28 de novembro de 2008

A Metrópole Feérica. José Carlos Fernandes e Luís Henriques (Tinta da China)

A escrita, num projecto ilustrado (espectro no qual uma das secções é a banda desenhada), não pode ser considerada de modo isolado, mas sim na constituição de um texto final. Nos seis contos que compõem este livro não se nota qualquer divórcio entre uma dimensão e outra. No entanto, quando apreciamos uma dada obra de arte, não o fazemos num vazio, num vácuo existencial. Fazemo-lo num quadro de referências determinado, sendo um deles a associação à obra anterior de um (ou dos) autor(es).
A fórmula, se nos for permitida esta expressão, é idêntica àquela lançada com o primeiro volume das Black Box Stories, cujo primeiro e único volume existente até à data é Tratado de Umbrografia, cuja expressão gráfica foi também coordenada com Luís Henriques (mas outros se prometem, esperamos). Da produção imensa de ideias, situações, e micro-narrativas de Fernandes, abriu-se a possibilidade de as ver concretizadas e de ganharem corpo, através do trabalho de outros autores, mas ao mesmo tempo de tornar possíveis outras dimensões, novos corpos, portanto, com essas mesmas prestações. Os desenhos e estruturações de José Carlos Fernandes atingem uma característica muito própria, excelentemente adaptada ao domínio do absurdo, a uma ironia tétrica, mas os desenhos de Henriques permitem um outro tipo de respiração. De certa forma, poderemos considerar o primeiro volume de Terra Incógnita como a continuidade desse outro projecto, parte da obra contínua e a longo prazo de Fernandes (por ser um programa, diferentemente do que diz respeito a Luís Henriques).
O lugar em que A Metrópole Feérica se inscreve é muito claro. As mais das vezes se escreve sobre a cultura que emana da obra de José Carlos Fernandes, o que não deixando de ser verdade é nítido demais: os jogos são claros, o objectivo não é a construção de uma rede densa de referências, mas sim de um baralhar irónico delas mesmas, provocando um tipo de humor a que nos temos vindo a habituar: a criptogeografia é uma tradição literária explorada por toda a literatura utópica, de Swift a Swedenborg, de Calvino a Milorad Pavic, mas também pelo universo da ilustração, pela óbvia dupla de Peeters e Schuiten, mas cujo objecto mais acabado se encontrará possivelmente no Codex Seraphinus, de Lugi Serafini. A divisão dos relatos em cidades e terras imaginárias, e a inclusão de um pseudo-mapa na folha de rosto, e ainda a indicação de “vol. 1 promete desde logo novas explorações deste globo, mas as histórias revelam ser – exercícios típicos de José Carlos Fernandes – a exploração até às últimas consequências de desejos já expressos no nosso mundo: programas políticos (o comunismo ou o funcionalismo público pidesco-burocrático, com Trabântia), desejos psicológicos (o desejo de se ser ouvido e compreendido, com Babel), a violenta divisão do mundo dos que são apenas “ter”, cegos às suas implicações (Manata), a obrigatoriedade social de nos pautarmos por jogos de máscaras, papéis sociais e modos discursivos previstos (Fílon).
Não se terei o direito de falar de fragilidades, ou sequer de me arrogar do poder de ter expectativas quanto a terceiros – um crítico não trabalha sobre o eventual, nem sobre desejos, mas sobre o concreto, a obra existente que tem em mãos -, mas sinto em A Metrópole Feérica um abandono maior a toda uma série de jogos banais e clichés que não torna o livro particularmente desenvolvido. Também não há nenhuma possibilidade de falar de um livro desta natureza como de duas metades independentes: a escrita apenas existe no seio de uma narrativa transportadas pelas imagens, e estas apenas se coordenam de acordo com o fio narrativo imposto. No entanto, a panóplia de referências, as citações tornadas matéria estruturante e risível, a estranheza das transformações, umas mais óbvias que outras, são totalmente da lavra de Fernandes, e a sua tradução visual pertencerá a Luís Henriques, se bem que existirá um relacionamento interventivo mútuo.
Se há uma capacidade poética em despertar reescritas totais de vida na cidade de Khamsin, onde a mudança de chapéus leva a alterações de personalidade, de desejos, de direcções dos seus habitantes, e em provocar uma neblina melancólica na de Tangaroa, onde a inércia de um homem o faz formar fantasmas que nunca entenderemos decidir se reais ou não, Babel cai numa mera anedota sem grande profundeza, Trabântia e Manata arrastam-se numa banal crítica datada, Fílon é tão linear que com surpresa e desequilíbrio chegamos ao seu fim.
No entanto, o abandono aos clichés será mesmo o propósito de A Metrópole Feérica, querendo com eles construir um comentário a essas mesmas ideias. O rol de personagens queixosas na torre de Babel acumula-se até ao ponto de se tornar de facto irritante, e fazemos nossos os ouvidos de Deus, a rápida derrocada de Fílon é abrupta pois o choque e a obrigatoriedade que representa o estarmos perante nós mesmos não poderia ter outra forma, o quase distraído tom com que saímos de Khamsin está em consonância com o que ocorre a cada um dos habitantes da cidade ventosa, e as respectivas hecatombes de Manata e Trabântia impedem qualquer tipo de continuidade... A dimensão gráfica espelha ponto por ponto estas vontades narrativas, ou melhor, veicula-as, torna-as mais transparentes. Sobre a capacidade inventiva de Henriques já se disse muito, a sua competência, adaptação, multiplicidade, mas isso deverá constituir menos surpresa do que um entendimento maior pelo respeito por aquilo a que um texto obriga: títeres sem preenchimento para Fílon, rápidas tramas para Khamsin, intervenções de grafismo barato e colorido para Manata, opressivas manchas descoradas para Trabântia (com a única excepção da intervenção da cor que pode ser entendida tanto como símbolo ubíquo do regime, ponto nevrálgico do policiamento de Estado ou promessa de derrocada), uma pastosa neblina para Tangaroa, e uma perra estruturação, com figuras distribuídas à laia de antiga linguagem hieroglífica e monumental para Babel.
Nesta esfera do elemento que transporta a história, que lhe dá contornos, e como disse Sara Figueiredo Costa, no seu artigo do Expresso, não se trata nem de “virtuosismo gratuito” nem de “espalhafato visual”, mas sim de uma procura, e efectivo encontro, do melhor equilíbrio e modo de expressar o sentido profundo e matérico destas histórias. O que as torna então um veículo exacto para as mesmas, fazendo sublinhar o seu valor de breve apontamento do ridículo de todas e quaisquer utopias. Na última das histórias cita-se Cioran, autor conhecido pela sua apresentação da noção de utopia enquanto modelo de sociedade necessariamente paradoxal; em História e Utopia o filósofo fala algures de “infernos abstractos”. Devemos perseguir e criar estas ideias, estabelecermos os nossos futuros nelas, mas ter cuidado para não as concretizar finalmente. Ou nascerão estes infernos, explorados sem cerimónia e compaixão pelo livro presente.
Pequena nota externa à obra: estes livros provocam sempre celeumas, mais devedoras de defesas e ataques que se prendem com outros aspectos externos à obra do que da sua intrínseca vida. Comparar este livro com os restantes não faz grande sentido, uma vez que habitamos num país que nunca repôs uma ideia verdadeiramente desenvolvida de um mercado de banda desenhada. E há espaço suficiente para muitas experiências, tal como a carreira do próprio Luís Henriques tem demonstrado, mais interessado nas potencialidades que a criação de imagens tem (em ilustração infantil, poética, de banda desenhada, mais comercial ou mais independente, ou assim ou assado) do que na inscrição num qualquer nicho. Por outro lado, não há que atirar fora o bebé com a água do banho... José Carlos Fernandes tem tido a sorte, que se deve ao seu talento (mais desenvolto no lado da escrita), de ter sido editado e de ter encontrado espaços suficientemente amplos e visíveis para expor a sua obra. Essa circunstância não o torna “o melhor”, nem “o mais produtivo”, mas sim aquele que é mais visível. No entanto, esse papel ocupado torna-o alvo de críticas de circunstância que mais revelam do quadro social dos nossos editores do que do valor intrínseco de terceiros. Num mundo editorial onde a segurança e o lucro rápido reinam, as apostas devem e são feitas usualmente em programas ganhos à partida, no interior de uma rede de conhecimentos e influências mútuas. Acusar Fernandes de se encontrar numa dessas redes é não só irrelevante como é ofensivo implicá-lo numa crítica que se deseja séria. Fernandes não está sozinho, de modo algum, no panorama da banda desenhada portuguesa, e dizê-lo desse modo não revela apenas ignorância, mas interesses secundários. Que é um autor incontornável, não há dúvida, nem de que estabeleceu uma voz autoral forte, reconhecível e apreciada por um grande grupo de pessoas, muito diversas e com diferentes graus de entrega ao universo da banda desenhada. não há que torná-lo representativo senão dele mesmo enquanto autor, nem para o bem nem para o mal, nem para encómios bacocos e repetitivos nem para diatribes ao mundo.
Como disse atrás, não tenho qualquer direito a exercer uma preferência ou um desejo sobre o trabalho dos outros. Confesso que gostaria de encontrar em Fernandes um passo diferente, de maior fôlego, de uma estruturação diferente de imaginários diferentes, um outro tom. Há um lado que aprecia as micro-narrativas do absurdo ou do paradoxal, que procura autores como Slawomir Mrozek, Alan Lightman, Italo Calvino, António Pocinho, Mário Henrique-Leiria; mas há outro que gostaria de descobrir outros filões na sua escrita. Para que não ocorra o fenómeno, real e nocivo, da autofagia e da auto-epigonia.
Nota: agradecimentos à editora, pela oferta do livro, e à Sara Figueiredo Costa, pelas notas.

17 comentários:

teresa disse...

uma nota para a nota de rodapé
a "sorte" do jose carlos fernandes chama-se trabalho, trabalhou q.b. e se teve sorte ,foi a de emergir antes de existir a bedeteca ,onde só conseguem visibilidade os artistas escolhidos por alguem que por acaso até é o pior autor de bd de portugal e que é lá funcionário dessa instituicäo dedicada a bd, mas que nos seus tempos livres vai insultar os autores portugueses de bd para o seu blog(eu tb fui uma das visadas e bloqueou-me o direito de resposta)
o funcionário da bedeteca que mais parece o director oculto de täo apagada que é a directora ,se o livro fosse editado hoje o jose carlos fernandes näo teria a minima hipótese porque é ,nas palavras do dito funcionario que insulta autores nos tempos livres é um salazarento (esta é forte),um provinciano , um name droping,um pseudo culto etc etc ...

notem bem que esta ideia näo é minha, mas imaginem como seria se os directores ou directoras de institutos ligados às artes fossem para os seus blogs dizer que toda a arquitectura portuguesa é uma merda todo o cinema toda a literatura? näo seria admissível.

mas como a bd nao é tomada a sério,e a única instituicäo ligada a ela está nas maos de um comerciante de bd
é possivel se bem que pouco ético ser-se simultaneamente funcionário, divulgador, editor ,vendedor de bd tudo isto numa instituicäo ligada ....à bd
a presente nota tem a ver com as dificuldades de se passar do amadorismo para a profissionalizacao ,das necessidades reais dos autores ,eu como muitos outros näo queremos tanto ouvir falar de livros
nós queriamos mais faze-los distribui-los ,divulgá-los ,o que a bd aqui e agora (portugal sec 21) precisa nao é de belas criticas mas de estruturas e a bedeteca errou forte com essa insistencia da bd alternativa , que só podia dar no bueiro que deu...porque , sendo eu uma autora e fanzinista do submundo dito alternativo sei há muito tempo, que gente como eu só sobrevive ,quando existe um mercado bem vivo de bd comercial (comercial näo é oposto a qualitativo)
e é por isso que se chama alternativa à bd nao comercial ... e por este andar näo só jose carlos fernandes é único como provávelmente será o último ...
falta acrescentar que muitos dos autores se ficaram pelo caminho , eu já cá estou a fazer bd há 32 anos ,alguem notou? eu näo

teresa disse...

correcäo(esta trapalhice )
onde se le editado na 14 linha
ler"divulgado-por- mao -própria", o que quer dizer se o autor nao estivesse já nos circuitos livreiros...nao teria a minima hipotese etc etc

Pedro Moura disse...

Cara Teresa,
os teus comentários são bem-vindos, e o novo Gambuzine está sob escuta/visão/leitura, mas gostaria de deixar claro:
1. Não me quero meter em discussões pessoais, nas quais não tenho papel algum (nem sequer de espectador, por favor);
2. Em nenhum momento fiz passar que o talento e o esforço do José Carlos Fernandes não merece a atenção que tem; bem pelo contrário, o mérito é dele e é por isso que julgo ser importante sublinhá-lo e não permitir que a obra dele seja assaltada para outro tipo de discursos, que não me interessam;
3. É muito provável que não seja de "belas críticas" que a banda desenhada portuguesa precisa, mas a. não me arrogo de escrever "belas" críticas, b. que eu saiba o lerbd não é de leitura obrigatória pelo Ministério do Dia-a-dia; c. nem só de pão vive o homem, e eu só posso contribuir com margarina (sem sal).
Um bem-haja a todos os leitores, e aos autores e a Nossa Sra. da Paciência-Bedéfila...
Pedro

Anónimo disse...

Marcos Farrajota não passa de um ser mediocre à frente de uma instituição como a Bedeteca. Traz cá os autores que satisfazem o seu umbigo e corre olimpicamente com outros. Não admira que sejamos o país mais sul-americano da Europa: a nossa Bedeteca está nas mãos de um punk besunta.

teresa disse...

olá pedro, aqui a questäo näo é pessoal , porque se torna colectiva quanto existem mais que uma pessoa com as mesmas conclusöes, a tua critica näo está em causa ,mas eu acho que o josé carlos fernandes até tem mais azar que sorte , porque se ele tivesse nascido noutro pais (etc etc etc sabes o que isto quer dizer)
aqui a bd tende a desaparecer pouco ou nada se edita ... a más politicas juntam-se parcas estruturas e como se näo bastasse há mais mais competicäo que cooperacäo,se o pouco que existe näo serve para todos ,entäo que mude ou que morra..tenho pensado bastante naquilo que näo funciona,bem sei que o teu trabalho é falar de livros ,mas näo te parece estranho que paises bem mais pequenos que portugal tenham o triplo da producäo local?que grande parte dos autores de bd dos anos 90 em portugal tenham desaparecido?alguns bastante únicos aqui ou em qualquer parte do mundo?e muitos dos artistas de que que hoje se fala daqui a 5 anos só o geraldes lino se lembrará deles?e tudo porque näo há condicöes? e porque é que näo há condicöes?nao achas estranho que só haja 2 festivais de bd?, um é surdo mudo aos interesses dos mais jovens e o outro näo se interessa minimamente pela parte comercial?acho que ha autores suficientes para encher e vender livros , acredita em mim; em toda a europa a bd saiu do estatuto de literatura trivial e entrou nas galerias de arte,teve uma grande vaga de novos criticos (assim como tu )todas as bds tiveram um boomm ,em toda a europa se editou mangá (de la e do japäo) e montes de livros alternativos daqueles que só se vendem às mijinhas)por isso ...
st paciencia uma merda, eu ja näo tenho paciencia é para ver tanta inercia podre porque isso me impede a mim e a muitos de sonhar com um futuro bdsista em portugal ...só contam os factos o resto como sabes bem é verborreia

Isabelinho disse...

Peço desde já desculpa ao Pedro Moura por me estar a meter onde não sou chamado e também não me quero meter na polémica entre a Teresa e o Marcos, mas não me posso calar perante o espectáculo nojento dum cobardolas anónimo a insultar terceiros. Realmente, há gentinha com muito má formação...

teresa disse...

sim ,tambem näo acho bem que as pessoas näo assumam o que pensam e quem tem algo a defender por favor que se exponha , cobardias näo , ...e isto näo é uma polémica entre o marcos e a teresa é a perpétuacäo de más politicas em relacäo a bd e nesse campo a bedeteca tem uma grossa fatia de culpa

Pedro Moura disse...

Uma vez que não impeço quaisquer comentários neste espaço, apenas agradecia que não o utilizassem para insultos, a menos que me sejam dirigidos (e terão amplas razões para tal, e eu cá me defenderei como posso). Além do mais, assinar o que se pretende dizer é também sinal de hombridade.
Não posso responder cabalmente às questões levantadas, pois falta espaço e argumentação. Como saberão muitos de vocês, tenho o prazer e a honra de participar com alguns dos certames e festivais do nosso país, cada um deles com as suas forças e as suas fraquezas. É verdade que o nosso mercado moderno não existe, mas a verdade é que se muitos desistem (e têm todo o direito de o fazer, ainda que nos deixem mais pobres), muitos outros insistem, como bem podem. As dicotomias comercial/alternativo não fazem muito sentido em Portugal, e encontro qualidades e defeitos dos dois lados dessa barricada virtual. Não tomo partido de nenhuma delas... O meu único contributo é escrever, à minha maneira, pouco dada às massas, sobre tudo aquilo a que tenho acesso e que me garante algum prazer ou me faz pensar. Se por alguma razão é uma obra que me diz pouco ou que me desagrada, aprendi há muito que o silêncio é a melhor solução.
Enquanto professor, falo de todos os autores e mais um par de botas. Tento com que haja acesso a toda a informação e soluções, que se garanta a memória (mais recuada ou mais recente) e que se tenha atenção à contemporaneidade. É um esforço, mas vale a pena. O "lá fora" não é tão diferente do de Portugal, e não vale a pena olhar para os "grandes países", porque em termos de serviços hospitalares, transportes públicos e ensino, nesse "lá fora" também é melhor; há outros "lá foras" piores. Mas interessa essa comparação?
Eu sou daqueles que acredita que a existência de uma camada de produção comercial poderia ser um garante de outras soluções de visibilidade para autores mais fora de um circuito normal, mas posso estar enganado. Julgo que em Portugal o factor de edição é sobretudo o medo, ou melhor, a medriquice, aliada depois a péssimas estratégias de divulgação, precisamente porque se deseja agradar a gregos e troianos (a dita comunidade bedéfila, que é tão esdrúxula quanto uma cáfila), no momento em que digladiam às portas de Tróia. Mas existem os persas e os hititas, os quais provavelmente muito apreciariam aprender os círculos de qualidade da banda desenhada que por cá temos...
A atribuição de culpas é também um exercício curioso, mas ao fim do dia deixa um travo amargo na boca. Nele não participarei, até porque cheguei faz pouco ao cais. Mas importa trabalhar para que as coisas melhorem, mesmo que não melhorem...

teresa disse...

sabes pedro eu acho que em portugal a questäo comercial alternativa faz todo o sentido e até mais do que nos outros sitios que eu conheco + ou-,e apenas por uma razäo ,säo inúmeros os mais jovens que fazem bd mais americanizada, e mangá ou até hibridos das duas (tipo "brk" um exemplo de bd que eu acho ter potencial comercial)
há anos que gente muito nova me enviava bd deste genero...feita à semelhanca das bds que consumiam, e eu que edito no meu modesto zine de bd alternativa e näo classificável,näo tinha espaco para eles (nem gosto por aquele tipo de trabalho,mas era bom )
para 1 alternativo vinham 20 dos outros, na altura mandava-os para a bedeteca ...
sendo a bd acima de tudo uma arte popular,näo me parece justo aniquilar o gosto dos outros por gostos ou motivos pessoais .ir atrás de "uma certa bd "é algo que devia ser exclusivo dos zines e das editoras. uma instituicäo tem de responder às necessidades dos interessados,certo que deve ter critérios de qualidade,mas näo pode de forma alguma ser de tal maneira elitista que a maioria esbarra com o nariz na porta, tem a biblioteca, mas säo poucos os que disfrutam da bedeteca como artistas e isso näo está certo, porque (creio eu )é o contribuinte que paga.mando para lá os zines (os utentes näo tem culpa ,quero que as coisas que edito sejam lidas)e näo preciso da bedeteca , mas aqeles putos que enviavam coisas muito boas para o gambuzine precisam ,já devem ter hoje 20 e tal e provávelmente já desistiram da bd
bd comercial vs alternativa faz todo o sentido
aliás os números dizem que bd se vende, näo é só em portugal em todo o mundo o publico da bd é conservador, quer os balöes,os quadrados ,os herois e os anti- -herois)se se insistir que só a bd alternativa é que é boa , se näo se editar boa bd que se venda ficamos como estamos, porque foi assim que cá chegamos ...
quantas pessoas conheces que vivam da bd?quantas conheces que já desistiram?
é que a bd dá muito trabalho, tem que ser(apesar da arte)uma profissäo ...séria, até já tem uma instituicäo,só falta investir nas ideias certas porque ver bd moribunda é deprimente

Miguel Moreira disse...

Outra nota: é claro que, se uma ou outra entidade oficial passa a ideia de que o produto cultural que defende não tem praticamente valor (ah, o Mike Diana!, e há quem diga mal do "Akira"), a coisa só pode ser má para todos.
Mas quanto ao caso específico da B.D., quer-me parecer que as dificuldades passam antes por uma confusão que ironicamente (para mim) é resumida no início desta "leitura" do senhor Pedro Moura: «A escrita num projecto ilustrado (espectro no qual uma das secções é a banda desenhada)...» - afirmação lógica, bem sei, com que não concordo nada. A meu ver é a B.D. que veio "ilustrar" a relação entre texto e imagem, não sendo portanto uma secção dessa área (pelo contrário).
Uma "prova" do que afirmo? Não é necessário. Basta ver que é a B.D. que leva o sr. Moura a falar de texto e imagem, realçando a especificidade do meio.
Quanto às vantagens e desvantagens do anonimato, convém saber neste caso quem é que está a ser insultado: o M.F. ou os punks sebentos...

Miguel Moreira disse...

(Continuação:) Esqueci-me de mencionar a comparação deselegante entre Europa e América do Sul...

Isabelinho disse...

Miguel Moreira: que há vantagens no anonimato, independentemente de quem se insulta, parece-me mais do que óbvio. Podem-se dizer as maiores barbaridades sem assumir nenhuma responsabilidade. É uma atitude cobardolas e infantilóide, ponto final.

teresa disse...

é assim mesmo,
dar a cara ,alguem duvida que isto é uma républica das bananas?quem me dera que a bedeteca tivesse um anarco-punk à frente sempre era uma garantia de honestidade de anti- autoritarismo näo monopolista e de solidariedade bedéfila

Miguel Moreira disse...

Isabelinho: há vantagens no anonimato quando não é usado para insultar alguém. Pode até, e nesse sentido é que é legitimado, servir para proteger alguém: às vezes o próprio ou outrem. É este o caso?...
Eu não penso que estejamos numa República das bananas: esta é a República do Baygon.

teresa disse...

baygon näo pode ser porque a desratizacäo näo funciona

Miguel Moreira disse...

Desta vez sou eu que peço desculpas ao sr. Pedro Moura por estar a fazer dele um espectador.

Anónimo disse...

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