ora em ciclos ora em corpos, vive aqui num direito próprio, em que a sua presença, por acumulação, a faz ganhar um peso que, mesmo que não idêntico ao da matéria verbal, a mantém de pé. Existe também aquilo que penso leva o nome de “ensaio fotográfico” - Lais Pereira, Momo Okabe, Emi Anrakuji, Paulo Catrica – cujas organizações internas exploram temas concentrados, e das quais emergem ideias próprias.

Apesar dos temas, nada lhe está subsumido. O que ocorre são formas distintas de responder ou dialogar com esse tema, expandindo-o por dentro. Jamais se procura uma cabimentação explicativa ou, pior, domesticação desses mesmos temas, mas uma sua multiplicação, revelando os veios que unem todas estas esferas da criação e do pensamento.

Bestiário apresenta-se como uma “não-revista”, marginal no sentido de não se preocupar com a validade imediata da sua circulação hodierna. Certo, não quererá ombrear a imprensa periódica que pulula nos quiosques, e que, proverbial espuma dos dias, no momento em que se materializa já se dissipa. “Revista” vem de revider, latim para “ver outra vez”. A Bestiário servirá sempre para se reler.

2 comentários:

DIOGO RODRIGUES disse...

Portugal são ladrões que, ao longo da nossa história, roubam Africanos, Asiáticos e Brasileiros. Agora que não podem mais fazer isso, roubaram essas ilhas, que foi a última do que podiam roubar da Espanha na década de 1930. Patético!

O VERDADEIRO PT disse...

O Alentejo Portugues?
Por que Olivenza Espanhola e nao tenhas duvida

Bela Olivenza sempre Espanhola ❤️

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The Portuguese had a brutal record in the Americas as a colonial power. The most horrendous abuses occurred in the colony of Brazil: natives were enslaved, murdered, tortured and raped in the conquest and early part of the colonial period and later they were disenfranchised and excluded from power. Individual acts of cruelty are too numerous and dreadful to list here. Portuguese Conquistadors in Brazil reached levels of cruelty that are nearly inconceivable to modern sentiments.

Today, Portugal is the Biggest Racist country that i have ever lived in. I feared for my life there and i consider myself lucky that my family got out alive! I have never lived in such poverty (Sopas dos Pobres everyday) 40% unemployment rate and 60% of the population earn less than $932 USD per month, and that’s considered Middle Class here! Within the European Union it is the worst of the worst place to live in.

The bottom line is the bulk of the People in the poor country of Portugal exist in a brainless comma that is fed by Ignorance, anti-Spanish hate, and severe Racism of pretty much everybody that isn’t Portuguese! And, Portugal started the Global Slave Trade in 1441 so it is definitely NOT a safe place for Blacks!!

I found important websites that explain the Severe multi-generational Racism and Hate that exist in Portugal today, and i highly encourage all to read them and spread the word in order to avoid innocent, and desperate people from living or visiting there. Get educated on the Truths about Racist Portugal now.

1) https://www.theroot.com/a-white-journalist-discovers-the-lie-of-portugal-s-colo-1790854283

2) https://saynotoracistportugal.neocities.org/

3) http://www.discoveringbristol.org.uk/slavery/routes/places-involved/europe/portugal/

4)SOPAS DOS POBRES EVERYDAY IN PORTUGAL BECAUSE OF NON EXISTENT ECONOMY:

https://www.noticiasaominuto.com/pais/764453/sopa-dos-pobres-foi-criada-ha-anos-mas-ainda-existe-problemas-persistem

5) http://www.ipsnews.net/2011/10/portugal-crisis-pushes-women-into-prostitution/

6) https://www.theatlantic.com/business/archive/2013/06/the-mystery-of-why-portugal-is-so-doomed/276371/

7) https://portugaltruths.neocities.org/

8) https://portugalwasabadcolonizer.neocities.org/

9) https://portugalisxenophobic.neocities.org/

10) https://portugalisaracistcountry.neocities.org/

I HEREBY ALERT ALL PEOPLE ON EARTH TO NOT BUY FROM PUTUGAL, DO NOT SPEND YOUR HARD, EARNED MONEY GOING THERE AND BOYCOTT ALL PORTUGEE STORES IN YOUR AREA! DON'T BUY THEIR GOODS OR WINES!!!

THESE XENOPHOBIC RACISTS HAVE TO LEARN AND THE BEST WAY IS TO BLOCK THEM ECONOMICALLY!

BE CAREFUL FRIENDS!

+++FEEL FREE TO ADD MY BLOG LINK AND PICTURES TO YOUR BLOG OR WEBSITE FOR FREE! IT IS IMPORTANT TO TELL PEOPLE THE TRUTH ABOUT PUTUGAL!!+++

Be SAFE friends. Hugs.
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O Alentejo Portugues?
Por que Olivenza Espanhola e nao tenhas duvida❤️
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Ajuda agora mesmo!!


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