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6 de maio de 2020

«Bestiário» #s 1 & 2.


Num momento em que a os editores, livrarias e todos os agentes associados à dita “indústria” do livro já lançam mãos de quaisquer bóias de salvamento das contínuas crises – económicas, de consumo, de confiança, educação, das plataformas digitais, alterações sociais e culturais, de sector, legislação e, mais recentemente, de saúde pública – é difícil encontrar uma solução que funcione como panaceia universal. Podemos estar no mesmo oceano de papel, mas as embarcações são bem distintas entre si, e as ondas levantam-se de maneira diferente, o marulhar afecta em variação. Uma opção, porém, se avizinha àqueles que ainda crêem no poderoso objecto que o livro é: fazê-los bem, fazê-los belos, fazê-los inteligentes. Entra a Bestiário. (Mais)

7 de abril de 2020

Pentângulo no. 3. AAVV (Chili Com Carne/Ar.Co)


Conforme os números anteriores desta antologia, devo começar por indicar que, de uma maneira ou outra, estamos envolvidos no seu processo de produção. Apesar de não participarmos activamente neste novo número, quer com um artigo ou uma banda desenhada, ou até mesmo com “exercícios” directos, o nosso envolvimento enquanto docentes no Ar.Co leva a que, num caso ou outro, haja um cruzamento prévio com peças de alguns dos alunos envolvidos. (Mais)

27 de agosto de 2019

Bande dessinée et Abstraction. AAVV (La Cinquième Couche/Presses Universitaires de Liège)


Serve o presente post para indicar tão-somente que já se encontra à venda a antologia artística-académica Bande Dessinée et Abstraction/Abstraction and Comics. Trata-se de um livro em dois volumes que faz parte do colectivo académico ACME, da Universidade de Liège, tendo sido este projecto coordenado sobretudo por Aarnoud Rommens. Reúne dezenas de bandas desenhadas, inéditas ou não, completas e em excertos, de trabalhos que, de uma forma ou outra, se podem inscrever na promessa do título. A variedade de autores, em termos de nacionalidades, é assombrosa, e é salutar que uma produção de um centro desta disciplina esteja aberto a participações de todo o mundo. (Mais) 

23 de maio de 2019

Comanche, Obras Completas vol. 1. Greg e Herman (Ala dos Livros)


Já escrevemos bastas vezes, no passado, sobre a tendência internacional – sobretudo nos mercados francês, belga e norte-americano – que tem surgido de publicar edições de colecção, integrais, de luxo, de arquivo, etc., de todo um rol de séries cuja primeira existência havia sido em formatos de consumo mais imediato (semanal, mensal). Tendência a que chamámos “recuperação da memória” e cujo substrato é, a um só tempo, económico, geracional e informado pela transformação do paradigma da banda desenhada para uma linguagem “de livro”. Este novo projecto da Ala dos Livros vem alimentar essa tendência, de uma maneira mais modesta (voltaremos a este ponto), dedicada a uma série western bastamente conhecida de um público vasto e, hoje, decisor. 

31 de março de 2019

Colaboração: Pentângulo # 2

Este outro post aponta ao facto de que o segundo número da Pentângulo, a antologia criada no seio da escola Ar.Co, e publciada pela Chili Com Carne, também já está produzida e será lançada nos próximos tempos. Neste segundo momento participamos apenas com um pequeno texto ensaístico, intitulado "Fuck Nostalgia", no qual, de uma forma muito sucinta, e sem grandes instrumentos académicos, tentamos criar uma breve tipologia do que esse termo, nostalgia, pode significar em termos de produção de banda desenhada, a maior parte das vezes apenas para repetir clichés, mas em algumas excepções criando-se verdadeiros caminhos para trilhar e fundar o futuro deste modo de expressão. 

Encontrarão trabalhos de alguns alunos, francamente promissores e frescos, assim como peças de veteranos como o Francisco Sousa Lobo, André Pereira, Amanda Baeza. A capa é feita por um jovem que tem futuro, um tal de Nuno Saraiva. 

Colaboração: «Júlio Pomar, o 'Jogo da Cabra Sábia'»

Serve o presente post para dar conta da participação num volume de natureza académico, nascido de um seminário organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em torno da relação de Júlio Pomar com várias disciplinas artísticas. Coordenado pela Professora Doutora Kelly Basílio, e levado a cabo em 2014, levou algum tempo até se concretizar a publicação deste livro.

Colecciona uma série de textos por investigadores, professores catedráticos, e pensadores da arte. Uma companhia de peso para os nossos pobres argumentos. 

O nosso texto intitula-se «'Como é que ele tirou isto daquilo?' Ou, Júlio Pomar, Ilustrador». Através da análise próxima de alguns trabalhos de ilustração para livros de Alberto de Lacerda, Maria Velho da Costa, José Gomes Ferreira, e integrando-os na longa carreira pictórica e de desenho de Pomar, interrogamos não apenas os modos como este artista em particular traz autoridade à ilustração para além da sua natureza de "resposta" à coisa literária, como também como a própria ilustração merece uma atenção e instrumentos críticos próprios, não sendo uma disciplina menor, uma necessidade alimentícia, e muito menos "pecadilhos de juventude".

Júlio Pomar, o 'Jogo da Cabra Sábia' é publicado pela Húmus, 2019. 

6 de março de 2019

Colaboração com a "Mundo Crítico"

Conforme havíamos informado anteriormente, quando do lançamento do 2º número da Mundo Crítico, a nossa colaboração com este título será regular.

No novo número, a curadoria da secção "Ecos Gráficos" levou ao convite à autora Dileydi Florez, que criou uma espécie de mini-diário sobre a antologia que ela própria coordenou, Nódoa Negra, publicada pela Chili Com Carne. 

É nesse sentido que o nosso artigo - intitulado "Sororidade: Ou, como caminhar ao lado de alguém" - incidiu numa breve resenha desse mesmo volume, integrando-o num contexto maior da criação de banda desenhada por autoras mulheres. Poderão aceder à revista em pdf aqui, ou directamente ao artigo aqui

20 de agosto de 2018

Álvaro. The Worst of/Balcão Trauma Redux (Escorpião Azul/Insónia)


Tal como a dois coelhos, é de uma cajadada só que se dá conta do recado a estes dois livros. A sua leitura conjunta é consentânea na descoberta dos instrumentos próprios do autor e pela força das circunstâncias editoriais. De facto, por coincidência, deu-se a proximidade da publicação de uma antologia de trabalhos primitivos de Álvaro, pela Escorpião Azul e a do conjunto total da série Balcão Trauma, pela chancela do próprio autor. Estes dois livros poderão ser vistos então como uma oportunidade única de ver os primeiros passos do autor no campo da banda desenhada e aquilo a que veio destilar nos últimos tempos. (Mais) 

10 de agosto de 2018

O espião Acácio. Fernando Relvas (Turbina/Mundo Fantasma)


Pelo que se entende publicamente, a organização desta antologia estava a ser preparada ainda em vida do artista, num momento em que Fernando Relvas se apercebia de duas coisas: por um lado, que não seria provável, devido à doença que o afligia, que voltasse a conseguir desenhar e dar vazão aos muitos projectos que estariam interrompidos, por outro lado, por estar consciente do interesse de vários quadrantes editoriais em “recuperar a memória” da sua própria obra (como gostamos de repetir aqui neste espaço esse trabalho de olhar para trás na história da banda desenhada de forma a consolidar uma tradição a partir da qual novos textos podem emergir). Demos conta aqui de Sangue Violeta, pela El Pep, e Rosa Delta Sem Saída, pela Polvo, que farão parte dessa tendência, a que se vem juntar este novo livro mas que apenas é o corolário da amizade e interesse contínuos e ininterruptos que os editores portuenses nutriram pelo autor e de um gesto que foi por eles fundado, na verdade, quando da edição, já em 1998, pelo SIBDP, do peregrino L123 + Cevadilha Speed. Poder-se-á dizer que é o atempado repescar de um projecto de longa data, num momento em que talvez haja uma melhor recepção e circulação destes objectos. Além disso, as duas exposições relativamente recentes de que foi alvo na cidade da Amadora [uma das quais organizadas por este vosso criado] serviram igualmente como mostra dilatada da sua imensa e variada produção, alguma da qual inédita ou por recuperar nestes moldes. (Mais) 

10 de maio de 2018

Bartoon 25 anos. Luís Afonso (Arranha-Céus/Público)

Este pequeno volume celebra os 25 anos da tira Bartoon, de Luís Afonso, de uma forma curiosa. Convidando 25 personalidades, dos mais diversos papéis sociais (responsáveis por organismos públicos, académicos, artistas, desportistas, pessoas dos meios de comunicação social, e colegas do autor), a escolherem um conjunto de tiras que denotem as suas escolhas pessoas e algumas dimensões personalizadas desta obra, o leitor terá tanto acesso à própria obra como a estes 25 olhares distintos sobre ela. Acompanhadas essas selecções por breves parágrafos desses ilustres, vai-se desvendando também uma pequena mas personalizada teoria da recepção, significativa para melhor apreciar a tira. (Mais)

23 de março de 2018

Duplo Vê/O Tautólogo. Mattia Denisse (dois dias)


Por esta altura, começa a construir-se um edifício feito de elementos singulares, e a que se poderá vir a dar o nome de “obra gráfica”, de Mattia Denisse, designação que tanto terá a felicidade de agrupar essa sua produção por um traço material, permitindo uma visão de conjunto e uma consideração das constantes, como poderá incorrer em distrações relativas a especificidades de cada um desses mesmos elementos. (Mais) 

15 de março de 2018

Livro das imagens. Sei Miguel (O Homem do Saco/Marmita de Gigante)


É por vezes difícil, se não impossível, lermos, vermos, interpretarmos e pronunciar um juízo de valor sobre uma determinada obra nova sem recorrermos a elementos que lhe são extrínsecos. As mais das vezes, isso prende-se a questões de biografia, círculo social ou outra actividade profissional, pública ou artística que o autor ou autora exerçam e que parecem fazer pressão sobre aquelas que se nos apresentam no momento. É isso o que sucede quando se procuram “traços” de arquitectura em desenhistas que têm formação de arquitecto (e tão distintos como Richard Câmara, Francisco Sousa Lobo, Pedro Burgos, Ana Cortesão, André Pereira), ou se pretendem compreender como actividades musicais podem informar a prática da banda desenhada (Carlos Zíngaro, Ilan Manouach, Brian Chippendale, André Coelho). Quase sempre esse exercício é supérfluo e inválido, uma vez que providencia mais com elementos de cegueira e limitação do que um caminho para cumprir uma melhor leitura crítica. (Mais)

2 de março de 2018

Pentângulo 01. AAVV (Ar.Co/Chili Com Carne)

Serve o presente post para indicar que já está em circulação e venda o primeiro volume da Pentângulo. Trata-se de um projecto nascido no seio dos cursos de banda desenhada e ilustração (e afins) do Ar.Co, em colaboração com a editora Chili Com Carne, e pretende ser um gesto anual.

Estes livros agregarão quer trabalhos desenvolvidos no decurso do próprio processo de ensino-aprendizagem, destacando-se os melhores "T.P.C.s", quer projectos pessoais dos alunos, que se integrarão no ensejo central do título. É o caso das produções de Sara Boiça, Mathieu Fleury, Simão Simões ou Stéphane Galtier. Em princípio, existirá uma linha temática que conduzirá uma das partes dos volumes, que é depois explorada da forma mais variada possível. Neste primeiro gesto, o tema foram as mulheres artistas dos vários movimentos das vanguardas estéticas do início do século XX, sobretudo russas. 

Mas haverá igualmente oportunidade para envolver ainda, como é o caso, os professores ou antigos alunos, que poderão ir conquistando maior ou menor espaço na paisagem editorial destes campos. Com efeito, encontrarão aqui trabalhos de autores como Rodolfo Mariano, Cecília Silveira (com uma peça a um só tempo divertidíssima e politicamente forte), Vasco Ruivo, Dileydi Florez (uma peça visualmente soberba), o colectivo Triciclo, Martina Manyà, Gonçalo Duarte e Igor Baptista, cujos nomes têm já lugar nos circuitos de fanzines ou da edição independente, e conhecidos dos leitores mais atentos. Francisco Sousa Lobo, antigo aluno, dispensará apresentações, dada a sua fortíssima presença e produção na "cena" nacional. Daniel Lima (na capa) e Amanda Baeza também participam, na qualidade de formadores da casa.


Também na qualidade de docente daquela instituição há uns anos, e como aspirante a argumentista, participo no volume duplamente. Em primeiro lugar, com um brevíssimo ensaio sobre o plágio na banda desenhada. Em segundo lugar, com uma história de dezassete pranchas (mais título), que respeita o tema indicado acima mas através de uma ficção, e com desenhos de Carolina "Zarolina" Moreira, Vasco Ruivo, Cecília Silveira e Martina Manyà, cada uma destas assinaturas tomando uma das camadas de Estratigrafias (a imagem que mostro é uma montagem de cortes).

Procurem!

21 de setembro de 2017

Desenhar em cima da conserva. AAVV (Arranha-Céus)


Este pequeno livrinho, oblongo e fino, nasceu de um projecto que envolveu os artistas e a Conserveira de Lisboa, numa lógica de exposição/decoração temporária da fachada do seu estabelecimento. Isso daria origem a uma colaboração directa entre os autores para que fabricassem uma narrativa curiosa nos seus contornos estruturais. Este é o resultado.

19 de maio de 2017

Três Histórias Desenhadas. José de Almada Negreiros (Assírio & Alvim)

Este pequeno livro de bolso reúne as três mais longas histórias de banda desenhada que Almada criou para o jornal O Sempre Fixe, todas elas datando do ano de 1926, também as maiores que ele alguma vez criou (se bem que não as esgotam). São os seus títulos “Era uma vez...”, “O sonho de Pechalim” e “A menina serpente”. A edição em causa é criada a partir dos desenhos originais “que sobreviveram presentes no espólio do artista”, nas palavras de Mariana Pinto dos Santos, na nota final, e descritos por Sara Afonso Ferreira, na introdução, como estando num “caderno composto pelo autor que colou, em cada folha, um desenho numerado”. São essas circunstâncias físicas e apartadas do seu contexto original que permitem às editoras publicar as histórias com um desenho por página, o que reformula, de certa maneira, estas narrativas. Publicado no quadro da magnífica exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian ao escrever estas linhas, com curadoria de Mariana Pinto dos Santos e Ana Vasconcelos, a sua circulação pode ser vista, até certo ponto, como uma maneira de dar corpo às extensões polivalentes e multidisciplinares desta “revisitação” da obra de Almada, assim como a uma concretização física das especificidades desta obra em particular. Ela emergiu para existir como objecto reproduzido, dado à estampa. (Mais)

25 de março de 2017

Bruma. Amanda Baeza (Chili Com Carne)

Quando falámos atempadamente do trabalho de Amanda Baeza, ainda no interior de uma lógica de pequenos fanzines ou edições independentes de uma circulação limitada, tínhamos perfeita noção de que mais tarde ou mais cedo a acumulação desses trabalhos emergiria num corpo maior. Se ainda não é o momento, talvez, de uma obra maior em si mesma, pelo menos a sua colação permitirá chegar a um público mais alargado e, de resto, tem sido essa a missão da colecção Mercantologia, da Chili Com Carne, nos últimos anos: a de re-oferecer alguns dos melhores gestos da comunidade zinesca a uma circulação mais lata.  (Mais)

20 de janeiro de 2017

Colaboração no du9. My Ogre Book, Shadow Theater, Midnight, de Marcel Broodthaers.

Como tem sido hábito, transmito aqui a indicação de que está disponível um artigo, na du9.org, sobre uma belíssima edição da Siglio que reúne três obras distintas de Marcel Broodthaers em tradução inglesa: dois livros de poesia e uma colecção de imagens, matérias transformadas num novo projecto que sendo antigo, nunca existira nesta forma. 

Broodthaers é uma referência fulcral da cultura belga moderna, e as suas pesquisas multímodas, acima de todas aquelas que auscultam as fronteiras porosas entre as imagens e a literatura, deveriam ser (e são-no) um modelo para aqueles que trilham o mesmo caminho.

A questão central que nos ocupa é menos a crítica da poesia ou dos projectos artísticos do artista, o que nos escaparia, do que este novo "agenciamento" proporcionado por um novo objecto-livro, que reapresenta um novo fôlego e vida a essas mesmas produções.

Como sempre, a tradução para francês esteve a cargo de Benoît Crucifix, a quem queremos deixar os mais vivos agradecimentos. Merci bien pour ta patience et ton amitié! 0

Link directo, aqui.

13 de janeiro de 2017

Pandora # 2. AAVV (Casterman)


Se em Portugal estamos a seco há décadas em relação a títulos regulares de banda desenhada cujas narrativas sejam publicadas em capítulos, ou que mesmo antologias de histórias curtas saiam somente de quando em vez e usualmente como gestos únicos ou limitados, o mesmo não pode ser dito de outros mercados mais consistentes financeiramente. Esta é apenas uma constatação de factos, não um juízo de valor, já que se tentam várias vezes reatar essas chamas por cá, com fortunas díspares mas quase sempre sol de pouca dura (mas trabalhos em si de qualidade). Em França, por exemplo, ainda há vários títulos que garantem a chamada “pré-publicação”, um pouco para todos os gostos, desde o mais mainstream (a Bodoï, depois transformada em webmag, a Lanfeust) às mais clássicas (Spirou) até mesmo às que servem o círculo independente (a Lapin, agora transformada em jornal). Mesmo assim, no panorama actual mais empobrecido na abordagem convencional – já que em termos de “reportagem em bd” a existência da Révue XXI e La Révue Dessinée apenas nos fará sonhar num mundo mais perfeito -, o surgimento de um título como Pandora encaixa-se num contexto de maior diversidade, mas terá certamente o seu papel. (Mais) 

10 de outubro de 2016

imageria. Rogério de Campos (Veneta)

De todos os livros que têm sido publicados pela editora brasileira Veneta, e de forma alguma em detrimento do valor de todos os textos que têm surgido, sobretudo no que diz respeito a uma forte banda desenhada autoral atenta aos seus contornos formais e temáticos contemporâneos, este volume representa uma dimensão de extrema importância, que nos deixa particularmente entusiasmados. Sabemos que os últimos anos têm sido de um crescimento exponencial e magnífico para o aumento do conhecimento histórico e teórico desta disciplina artística, e temos notado como paulatina e seguramente esse mesmo conhecimento tem chegado a um público cada vez maior, inclusive os novos artistas e cultores dela, que até há recente se lançavam nela com apenas um conhecimento imediato da geração precedente e exemplos soltos da sua história. (Mais) 

2 de setembro de 2016

Topografias. AAVV (Piqui)

Se há pouco mencionámos, de passagem, a discussão desencadeada pela ausência de mais nomes femininos da antologia de banda desenhada contemporânea brasileira, eis uma publicação, já deste ano, que demonstra a capacidade organizativa de um colectivo feminino. É verdade que se se tratasse de uma publicação em que todos os autores fossem homens, à partida tratar-se-ia desse título tão-somente como tal, e não pautado por quaisquer características que se soltassem do seu sexo (a menos que mergulhassem de forma directa e sublinhada dessa mesma circunstância). O mesmo não ocorre de forma gratuita ou forçada com publicações “de mulheres”, mas a verdade é que aqueles títulos caracterizados por essa circunstância as mais das vezes demonstram elementos que se revelam claros nas suas intenções de identidade sexual, política e de diferenciação contra uma certa visão hegemónica e normativa. Se nos recordarmos de algumas experiências portuguesas, desde Weavers of Speech a Rata, encontraremos experiências análogas em que a oportunidade de publicar em ensemble leva a que se sublinhem essas tais características, mas sem jamais as arvorar de forma reificadora ou absoluta. Haverá outros momentos de junção de autoras de banda desenhada, mas onde essas características não ganham essa proeminência, como é o caso de Allgirlz ou QDCA, o que bem ao contrário de um problema é uma conquista. (Mais)