8 de março de 2019

Encontros Interdisciplinares da Imagem Animada 2019.

É com imenso prazer e honra que anuncio os Encontros Interdisciplinares da Imagem Animada, a ter lugar no próximo 19 de Março, na ESEC da Universidade do Algarve. 

Trata-se de um dia de mesas-redondas, inseridas no curso de Imagem Animada, com a presença dos realizadores Pedro Brito e Filipe Abranches, e os criadores de projectos multimédia Filipe Duarte Pina e Miguel Falcato. Apesar de desenhado com o intuito de aproximar os alunos do curso de profissionais de relevo, estes encontros estarão de portas abertas a todos aqueles que queiram assistir e participar, e esperamos que seja o primeiro de futuros.

Mais informações na página da escola.

6 de março de 2019

Colaboração com a "Mundo Crítico"

Conforme havíamos informado anteriormente, quando do lançamento do 2º número da Mundo Crítico, a nossa colaboração com este título será regular.

No novo número, a curadoria da secção "Ecos Gráficos" levou ao convite à autora Dileydi Florez, que criou uma espécie de mini-diário sobre a antologia que ela própria coordenou, Nódoa Negra, publicada pela Chili Com Carne. 

É nesse sentido que o nosso artigo - intitulado "Sororidade: Ou, como caminhar ao lado de alguém" - incidiu numa breve resenha desse mesmo volume, integrando-o num contexto maior da criação de banda desenhada por autoras mulheres. Poderão aceder à revista em pdf aqui, ou directamente ao artigo aqui

20 de fevereiro de 2019

Adeus, Geraldes Lino.


É com imenso pesar e choque que fico a saber da morte do amigo Geraldes Lino. A ideia de um "amigo pela bd" poderá ser estranha, mas todos os que com ele se cruzaram sabem que estes elogios não são em vão. De uma maneira ou outra, muitos sabem que ele foi cicerone a tanta, tanta gente, fossem aspirantes a artista ou fossem intensos leitores.

Não fui amigo íntimo do Lino. É verdade. Mas muitos sabem que mesmo não sendo amigos íntimos, quando se falava com ele, era como se fosse.

Deve ter sido no final dos anos 1980 que me cruzei com o Geraldes Lino pela primeira vez, ainda eu não fizera 20 aninhos, dando-me as boas vindas a exposições no Palácio da Independência. Eu era tímido e não conhecia ninguém. Era apenas um puto que gostava de bêdê. Demoraria algum tempo a conhecer o meio. Mas sempre teve uma boa palavra, uma dica para onde encontrar coisas raras, a loja certa. Em 1994, organizou um encontro com o Will Eisner na Amadora, e entraram algumas poucas pessoas numa sala. Por alguma razão, eu sentei-me a essa mesa, mas caladinho que nem um rato.

Depois lá fui aprendendo, conhecendo pessoas, escrevendo. E o Lino sempre a apoiar, a relembrar uma referência, a partilhar um contacto. Sempre nos tratámos pela terceira pessoa. Sou de trato fácil, entro logo no “tu”. Mas com o Geraldes, havia sempre uma ideia de que era necessária deferência. Os que o conhecem sabem que é mentira, não era preciso. Mas era assim connosco. Falávamos com franqueza, por vezes combatíamos ideias distintas, mas sempre com amizade e rigor. E deu-me tanta coisa. Material, também, nas poucas vezes que fui à tertúlia, e noutras ocasiões. Mas sobretudo noutras dimensões. O que é que eu terei feito, ao longo destes anos, que não tivesse tido algum apoio, ajuda directa, um ouvido atento, no Lino? Eu digo-vos: nada. Mesmo que não falasse directamente com ele, mesmo que não tivesse oportunidade de lhe perguntar, escutava-lhe a voz roufenha, “Ó, Ó Pedro Moura, não seja assim! Já quando o vi na Bedeteca lhe tinha dito...”

O Geraldes Lino era um daqueles “leitores ideais” que estava sempre na minha mente.
Sabem que mais? Não vai deixar de o estar.

16 de fevereiro de 2019

Participação em "Todas as Palavras"


Olá a todo@s.

Serve o presente post para vos informar que esta manhã, às 10h00, na RTP3, no programa Todas as Palavras, de Inês Fonseca Santos, participarei numa curta conversa, focando-nos em Os Regressos, co-autorado com Marta Teives. Disponível posteriormente no RTP Play.
Agradecimentos à Inês Fonseca Santos, pelo convite, que muito nos honra. 

1 de fevereiro de 2019

Estamos todas bien. Ana Penyas (Salamandra)


Vivemos num tempo em que, afortunadamente, se discutem muitas questões de representação e sub-representação sócio-cultural, em todas as dimensões da esfera pública, na qual se destaca, por razões óbvias, textos de cariz artístico e produções da cultural popular. Mas se existem cada vez mais discursos permeáveis e reequilibrados em relação a toda uma série de categorias e sub-culturas, a velhice continua a ser uma espécie de tabu.

Velhos são os trapos, como se costuma dizer, e parece que passado um determinado limita, as pessoas deixam de ter préstimo, como se a acumulação das suas experiências não fossem, só por si, uma muito provável fonte frutífera de aprendizagem aos que se seguem, sejam essas experiências felizes ou infelizes, de glória ou infortúnio, boas ou más. A falta de diálogo intergeracional é, na verdade, uma das dimensões que caracteriza o ensimesmamento actual nas identidades, estas reduzidas aos seus mais superficiais traços, sem quaisquer auto-interrogações, dúvidas ou gestos de aproximação a outras esferas. (Mais)

25 de outubro de 2018

@ 29º FIBDA. 2018


Abre amanhã, dia 26 de Outubro, ao fim do dia, o 29º Festival Internacional de banda desenhada da Amadora, no Fórum Luís de Camões.

Apesar das dores de cabeça, lá acabei por participar em vários papéis:

1. Co-comissário, com Sílvia Borges da Silva, da exposição "Ano Editorial 2017-2018" (um pequeno milagre ter sido possível fazê-la)
2. Participação nas sessões de autógrafos, a propósito de Os Regressos (Polvo), do qual sou argumentista, para maravilhosa lavra gráfica de Marta Teives 
3. Participação em algumas das conversas associadas a lançamentos e/ou a presença de autores estrangeiros em Portugal.

Há muito, e pormenores, ide ver aqui.

"Ensinar a editar": 28 OUT, 18h00 @ Feira Gráfica


Estaremos presentes este Sábado, dia 28 de Outubro, pelas 18h00, na conferência "Ensinar a editar", em muito boa companhia, acção integrada na Feira Gráfica, ao mercado de Santa Clara (Feira da Ladra), em Lisboa, todo o fim-de-semana.

Antes disso, estaremos presentes na banca da Oficina do Cego, associação de que somos membros, com algumas das nossas publicações. Mas a mais a ver, ler e conversar.

Apareçam!

Programa, aqui.

9 de setembro de 2018

Livro sagrado. Santo (Edições Milagre)


Esta pequena edição de autor reúne toda uma série de histórias curtas que estão associadas entre si por uma vontade comum, a de alcançar e transformar, através de várias estratégias, um fundo dos contos e tradições folclóricas portuguesas – o que não impede de arrolar a literatura, com Alexandre Herculano, Jorge de Sena e Zeca Afonso –, com várias roupagens. Tendo acompanhado o trabalho do autor há muitos anos, desde os seus primeiros trabalhos em fanzines no final dos anos 1990, fomos acompanhando estes trabalhos à medida que foram surgindo, inclusive tendo nós próprios colaborado, tendo incluído uma das histórias (“A Dama Pé de Cabra”), em inglês e a duas cores, na nossa própria publicação Quireward. (Mais)

6 de setembro de 2018

Jardim dos Espectros. Fábio Veras (Escorpião Azul)

Há 20 anos sucedeu algo nas paragens de Núvia que amaldiçoaria os seus jardins. Um segredo, talvez, cuja insatisfatória conclusão lançaria um fel venenoso que transformaria a terra numa sombra fraca de si mesma, azedando tudo à sua volta, desde a vida dos vivos até mesmo ao descanso dos mortos. Tornando-se um famoso enigma nestas terras, Núvia parece ter passado a ser um desafio àqueles que se julgam capazes de o desvendar, aspirante a Édipo. Porém, ao contrário deste, sem ter pago o óbulo de um verdadeiro sentimento de perda e desenraizamento, terão falhado essa suposta “missão”, deixando o caminho aberto sempre para quem de direito. Este livro abre-se para o dia em que quem de direito finalmente atinge os limites dos jardins de Núvia, disposto a atravessá-los, para buscar o seu coração e, talvez, feri-lo de morte. (Mais) 

4 de setembro de 2018

Dragomante: Fogo de Dragão. Filipe Faria e Manuel Morgado (Comic Heart/G. Floy)


Há algo de libertador quando somos confrontados com um objecto cuja clareza é patente e genuína. Uma capa apelativa, clara nos seus propósitos, apresentando objectos cujo sentidos não exigem uma interpretação secundária, mas vivem quase de uma presença denotativa absoluta. Uma mulher guerreira, ostentando duas espadas longas, seguras de forma marcante, com uma armadura total e, junto a si, um imenso dragão, de dentes de diamante, ameaçando os seus inimigos fora de campo. Uma única palavra como título, concentrado e icónico, com um sub-título que pouco parece adiantar à promessa feita já por tudo o resto. Sabemos o que nos espera. Aventura de género de alta-octanagem. (Mais)