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29 de setembro de 2019

O leite da via láctea. Manuel Zimbro (Sistema Solar)

Por ocasião da exposição história secreta da aviação e alguns meteoritos, na galeria Quadruma maior retrospectiva alguma vez feita da obra de desenho, pintura, esculturas e instalações de Manuel Zimbro (1944-2003), a editora Sistema Solar - continuação da “verdadeira” Assírio & Alvim após a sua absorção pela Porto, e que havia mantido uma relação íntima com o artista enquanto divulgadora dos seus trabalhos quer enquanto espaço expositivo quer enquanto plataforma editorial incontornável - publicou este volume. Le lait de la voie lactée é um fac-símile, “warts and all”, de um projecto de álbum de banda desenhada que o autor terá criado “no início dos anos 80, quando Manuel Zimbro habitava em Paris”, lemos numa nota no final.  (Mais)

15 de março de 2018

Livro das imagens. Sei Miguel (O Homem do Saco/Marmita de Gigante)


É por vezes difícil, se não impossível, lermos, vermos, interpretarmos e pronunciar um juízo de valor sobre uma determinada obra nova sem recorrermos a elementos que lhe são extrínsecos. As mais das vezes, isso prende-se a questões de biografia, círculo social ou outra actividade profissional, pública ou artística que o autor ou autora exerçam e que parecem fazer pressão sobre aquelas que se nos apresentam no momento. É isso o que sucede quando se procuram “traços” de arquitectura em desenhistas que têm formação de arquitecto (e tão distintos como Richard Câmara, Francisco Sousa Lobo, Pedro Burgos, Ana Cortesão, André Pereira), ou se pretendem compreender como actividades musicais podem informar a prática da banda desenhada (Carlos Zíngaro, Ilan Manouach, Brian Chippendale, André Coelho). Quase sempre esse exercício é supérfluo e inválido, uma vez que providencia mais com elementos de cegueira e limitação do que um caminho para cumprir uma melhor leitura crítica. (Mais)

14 de março de 2018

Fearless Colors. Samplerman (Mmmnnnrrrg et al.)


Na contracapa deste volume antológico, que colecciona grande parte da produção do autor francês nesta sua vertente de bandas não desenhadas mas coladas, encontramos uma mulher, numa espécie de função de Atlas, a segurar um globo terrestre. Calcorreando a sua circunferência, encontramos várias personagens retiradas de variados territórios da banda desenhada, que apesar de se encontrarem num putativo intervalo limitado – diríamos a banda desenhada de género(s) e comercial das décadas de 1930 a 1950, sobretudo americana –, representariam vários registos: a aventura, o policial, a comédia, o biográfico-histórico, o fantástico, etc. Há femme fatales, um vilão, um hillbilly, um cientista ao microscópio, bebés nadadores, uma tribo de mulheres-gato, a mão de um pescador, uma pomba e uma manivela. Talvez estas personagens avulsas e diversas não tenham aqui um valor narrativo propriamente dito, mas em relação à expressão feliz e celebratória da cariátide do mundo poderão cumprir o papel de signos de um arquivo maior: aquele que está disponível e é empregue pelo artista, para a sua prática transformativa e criativa. (Mais)

1 de julho de 2017

Vies de Marko Turunen. Marko Turunen, com Tea Tauriainen (Frémok)

Por várias ocasiões, falámos aqui dos territórios movediços e ambivalentes da autobiografia, a auto-ficção, a auto-fantasia, e outros descritivos que tanto assinalam como ofuscam o acto de recontar a sua própria vida sob uma forma qualquer artística, seja a literária, a cinematográfica, a teatral, as das artes visuais ou a da banda desenhada. Cada acto, na verdade, tem sempre os seus próprios contornos, pequenas redistribuições dos elementos expectáveis ou familiares, cada gesto as suas próprias contribuições únicas e aproveitamentos de semelhanças com outros textos. E, assim, ao pensarmos em constelações variadas que abarquem Miné Okubo, Justin Green, Aline Kominsky, Guido Buzzelli, David B., Emmanuel Guibert e as suas fontes, Ana Cortesão, Marco Mendes, Francisco Sousa Lobo, vamos encontrando uma mancha tão informe quanto expansiva quanto ainda complexa e numa mutação constante. Que pensar do último projecto do autor finlandês Marko Turunen? (Mais)

30 de abril de 2017

RIP. François Henninger (auto-edição)

A presença da colagem como um dos possíveis instrumentos da banda desenhada não é de forma alguma uma novidade. Num artigo presentemente no prelo, num livro colectivo dedicado à abstração em banda desenhada, regressámos ao livro 978 de Pascal Matthey e à obra de diceindustries para tentar compreender não apenas esta “tendência” como também quais os contornos precisos da técnica e as suas potencialidades expressivas, políticas e de representação. Se podemos falar de Jack Kirby num campo estrito da banda desenhada, também poderíamos arrolar Max Ernst, Jess e Cátia Serrão em práticas mais expandidas e contaminadas da banda desenhada ou nas suas margens confundidas com as artes visuais. O alcance deste pequeno zine de François Henninger – com que nos havíamos cruzado em algumas publicações alternativas, e de quem lêramos Lutte des corps et chutes de classes – leva muitas das revisitações do material mortificado pela tesoura a atingir paroxismos maximais, que poderão devolver alguma urgência à banda desenhada que serviu de “matéria-prima”. (Mais) 

27 de abril de 2017

Três títulos da Avery Hill. AAVV.


Três passeios por paisagens inconstantes. A Avery Hill é uma recente e pequena editora londrina que parece disposta a fazer apostas numa certa diversidade de linguagens da banda desenhada, que tanto poderá compreender gestos algo experimentais como outras abordagens mais convencionais, mas ainda assim informadas por sensibilidades e estilos contemporâneos, abertos a um diálogo entre vários géneros, e sempre sob o signo da tranquilidade. Dos que nos foi dado a ler, vimos precisamente como constante a exploração dos mais distintos mundos ficcionais, que podem compreender a ficção científica, a fantasia, o fantástico, o mundano e até o horror, mas sempre numa pausada e certeira caminhada. Os três livros que trazemos aqui à colação, de uma forma ou outra, dão-nos a impressão de estarem unidos por “passeios” idênticos, sejam eles mais próximos da ficção ou da autobiografia, e procurando vários graus de experimentação gráfica, narrativa ou de composição. (Mais) 

15 de abril de 2017

Gaïa. Thierry Cheyrol (La Cinquième Couche)

Se tivermos em conta alguns dos exemplos incluídos em Abstract Comics, e experiências quer narrativas como algumas das peças incluídas em A Graphic  Cosmogony ou mais experimentais como 978, apercebermo-nos-emos de que tem surgido uma espécie de tendência em explorar formas de representação das transformações e devires em tempos dilatados, através das potencialidades expressivas da banda desenhada, para criar quadros de compreensão à escala humana. Noutras palavras, transformar a banda desenhada numa espécie de filtro, gráfico neste caso, que permita “dar a ver” fenómenos usualmente for do campo da visibilidade ou experiência humanas, de uma forma a poder criar um qualquer grau de relacionabilidade. (Mais) 

31 de março de 2017

Comic Strip. Gerhard Richter (Walther König)

Apesar deste não ser um espaço de novidades, gostamos, dentro da medida do possível, de ir seguindo o ritmo das publicações mais recentes, alimentando uma atenção particular para com as novas tendências das linguagens que nos interessam. Este livro foi publicado em 2014, mas tendo-nos escapado entretanto, e graças à chamada de atenção de Domingos Isabelinho, esta é uma daquelas oportunidades em que o “atraso” se justifica mais que o silêncio. Até porque a importância e valor deste livro vem contribuir para os temas e questões que mais têm alimentado o nosso trabalho pessoal, pesquisas académicas e preocupações docentes: a linha diáfana entre os ditos “mundo da arte” e a “banda desenhada”, e a maneira como as respirações de um a outra são bem mais complexas do que usualmente se retrata e, mesmo ao contrário da vontade e opinião dos guardiões das fronteiras estéticas, a transmissão e influência é bem mais dual e completa do que se costuma mostrar. (Mais)

23 de fevereiro de 2017

Sutrama. Daniel Lima (kuš!)

Uma das formas de respondermos a este livro seria analisar quais são os pontos de desenvolvimento aproveitados por Daniel Lima no seu próprio diálogo com o filme de Robert Bresson, Le diable probablement (1977), do qual aproveitou algumas cenas para a construção deste diálogo entre duas personagens que preenchem as páginas. Uma pesquisa que superficialmente parece ser a de um suicido ou assassinato banal (?) desemboca numa análise lenta, dura e pesada sobre o estado de espírito de uma sociedade desencantada, o que poderia servir de, talvez, descrição de toda a cinematografia (ou será antes a de uma pesquisa que tenta descobrir ainda os últimos laivos de encantamento que nela sobrevivem?) do autor. Lima, todavia, transforma essa ocasião para reconstruir uma espécie de ambiente artificial e mágico no qual a distância entre os corpos (dos “modelos” e não “actores”, para seguir a nomenclatura de Bresson) dos protagonistas e as metamorfoses dos objectos e espaços em torno tem de ser compreendida menos como momentos para criar redes simbólicas, passíveis de uma ulterior apresentação de significados do que uma plataforma para sensações ambivalentes e ainda mais distanciadoras da própria matéria de expressão. (Mais)

29 de dezembro de 2016

Oupus 6. AAVV/Oubapo (L’Association)

Este livro vem assinalar, de certa forma, um aniversário “redondo”, uma vez que os primeiros passos do movimento Oubapo, ou Ouvroir de la Bande Dessinée Potencielle, ou “Ateliers da Banda Desenhada Potencial”, foram dados há um quarto de século, tendo dado a uma colecção de volumes por esta editora, colectivos e projectos individuais, mas igualmente workshops um pouco por todo o mundo, com ou sem os seus agentes originais, discussões académicas, estratégias integradas na produção “normal”, etc. Influenciados pelo mais famoso movimento literário da Oulipo, a Oubapo tenta criar formas de trabalho que partem não tanto de uma “ideia diegética” ou “representacional”, mas antes de uma qualquer formulação estrutural, formal, que deve ser resolvida depois. Um jogo de regras pré-estabelecidas que depois se deve solucionar. Um labirinto construído pelos próprios ratos que devem escapar (Queneau). Tudo palavras dos intervenientes… Em larga medida exercício de salão, não deixa ainda assim de provocar um pensamento reflexivo sobre esta arte em particular, acto de extrema importância quando esta linguagem corre o risco de parecer “demasiado familiar”. (Mais)

26 de agosto de 2016

After Nothing Comes/Little Angels. Aidan Koch (Koyama/MoMA PS1)


Tal qual como ocorre em qualquer outro território artístico e criativo, ou até mesmo da actividade humana, existe uma diversidade de gestos, intentos, alcances e intensidades que deve ser compreendida por ela mesma, não se pautando uma forma de cumprir um papel pelos princípios de outra. Mesmo assim, não deixa de ser uma fonte de felicidade quando nos deparamos com gestos que abandonam as preocupações usuais e clássicas da banda desenhada, como a de “contar histórias” ou até “mostrar relevância”, para lavrarem explorações da própria matéria que constitui a banda desenhada, ou com ela atingem contornos bem diversos dos usuais. De uma forma nem sempre clara, decisiva, passível de continuidade, ou totalmente subsumível a categorizações, e muitas vezes votadas ao desinteresse geral, até sobretudo por aqueles que mais dedicação parecem demonstrar à banda desenhada (nas suas prestações mais arregimentadas), são aqueles trabalhos que merecem o apodo, torto, historicamente erróneo e complicado, insuficiente, de “experimental”. (Mais) 

11 de julho de 2016

5 títulos. AAVV (Éditions Matière)

São por demais os artigos que, discutindo a banda desenhada e as suas hipotéticas “potencialidades”, jamais acabam por se referirem àqueles textos existentes que de facto exploram essas mesmas margens, ou melhor dizendo, perscrutam novos territórios que se vão estendendo paulatinamente. Por outras palavras, é uma patetice alegre esperar pelo futuro da banda desenhada em objectos de mediocridade normativa, quando esse futuro já medra. Basta abrir a pestana. 

A teórica literária Lisa Zunshine, por exemplo, num seu artigo em que aborda a banda desenhada, compreende esta como “artefactos que coordenam textos e imagens de tal forma que a informação sobre os sentimentos das pessoas a que acedemos ao olhar para a sua linguagem corporal elabora, contradiz ou simplesmente complica as descrições verbais desses sentimentos”. Zunshine é uma autora que se tem dedicado à intersecção dos estudos literários com as ciências cognitivas, por isso não é surpreendente que mencione com particularidade os sentimentos das personagens e as inferências (“de uma maneira rápida, confusa e intuitiva”) que tiraremos das suas representações. E insiste mesmo quando parece querer olhar para além dessa limitação: “as narrativas gráficas, sobretudo aquelas inclinadas com a experimentação visual, examinam intuitivamente a nossa tendência de observar, interpretar e reinterpretar obsessivamente corpos demonstrando emoções, ao mesmo tempo que nos mantemos abstraídos dos vários passos envolvidos neste processo de leitura de mentes ficcionais”. A autora, portanto, insiste numa agência humana da narratibilidade da banda desenhada. (Mais)

30 de junho de 2016

Meteorologias. Diniz Conefrey (Quarto de Jade)

Diniz Conefrey, como já o havíamos dito noutra ocasião, é um autor que cultua sobremaneira a transposição da matéria do desenho para primeiro plano, e não somente o emprega como meio, veículo, transmissão de uma representação. O corolário dessa tarefa encontra-se, talvez, no momento em que a representação de dissolve totalmente no próprio acto da gestualidade dessa matéria, lavrando imagens abstractas. Se essa intensidade já se fazia prever em muitos dos seus trabalhos “de representação”, nas “margens” expressivas do programa central, quer na narrativa d'O livro dos dias quer nas adaptações de alguns contos de Herberto Helder, no seu encontro com o texto a máquina de emaranhar paisagens, desse mesmo poeta, libertou-se por completo. Agora, nas peças que perfazem este volume essa liberdade deu ainda outro passo, desfazendo-se de qualquer matéria verbal que não os títulos individuais das “histórias” ou a sua contextualização editorial, mas também por não perseguir qualquer outra forma velada de organização narrativa. (Mais) 

8 de abril de 2016

Alpha... Directions. Jens Harder (Carlsen/Actes Sud/Knockabout Comics)

À medida que a banda desenhada vai conquistando cada vez mais territórios em termos de topicalidade, circulação e até mesmo ontologia, vão surgindo igualmente projectos que se apresentam com um grau particularmente alto de ambição. Jens Harder, o autor de Leviathan, o livro cujo pequeno texto estreou este mesmo espaço, pretende nada mais nada menos do que criar uma série de livros que encerram a história de tudo. Neste momento, os dois primeiros volumes estão disponíveis em várias línguas, mas aqui apenas abordaremos com precisão o primeiro, que lemos com mais atenção. (Mais) 

1 de abril de 2016

Unflattening. Nick Sousanis (Harvard University Press)

O surgimento, recepção e impacto de Unflattening têm sido significativos, se bem que algo confusos. O que nós próprios cumpriremos não deixará de partilhar algumas das contradições que a obra parece suscitar. Se bem que a leitura deste livro tenha sido feita há algum tempo, a sua demora deve-se ao facto de esperarmos que se tornasse pública uma entrevista que fizemos ao autor, em colaboração com Hugo Almeida. A entrevista foi publicada no site The Comics Alternative, com quem temos vindo a colaborar e encontra-se disponível aqui. (Mais) 

2 de fevereiro de 2016

Norak e outros títulos. J.-M. Bertoyas (Kobé/auto-edição)

O texto presente não se focará somente em Norak, le fils de Parzan, o último número da série de fanzines Kobé do autor francês Bertoyas, mas antes é um comentário sobre a obra deste autor. Relativamente obscuro fora dos circuitos da edição independente francófona europeia, mas neles uma referência apolínea, temos tido a fortuna de trocar alguma correspondência que leva ao acesso às suas publicações caseiras. É com Norak, que na verdade não se distingue em termos de grau de trabalho das anteriores, que finalmente conseguimos tecer estas ideias soltas que se seguem. (Mais) 

29 de dezembro de 2015

Dispositivo de Circulação de Imagem. Fernando Lindote (auto-edição)

Este rápido post (mas quem queremos enganar?) vem na esteira da leitura e diálogo com Pedro Franz, a propósito do seu último trabalho e dissertação de Mestrado. No envio desses mesmos materiais, o artista teve a gentileza de agregar ainda outras publicações, como o último número do jornal Suplemento, e o primeiro de Altamira. Mas a grande surpresa foi o envio de três pequens publicações do artista Fernando Lindote. Para todos os efeitos, estes três cadernos são trabalhos de uma banda desenhada “explodida” por dentro, não-narrativa, não-sequencial, onde por vezes mesmo a figuração entra em crise, mas nem por isso abdica de estudar a potencialidade das séries formais ou conceptuais, e as variações/mutações internas. (Mais) 

28 de dezembro de 2015

Incidente em Tunguska. Pedro Franz (auto-edição)

Gostaríamos que ficasse claro que a leitura deste projecto de Pedro Franz é feita dentro de uma constelação que se coordenou num espaço de tempo comum: Dispossession, de Simon Grennan, e Unflattened, de Nick Sousanis. Se leremos cada um desses títulos, e este agora, de forma autónoma, eles unem-se na medida em que são todos trabalhos que são criados num ambiente e esforço articulado com, ao mesmo tempo, uma pesquisa mais académica da parte dos autores. Muitas vezes, acredita-se na ideia – repetida até à exaustão até perder o seu valor explicativo e passar a ser uma fórmula esvaziada de sentido – de que “uns criam” e “outros criticam”, em que os primeiros fugiriam como o diabo da cruz de discursos segundos, reflectores, académicos, de pensamento, e os segundos seriam vistos como estando desligados de uma suposta intuição ou capacidade criativas. Nada poderia estar mais longe da verdade. O que existe é um espectro extremamente alargado de criação e seu relacionamento com um pensamento “ao quadrado”: há aqueles autores que poderão não exercer qualquer tipo de discurso secundário sobre os seus trabalhos, e aqueles que apenas retrabalhando conceitos mais intelectuais são capazes de mergulhar na matéria do trabalho criativo. Porém, não se pode pensar em qualquer tipo de hierarquia, pois os que “não reflectem” sob a forma de discurso poderão criar obras que elas mesmas são profundas reflexões sobre o próprio acto criativo, ao passo que os que botam discurso podem falhar nas abordagens mais primárias a esse exercício. (Mais) 

4 de novembro de 2015

L.L. de Mars/ Steve Aylett. Judex/Johnny Viable and his terse friends (La cinquième couche/Floating World Comics)

Brevemente, queremos dar conta de dois projectos que, de uma forma muito distinta, operam sobre um mesmo princípio e, desta forma, também contribuem para um entendimento cada vez mais alargado da banda desenhada enquanto disciplina artística. Apesar da oferta de textos, canais de distribuição e até sectores de prática serem cada vez mais múltiplos, ainda existe uma ideia muito forte que confunde a validade do gesto com a de um juízo de valor sobre a obra em questão e o respeito (ou falta dele) para com as formatações existentes. Repetimos uma ideia já há muito apresentada: a de que se se quer acreditar na banda desenhada enquanto disciplina artística, tem de se deixar que ela persiga precisamente as justezas heterógeneas que a arte, enquanto conceito, exige. (Mais) 

1 de novembro de 2015

Ambient Comics/Infusion. Nadine Redlich/Pascal Matthey (Rotopolpress/Habeas Corpus)

Será possível ter uma categoria constituída de uma só instância? Poderá uma nomenclatura criada para um título alertar-nos para outros exemplos anteriores que passam a fazer parte dessa mesma categoria? Poderá, ao isolar-se uma prática corrente, subsumida a programas mais convencionais de narratividade e representação, re-fundi-la de um modo mais autónomo? (Mais)