27 de junho de 2005

Obras-Primas da BD Disney # 5. Carl Barks (Edimpresa)


É uma felicidade, para nós leitores, habitarmos um tempo em que se pode de facto atribuir a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, mas mesmo assim ver que quando César usa territórios de Deus, os pode e sabe mesmo ultrapassar. Quantos de nós não terá lido histórias de Barks sem saber da sua existência? As personagens simplesmente existiam e surgiam deus ex machina a cada livro. Mas mesmo assim a memória é selectiva e respeita as forças que apenas autores como Barks – apesar de existirem outros – eram capazes de manter. Talvez sejam jogos falsos, mas as histórias de que mais me lembro das revistas Disney lidas em criança eram as que se confirmaria serem de Barks: usualmente longas aventuras com toda a família do Donald por terras inusitadas e sempre com uma moral reconfortante na alma humana (ou de pato?), sem ser primário... Haveria tanto que discutir sobre Barks que é assustador. Trabalhando no interior de tantas limitações, foi capaz de criar uma obra que ultrapassa o escopo que lhe fora prometido à partida. É impossível reduzir as suas histórias aos comercialismos ou às estratégias acéfalas e quase odiosas da Disney. Não, Barks não é capitalista, não, Barks não é moralista, não, Barks não é maniqueísta. Barks é, em toda a acepção luminosa da palavra, um autor. Desde que foi possível identificar a autoria de cada história, a Edimpress tem feito esse impecável trabalho em Portugal. E as cerejas desse esforço estão nesta colecção, que já passou por Don Rosa e promete completar a obra de Barks nos próximos anos (veja-se a entrevista a Paulo Ferreira, seu editor, no BDJornal # 2). Os textos que acompanham cada edição oscilam entre dados biográficos, informações sobre as histórias, e outras variedades, o que apenas corresponde ao que de melhor se pode fazer a publicações deste tipo. Nada displicente para quem deseja coleccionar, (re)ler, aprender. E Barks é um autor que desafia qualquer leitura primeira que se possa fazer. E segunda, e terceira... Posted by Hello

2 comentários:

ena disse...

Pessoalmente, considero a edição brasileira da mesma obra superior. Esta tem a vantagem de estar na nossa norma da língua portuguesa. Fico sempre contente quando vejo referências à entrevista que fiz ao editor da Edimpresa nos locais mais inesperados. Trabalho recompensado ;)

Flashfinger disse...

Pois, infelizmente não conheço a edição brasileira, e tampouco a americana, naqueles suculentos volumes enormes e verdes que trazem dores de cabeça ao Joe Matt... Por isso, não faço comparações. Preferiria que existissem edições com melhor papel, encadernação, outro ritmo de publicação, etc., mas julgo que se faz o que se pode... A entrevista é clara nesse ponto, diga-se de passagem.