26 de maio de 2020

3 Graus de Carequice - Episódio 05: TENSÃO







Quinto episódio do pseudo-podcast de Gabriel Martins, André Oliveira e Pedro Moura. O tema, desta feita, é "TENSÃO". O livro de partida é o volume, já com algum sucesso crítico, de Nick Drnaso, "Sabrina" (Drawn and Quarterly: 2018; ed. portuguesa Porto: 2019). Um termo-chave e particularmente paradoxal neste drama contemporâneo...

Havia escrito sobre este livro aqui.

8 de maio de 2020

«Para que serve?» Conversa com Madalena Matoso e José Maria Vieira Mendes (Planeta Tangerina)



Conversa com Madalena Matoso e José Maria Vieira Mendes, em torno do livro ilustrado para a infância, e todas as pessoas, "Para que serve?" (Planeta Tangerina 2020). Baseado numa conferência de Vieira Mendes no teatro Lu.ca, "Para que serve a cultura?" e fruto de uma densa colaboração com a ilustradora, arriscamo-nos a dizer que este é um livro muito filosófico e necessário para todos nós, pois coloca-nos uma questão, a qual, menos do que saber responder, temos de saber bem perguntar.
Nota final: agradecimentos à editora, pela oferta do livro.

6 de maio de 2020

«Bestiário» #s 1 & 2.


Num momento em que a os editores, livrarias e todos os agentes associados à dita “indústria” do livro já lançam mãos de quaisquer bóias de salvamento das contínuas crises – económicas, de consumo, de confiança, educação, das plataformas digitais, alterações sociais e culturais, de sector, legislação e, mais recentemente, de saúde pública – é difícil encontrar uma solução que funcione como panaceia universal. Podemos estar no mesmo oceano de papel, mas as embarcações são bem distintas entre si, e as ondas levantam-se de maneira diferente, o marulhar afecta em variação. Uma opção, porém, se avizinha àqueles que ainda crêem no poderoso objecto que o livro é: fazê-los bem, fazê-los belos, fazê-los inteligentes. Entra a Bestiário. (Mais)

21 de abril de 2020

Tinta nos Nervos/LERBD: Apresentação da revista «Dois Pontos» # 02



Notas ?  margem mais ou menos organizadas.

9 de abril de 2020

Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem. Ana Simões e Ana Matilde Sousa. (Chili Com Carne)


Este volume encerra um multifacetado e ambicioso projecto. A sua mera descrição desencerrará alguns aspectos dessa natureza complexa. Podemos começar por descrevê-lo como sendo um “livro-companheiro” de uma exposição intitulada E3, desdobrando o mesmo título. Esta exposição teve lugar no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, celebrando o 100º aniversário de uma expedição astronómica científica, organizada pelos britânicos em 1919. Por ocasião de um eclipse solar total, dois navios partiram em direcção a Sobral, no Ceará, Brasil, e à Ilha do Príncipe, esta segunda sob o comando científico do astrónomo Arthur Eddington, então académico já bastante conceituado pelo seu labor intelectual e em prol da ciência contemporânea. O objectivo era claro: confirmar algumas das previsões centrais da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, propostas as quais haviam sido apresentadas meros anos antes. (Mais)

7 de abril de 2020

Pentângulo no. 3. AAVV (Chili Com Carne/Ar.Co)


Conforme os números anteriores desta antologia, devo começar por indicar que, de uma maneira ou outra, estamos envolvidos no seu processo de produção. Apesar de não participarmos activamente neste novo número, quer com um artigo ou uma banda desenhada, ou até mesmo com “exercícios” directos, o nosso envolvimento enquanto docentes no Ar.Co leva a que, num caso ou outro, haja um cruzamento prévio com peças de alguns dos alunos envolvidos. (Mais)

28 de fevereiro de 2020

Mar de Aral. José Carlos Fernandes e Roberto Gomes (Comic Heart/G. Floy)


Este livro é, de uma certa forma, a continuidade do plano interrompido das Black Box Stories de José Carlos Fernandes, um conjunto de histórias curtas, talvez em forma de argumento ou talvez de outline, que seriam desenhadas por uma série de artistas. A maior fortuna dessas relações foi aquela alimentada pelos desenhos de Luís Henriques, que dariam três livros bem distintos (Umbrografia, Metrópole, Estrelas). A série acabou por não ter continuação. José Carlos Fernandes abandonou o mundo da criação de banda desenhada, Luís Henriques também. Consta que existiram outras “stories” começadas, mas nenhuma viu o lume da impressão. Até este título. (Mais) 

25 de fevereiro de 2020

Filhos do Rato. Luís Zhang e Fábio Veras (Comic Heart/G. Floy)


À medida que o tempo avançar e a esmagadora maioria dos protagonistas da guerra colonial começarem a deixar este mundo, o processo da sua memória vai dando cada vez mais frutos, e poderá mesmo chegar ao espaço público. É algo que se tem verificado, como um padrão, noutras circunstâncias históricas. Se quase se pode falar de um “pacto de silêncio” feito por essa geração em relação àquela que imediatamente gerou, o tempo aproxima-se em que também os objectos da cultura popular – no caso, a banda desenhada -, começará a responder. Não vamos fazer aqui o enésimo exercício de listar os trabalhos desta disciplina que versaram este conflito. Nos últimos anos, OsVampiros teve algum impacto, se bem que escolheu um caminho da narrativa de género; Filhos do Rato afasta-se dessa abordagem mais espectacularizante, validando porém elementos fantásticos. (Mais) 

3 de fevereiro de 2020

Maximum Troll On. Benjamin Bergman (Mmmnnnrrrg)


A convergência da cada vez mais forte da capitalização de tudo, inclusive as culturas populares, que inclui as sub-cultura infanto-juvenil, geek, e high fantasy, e os modos como criam zonas de intersecção, levam a que seja sempre particularmente complicado conseguir escapar a certas fórmulas e tropos associados a géneros determinados. Este minúsculo livro, que junta quatro aventuras de dois aparentes cavaleiros de ar medieval, e cuja continuidade entre si é discutível mas uma clara possibilidade, cria elos mais o que óbvios com sagas como O Senhor dos anéis, e todos os textos derivados, da obra de R. E. Howard (Conan e Kull) e, mais recente, A Guerra dos Tronos

Porém, o autor está menos interessado em criar uma variação sobre esses temas, ainda assim contribuindo para esse edifício, no típico exercício de “resposta literária” que constitui os próprios campos temáticos, do que transformá-lo num quase independente exercício de retórica livre, experimental e alucinada. (Mais)

20 de janeiro de 2020

Toutinegra. André Oliveira e Bernardo Majer (Polvo)

A noção da é profundamente distinta da do conhecimento. A oposição pistis e gnosis é um pilar histórico no crescimento da filosofia da igreja cristã, e se ambos os conceitos indicam uma aceitação de ua lição como verdadeira, os modos de aceder a essa verdade são diferentes, distinguindo-se uma dimensão emotiva de uma outra racional. 


A razão pela qual arrolamos essa discussão filosófica, ainda que não a aprofundemos, é porque nos parece estar subjacente, de forma inconsciente, na matéria debatida pela intriga de Toutinegra, o mais recente livro escrito por André Oliveira, desenhado por Bernado Majer. Penso que não será ofensivo para com o artista assumir que este é um volume que à continuidade a muitas das preocupações e assinaturas temáticas de Oliveira, mas que queiramos acreditar que existirá aqui frutos de discussões entre os dois autores e contrintuso equilibrados. Um dos recorrentes temas do argumentista é a importância da dinâmica familiar, seja esta composta por que elementos forem. E é quando essa unidade social se rompe, está à beira da ruptura ou numa tensão significativa, que as suas narrativas se tecem. Oliveira encontra aqui uma maneira naturalista de escrever os diálogos, que com pouco caracterizam de forma magistral as relações entre as personagens e as suas inscrições sociais. (Mais)