25 de outubro de 2018

@ 29º FIBDA. 2018


Abre amanhã, dia 26 de Outubro, ao fim do dia, o 29º Festival Internacional de banda desenhada da Amadora, no Fórum Luís de Camões.

Apesar das dores de cabeça, lá acabei por participar em vários papéis:

1. Co-comissário, com Sílvia Borges da Silva, da exposição "Ano Editorial 2017-2018" (um pequeno milagre ter sido possível fazê-la)
2. Participação nas sessões de autógrafos, a propósito de Os Regressos (Polvo), do qual sou argumentista, para maravilhosa lavra gráfica de Marta Teives 
3. Participação em algumas das conversas associadas a lançamentos e/ou a presença de autores estrangeiros em Portugal.

Há muito, e pormenores, ide ver aqui.

"Ensinar a editar": 28 OUT, 18h00 @ Feira Gráfica


Estaremos presentes este Sábado, dia 28 de Outubro, pelas 18h00, na conferência "Ensinar a editar", em muito boa companhia, acção integrada na Feira Gráfica, ao mercado de Santa Clara (Feira da Ladra), em Lisboa, todo o fim-de-semana.

Antes disso, estaremos presentes na banca da Oficina do Cego, associação de que somos membros, com algumas das nossas publicações. Mas a mais a ver, ler e conversar.

Apareçam!

Programa, aqui.

9 de setembro de 2018

Livro sagrado. Santo (Edições Milagre)


Esta pequena edição de autor reúne toda uma série de histórias curtas que estão associadas entre si por uma vontade comum, a de alcançar e transformar, através de várias estratégias, um fundo dos contos e tradições folclóricas portuguesas – o que não impede de arrolar a literatura, com Alexandre Herculano, Jorge de Sena e Zeca Afonso –, com várias roupagens. Tendo acompanhado o trabalho do autor há muitos anos, desde os seus primeiros trabalhos em fanzines no final dos anos 1990, fomos acompanhando estes trabalhos à medida que foram surgindo, inclusive tendo nós próprios colaborado, tendo incluído uma das histórias (“A Dama Pé de Cabra”), em inglês e a duas cores, na nossa própria publicação Quireward. (Mais)

6 de setembro de 2018

Jardim dos Espectros. Fábio Veras (Escorpião Azul)

Há 20 anos sucedeu algo nas paragens de Núvia que amaldiçoaria os seus jardins. Um segredo, talvez, cuja insatisfatória conclusão lançaria um fel venenoso que transformaria a terra numa sombra fraca de si mesma, azedando tudo à sua volta, desde a vida dos vivos até mesmo ao descanso dos mortos. Tornando-se um famoso enigma nestas terras, Núvia parece ter passado a ser um desafio àqueles que se julgam capazes de o desvendar, aspirante a Édipo. Porém, ao contrário deste, sem ter pago o óbulo de um verdadeiro sentimento de perda e desenraizamento, terão falhado essa suposta “missão”, deixando o caminho aberto sempre para quem de direito. Este livro abre-se para o dia em que quem de direito finalmente atinge os limites dos jardins de Núvia, disposto a atravessá-los, para buscar o seu coração e, talvez, feri-lo de morte. (Mais) 

4 de setembro de 2018

Dragomante: Fogo de Dragão. Filipe Faria e Manuel Morgado (Comic Heart/G. Floy)


Há algo de libertador quando somos confrontados com um objecto cuja clareza é patente e genuína. Uma capa apelativa, clara nos seus propósitos, apresentando objectos cujo sentidos não exigem uma interpretação secundária, mas vivem quase de uma presença denotativa absoluta. Uma mulher guerreira, ostentando duas espadas longas, seguras de forma marcante, com uma armadura total e, junto a si, um imenso dragão, de dentes de diamante, ameaçando os seus inimigos fora de campo. Uma única palavra como título, concentrado e icónico, com um sub-título que pouco parece adiantar à promessa feita já por tudo o resto. Sabemos o que nos espera. Aventura de género de alta-octanagem. (Mais)

2 de setembro de 2018

Cinco Mil Quilómetros por Segundo. Manuele Fior (Devir)


Como saberão os leitores deste espaço, a leitura é feita sobre livros lidos. Este é um local para leitores, não para promessas de leitores, pelo que não nos coibimos de tratar as narrativas pelos seus fins, resoluções ou enigmas desvendados. Não é que o livro de Manuele Fior se apresente como um enigma, ou algo oculto que se revele no fim, reescrevendo toda a narrativa tecida até esse momento, mas há um efeito de organização que permite criar uma história linear por sobre a história cronológica que se desenvolve por trechos isolados. Manuele Fior parte de um ponto de partida clássico, para não dizer cliché – o do triângulo amoroso – para o explodir pelo tempo, a vida real, o afastamento, formando uma pequena pérola de estrutura narrativa com os seus elementos. (Mais) 

1 de setembro de 2018

Pescadores de medianoche. Yoshihiro Tatsumi (Gallo Nero)


Entre 1972 e 1973, Tatsumi criou cem histórias curtas, oscilando entre as 15 e as 20 e poucas páginas para uma panóplia de revistas diferentes, cada qual com o seu espectro de géneros, atitudes sociais, e níveis de maturidade. Logo à partida, essa mera informação aponta para o tipo de entrega assombrosa à sua arte, impulsionada sem dúvida por uma ética e desejo artístico, mas igualmente por necessidade, como os leitores de A Drifting Life poderão facilmente contextualizar. Todavia, mais importante é parecer-nos que o autor se mantinha numa mesma veia nessas mesmas diferentes histórias, que o tornara afinal o pai da gekiga, ou uma tendência de empregar a banda desenhada num tom mais atento à realidade do Japão seu contemporâneo. Mesmo que não abandonasse algumas estruturas de géneros – o policial, a ficção científica, a narrativa histórica, o conto tradicional (estes últimos agregados num volume me inglês, Fallen Words) –, elas seriam empregues não para a titilação mais comum desse mesmo género, mas para desvendarem um desses cantos obscuros que o país, na sua senda de desenvolvimento material do pós-guerra, quereria esquecer ou pelo menos não revelar à luz do dia. (Mais) 

26 de agosto de 2018

Angola Janga, Marcelo D'Salete [no Buala]

Mais uma vez, fica aqui o aviso de uma colaboração com a plataforma Buala, desta feita com um texto sobre o magnífico e monumental Angola Janga, de Marcelo D'Salete. Corolário de um trabalho cujos primeiros frutos foram colhidos em Cumbe, este é um livro sobre os actos de resistência dos próprios escravos negros no Brasil da era colonial. A partir de perspectivas ficcionais mas que tocam uma realidade histórica, este livro é ao mesmo tempo uma celebração do indomável espírito humano e uma correcção a certos mitos da história e da identidade a que muitos leitores portugueses deveriam ser atentos.

Agradecimentos ao editor, pela oferta do livro, ao autor, pelos esclarecimentos e à equipa da Buala, por me receber uma vez mais. Link directo aqui.

20 de agosto de 2018

Álvaro. The Worst of/Balcão Trauma Redux (Escorpião Azul/Insónia)


Tal como a dois coelhos, é de uma cajadada só que se dá conta do recado a estes dois livros. A sua leitura conjunta é consentânea na descoberta dos instrumentos próprios do autor e pela força das circunstâncias editoriais. De facto, por coincidência, deu-se a proximidade da publicação de uma antologia de trabalhos primitivos de Álvaro, pela Escorpião Azul e a do conjunto total da série Balcão Trauma, pela chancela do próprio autor. Estes dois livros poderão ser vistos então como uma oportunidade única de ver os primeiros passos do autor no campo da banda desenhada e aquilo a que veio destilar nos últimos tempos. (Mais) 

16 de agosto de 2018

Cancer. Tilda Markström (Mmmnnnrrrg)


Se não estamos em erro, esta é a primeira vez que o autor por trás deste seu longo projecto heteronímico, Tiago Manuel, explora uma projecção de personalidade e autoral que já morreu. Tilda Markström é uma artista plástica sueca falecida em 2012, não nos sendo fornecida a data em que terá criado este livro. Apesar de se incluir uma brevíssima biografia na contra-capa do volume, e três excertos do seu diário dos anos 1990, quando terá regressado a Estocolmo para viver, mas revelando viagens pelo norte de Espanha, não conseguimos re-construir com precisão ou certeza que percurso terá sido o da autora até fornecer todos os materiais conducentes a este livro. Na ausência dessas informações, e aceitando com rigor a distância de um heterónimo, que não nos permitiria – nada nos permite, mas a confusão entre o nome do autor e a sua pessoa convida os mais distraídos leitores a provocar esse problema de interpretação – aproximar a obra da vida, é o texto em si, com um título tão directo, que deve ser enfrentado, sem esses instrumentos de conforto. (Mais)