31 de março de 2019

Colaboração: Pentângulo # 2

Este outro post aponta ao facto de que o segundo número da Pentângulo, a antologia criada no seio da escola Ar.Co, e publciada pela Chili Com Carne, também já está produzida e será lançada nos próximos tempos. Neste segundo momento participamos apenas com um pequeno texto ensaístico, intitulado "Fuck Nostalgia", no qual, de uma forma muito sucinta, e sem grandes instrumentos académicos, tentamos criar uma breve tipologia do que esse termo, nostalgia, pode significar em termos de produção de banda desenhada, a maior parte das vezes apenas para repetir clichés, mas em algumas excepções criando-se verdadeiros caminhos para trilhar e fundar o futuro deste modo de expressão. 

Encontrarão trabalhos de alguns alunos, francamente promissores e frescos, assim como peças de veteranos como o Francisco Sousa Lobo, André Pereira, Amanda Baeza. A capa é feita por um jovem que tem futuro, um tal de Nuno Saraiva. 

Colaboração: «Júlio Pomar, o 'Jogo da Cabra Sábia'»

Serve o presente post para dar conta da participação num volume de natureza académico, nascido de um seminário organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em torno da relação de Júlio Pomar com várias disciplinas artísticas. Coordenado pela Professora Doutora Kelly Basílio, e levado a cabo em 2014, levou algum tempo até se concretizar a publicação deste livro.

Colecciona uma série de textos por investigadores, professores catedráticos, e pensadores da arte. Uma companhia de peso para os nossos pobres argumentos. 

O nosso texto intitula-se «'Como é que ele tirou isto daquilo?' Ou, Júlio Pomar, Ilustrador». Através da análise próxima de alguns trabalhos de ilustração para livros de Alberto de Lacerda, Maria Velho da Costa, José Gomes Ferreira, e integrando-os na longa carreira pictórica e de desenho de Pomar, interrogamos não apenas os modos como este artista em particular traz autoridade à ilustração para além da sua natureza de "resposta" à coisa literária, como também como a própria ilustração merece uma atenção e instrumentos críticos próprios, não sendo uma disciplina menor, uma necessidade alimentícia, e muito menos "pecadilhos de juventude".

Júlio Pomar, o 'Jogo da Cabra Sábia' é publicado pela Húmus, 2019. 

8 de março de 2019

Encontros Interdisciplinares da Imagem Animada 2019.

É com imenso prazer e honra que anuncio os Encontros Interdisciplinares da Imagem Animada, a ter lugar no próximo 19 de Março, na ESEC da Universidade do Algarve. 

Trata-se de um dia de mesas-redondas, inseridas no curso de Imagem Animada, com a presença dos realizadores Pedro Brito e Filipe Abranches, e os criadores de projectos multimédia Filipe Duarte Pina e Miguel Falcato. Apesar de desenhado com o intuito de aproximar os alunos do curso de profissionais de relevo, estes encontros estarão de portas abertas a todos aqueles que queiram assistir e participar, e esperamos que seja o primeiro de futuros.

Mais informações na página da escola.

6 de março de 2019

Colaboração com a "Mundo Crítico"

Conforme havíamos informado anteriormente, quando do lançamento do 2º número da Mundo Crítico, a nossa colaboração com este título será regular.

No novo número, a curadoria da secção "Ecos Gráficos" levou ao convite à autora Dileydi Florez, que criou uma espécie de mini-diário sobre a antologia que ela própria coordenou, Nódoa Negra, publicada pela Chili Com Carne. 

É nesse sentido que o nosso artigo - intitulado "Sororidade: Ou, como caminhar ao lado de alguém" - incidiu numa breve resenha desse mesmo volume, integrando-o num contexto maior da criação de banda desenhada por autoras mulheres. Poderão aceder à revista em pdf aqui, ou directamente ao artigo aqui

20 de fevereiro de 2019

Adeus, Geraldes Lino.


É com imenso pesar e choque que fico a saber da morte do amigo Geraldes Lino. A ideia de um "amigo pela bd" poderá ser estranha, mas todos os que com ele se cruzaram sabem que estes elogios não são em vão. De uma maneira ou outra, muitos sabem que ele foi cicerone a tanta, tanta gente, fossem aspirantes a artista ou fossem intensos leitores.

Não fui amigo íntimo do Lino. É verdade. Mas muitos sabem que mesmo não sendo amigos íntimos, quando se falava com ele, era como se fosse.

Deve ter sido no final dos anos 1980 que me cruzei com o Geraldes Lino pela primeira vez, ainda eu não fizera 20 aninhos, dando-me as boas vindas a exposições no Palácio da Independência. Eu era tímido e não conhecia ninguém. Era apenas um puto que gostava de bêdê. Demoraria algum tempo a conhecer o meio. Mas sempre teve uma boa palavra, uma dica para onde encontrar coisas raras, a loja certa. Em 1994, organizou um encontro com o Will Eisner na Amadora, e entraram algumas poucas pessoas numa sala. Por alguma razão, eu sentei-me a essa mesa, mas caladinho que nem um rato.

Depois lá fui aprendendo, conhecendo pessoas, escrevendo. E o Lino sempre a apoiar, a relembrar uma referência, a partilhar um contacto. Sempre nos tratámos pela terceira pessoa. Sou de trato fácil, entro logo no “tu”. Mas com o Geraldes, havia sempre uma ideia de que era necessária deferência. Os que o conhecem sabem que é mentira, não era preciso. Mas era assim connosco. Falávamos com franqueza, por vezes combatíamos ideias distintas, mas sempre com amizade e rigor. E deu-me tanta coisa. Material, também, nas poucas vezes que fui à tertúlia, e noutras ocasiões. Mas sobretudo noutras dimensões. O que é que eu terei feito, ao longo destes anos, que não tivesse tido algum apoio, ajuda directa, um ouvido atento, no Lino? Eu digo-vos: nada. Mesmo que não falasse directamente com ele, mesmo que não tivesse oportunidade de lhe perguntar, escutava-lhe a voz roufenha, “Ó, Ó Pedro Moura, não seja assim! Já quando o vi na Bedeteca lhe tinha dito...”

O Geraldes Lino era um daqueles “leitores ideais” que estava sempre na minha mente.
Sabem que mais? Não vai deixar de o estar.

16 de fevereiro de 2019

Participação em "Todas as Palavras"


Olá a todo@s.

Serve o presente post para vos informar que esta manhã, às 10h00, na RTP3, no programa Todas as Palavras, de Inês Fonseca Santos, participarei numa curta conversa, focando-nos em Os Regressos, co-autorado com Marta Teives. Disponível posteriormente no RTP Play.
Agradecimentos à Inês Fonseca Santos, pelo convite, que muito nos honra. 

1 de fevereiro de 2019

Estamos todas bien. Ana Penyas (Salamandra)


Vivemos num tempo em que, afortunadamente, se discutem muitas questões de representação e sub-representação sócio-cultural, em todas as dimensões da esfera pública, na qual se destaca, por razões óbvias, textos de cariz artístico e produções da cultural popular. Mas se existem cada vez mais discursos permeáveis e reequilibrados em relação a toda uma série de categorias e sub-culturas, a velhice continua a ser uma espécie de tabu.

Velhos são os trapos, como se costuma dizer, e parece que passado um determinado limita, as pessoas deixam de ter préstimo, como se a acumulação das suas experiências não fossem, só por si, uma muito provável fonte frutífera de aprendizagem aos que se seguem, sejam essas experiências felizes ou infelizes, de glória ou infortúnio, boas ou más. A falta de diálogo intergeracional é, na verdade, uma das dimensões que caracteriza o ensimesmamento actual nas identidades, estas reduzidas aos seus mais superficiais traços, sem quaisquer auto-interrogações, dúvidas ou gestos de aproximação a outras esferas. (Mais)