25 de outubro de 2017
AmadoraBD 2017: participação
O propósito principal é o da celebração dos espaços de leitura. Eis o texto que estará na apresentação dos núcleos, assinado por ambos:
« A diversidade da banda desenhada para todos os públicos e os álbuns ilustrados para a infância tem crescido exponencialmente em todos os sentidos. Há cada vez mais livros para mais tipos de leitores.
Distinguindo-se de tendências anteriores, há mais banda desenhada para um público feminino (o que não significa que os rapazes ou os homens não possam ler esses livros fantásticos!), tal como para um público mais maduro (tantos “romances gráficos”!), interessado em questões como as relações humanas realistas, política internacional, personalidades históricas nacionais ou até como fazer vinho. E há mais livros, despretensiosos, capazes de ensinar às crianças as raízes das descriminações raciais, de género, de idade, ou outras, que explicam como se constrói a democracia ou a memória, como brincar e cuidar dos nossos avós, e até como disparatar da forma mais criativa possível.
Os géneros clássicos continuam de boa saúde também, e com novos heróis e heroínas.
Esta exposição não pode mostrar tudo o que foi publicado nos últimos doze meses, mas enfrenta essa mesma variedade. Cada sala mistura livros para miúdos e para graúdos, livros sérios e livros tontos, tomos grandes e livrinhos esguios, uma vez que acreditamos que os leitores (e os livros) se devem misturar. Os pais devem ler com as filhas, mas os filhos também devem ler para os pais. E sozinhos. Ou com os colegas da escola, da natação, ou de jogar à bola lá na rua. E os pais podem falar deles lá no emprego.
Cada sítio cria a sua própria comunidade de leitores. Um bando de leitores no banco de jardim. Um cardume de outras leitoras no metro. Uma turma na escola. Outra no recreio. São tantos os sítios onde se pode ler! Pode ser qualquer lugar. Aqui estão apenas cinco.
Qual é o teu favorito? O nosso é... todos!»
Para além disso, estará patente na Bedeteca da Amadora uma exposição dedicada ao projecto The Lisbon Studio Series, a série de volumes antológicos desse colectivo, na qual temos participado enquanto argumentista da artista Marta Teives. O segundo volume, na verdade, será lançado no AmadoraBD. Os autores estarão presentes todos os fins-de-semana no Festival para autografarem as obras, inclusive nós mesmos (no último fim-de-semana somente).
Mais informação, aqui.
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Pedro Moura
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6:45 p.m.
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22 de setembro de 2017
The Lisbon Studio = Filhos do Manguito
Ficam todos os leitores convidados a estarem presentes na vernissage da exposição Filhos do Manguito, uma acção do The Lisbon Studio, na próxima Sexta-Feira, dia 29 de Setembro, pelas 19h00, no Museu Bordalo Pinheiro, ao Campo Grande, Lisboa.
Trata-se de uma mostra em que os artistas residentes desse estúdio prestam homenagem ao Pai-de-Todos Bordallo, com versões contemporâneas do Zé Povinho, novos trabalhos de cartoons políticos acesos à hora, e respostas gráficas aos tantos gestos desse grande autor, sobretudo aquele gesto mais resistente que se cumpre com os braços cruzados.
Será lançado igualmente o livro-companheiro deste projecto, com a presença dos artistas.
Vinde, compradres!
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Pedro Moura
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9:47 p.m.
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17 de maio de 2017
20/MAIO: 17h: "Da Iconofagia", encontro com Hervé Di Rosa, na NLF.
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9:20 a.m.
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9 de setembro de 2016
Sequência mínima: exposição de Filipe Abranches (e texto)
Fomos convidados a escrever um texto que acompanhasse essa exposição, apanhado quase superficial de algumas reflexões debatidas e partilhadas com o autor, de quem somos colegas enquanto docentes e parceiros em projectos criativos, e que de certa forma teriam levado à selecção e baptismo desta mostra.
Apresentamo-lo aqui, com algumas alterações de pouca monta, apenas com o intuito de prendre date, uma vez que não terá o valor que poderia ter caso fosse reforçado com os instrumentos de maior precisão académica que estão ausentes. (Mais)
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10:57 a.m.
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10 de maio de 2016
Vários títulos. André Oliveira et al. (Kingpin/Polvo)
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3:51 p.m.
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18 de abril de 2016
Comic Invention. Laurence Grove e Peter Black (BHP Comics)
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10:41 a.m.
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6 de janeiro de 2016
Estúpidos, maldosos, belos: alguns livros e uma exposição em torno do “Charlie Hebdo”. AAVV
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7:54 a.m.
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23 de novembro de 2015
28 NOV | 16h00 | Conferência com José Marmeleira: "Um olhar plural sobre as imagens."
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8:23 p.m.
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13 de novembro de 2015
Rodapé: 20-22 de Novembro.
No âmbito desse encontro, terá lugar uma exposição ou mostra de ilustração para a infância, intitulada Rodapé, e que foi coordenada por nós, contando com trabalhos de Afonso Cruz, Ana Biscaia, André Letria, António Jorge Gonçalves, Bernardo de Carvalho, Catarina Sobral, Daniel Silvestre da Silva, Gonçalo Viana, João Fazenda, Madalena Moniz, Madalena Matoso, Marta Monteiro, Richard Câmara, Susa Monteiro e Yara Kono. Esta exposição tenta escapar da lógica "white cube" das exposições, e, utilizando meios muito simples e limitados, é pensada para os visitantes mais jovens. Para além das imagens expostas, a exposição conterá o "arquipélago do Faztu", constituído por quatro mesas-ilhas-atelier, nas quais os visitantes poderão encontrar objectos para desenhar, fazer postais, brincar, preencher paisagens, etc. numa relação interactiva com a criatividade de todos. Este arquipélago é coordenado por Alexandra Baudouin e por nós. É, portanto, uma óptima oportunidade para trazer os miúdos para um fim-de-semana fora de casa.
Estamos ainda responsáveis por uma mesa-redonda que terá lugar no Domingo, dia 22, pelas 17h00, em torno dos processos de edição dos livros ilustrados infantis, moderando a conversa com André Letria, Catarina Sobral e José Oliveira. Esta conversa já é para os mais graúdos.
Aqui ficam os agradecimentos aos organizadores do evento pelo convite feito, a todos os artistas que responderam positivamente ao projecto e a toda a malta que ajudou. Até lá.
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Pedro Moura
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8:45 a.m.
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5 de novembro de 2015
SemConsenso: um manifesto.
Deixamos aqui o texto que lemos no dia da abertura (com ligeiras modificações), esperando que complemente todos os outros materiais textuais disponíveis (o panfleto à entrada, o jornal da exposição). "Manifesto" aqui deverá estar quer no seu sentido dissertativo como no de declaração de carga, digamos assim. As fotografias foram disponibilizadas pelos serviços do museu, e espero que sirvam para abrir o apetite. (Mais)
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11:06 a.m.
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24 de outubro de 2015
Museu do Neo-Realismo: SemConsenso.
Serve o presente post para finalmente anunciar que no próximo Sábado, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, inaugurará a exposição
Trata-se de uma mostra de trabalhos que compreenderá banda desenhada publicada em livros, jornais, revistas, publicações de vário cariz, assim como ilustrações editoriais, cartoons, e outros objectos menos comuns que, de uma forma ou outra, "abrem um novo espaço da política" (o texto costumeiro de comissário teorizará mais, a incluir na publicação a lançar, mas aqui sejamos mais curtos). É uma constelação que não tem respostas nem pretende seguir os caminhos já trilhados ou pré-preparados para a "discussão séria". Bem pelo contrário, são colocadas muitas perguntas.
Esta exposição contará com a presença de trabalhos dos seguintes autores, de forma mais alargada ou mais concentrada:
Alice Geirinhas
Álvaro Santos
Amanda Baeza
António Jorge Gonçalves
Bruno Borges
Carlos Pinheiro
Cristina Sampaio
Daniel Seabra Lopes
João Fazenda
José Feitor
José Smith Vargas
Jucifer
Marco Mendes
Marcos Farrajota
Marriette Tosel
Miguel Carneiro
Miguel Rocha
Nuno Saraiva
Nuno Sousa
Pepedelrey
Tiago Baptista
e ainda mural de Pepedelrey & André Lemos.
A entrada, para além de grátis, é livre. Seria muito bom ter a vossa presença.
Nota final: ver "manifesto".
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Pedro Moura
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12:17 p.m.
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22 de julho de 2015
Quarto Interior. Exposição de Francisco Sousa Lobo.
Esta exposição integrar-se-á numa nova programação da Bedeteca da Amadora, sita na Biblioteca Municipal Piteira Santos, sob a minha responsabilidade. Intitulada Os 5 sentidos da banda desenhada, esta programação contará com grupos de leitura, acções de formação, exposições e debates. Sendo esta exposição uma experiência "beta" (no sentido informático, não de classismo social), prevê-se que a apresentação oficial do programa seja feita em Setembro.
Quarto Interior conta com a apresentação de dezenas de pranchas da arte original dos títulos do autor de O desenhador defunto, sobretudo de trabalho mais recente, inclusive várias curtas e mesmo trabalhos inéditos.
O título é tirado de um poema curto de Fiama Hasse Pais Brandão.
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5:15 p.m.
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19 de dezembro de 2014
Revoir Paris, e outros títulos relacionados. Benoît Peeters e François Schuiten (Casterman)
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4:08 p.m.
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25 de outubro de 2014
The Lisbon Studio no FIBDA 2015.
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1:43 p.m.
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26 de abril de 2014
Exposição "Succedâneo" na Moagem (Fundão).
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10:56 a.m.
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9 de outubro de 2013
FIBDA 2013: Seis esquinas de inquietação (autores brasileiros).
No entanto, o ponto principal que desejamos divulgar e discutir é uma exposição integrada no seio deste FIBDA, que tivemos o prazer e a honra de ter organizado, e que tenta, de certa forma, endereçar esses mesmos tema e paradoxo, focando em seis autores brasileiros contemporâneos. A exposição intitula-se Seis esquinas de inquietação, e junta os seguintes autores, por ordem alfabética dos apelidos: André Diniz, Marcelo D’Salete, Pedro Franz, Diego Gerlach, André Kitagawa e Rafael Sica.Tendo tido já a oportunidade de escrever sobre alguns dos trabalhos destes autores (vejam os links), e não nos interessando meras apresentações biográficas, discutiremos brevemente o conceito da exposição (remetemos para o catálogo os interessados, onde poderão ler um ensaio algo denso sobre a dimensão política destes autores, assim como uma breve apresentação de cada um deles).
O que se pretende com este núcleo é tão-simplesmente mostrar seis exemplos de banda desenhada contemporânea brasileira, mas cujo traço comum não tem nada a ver com uma suposta “essência nacional” ou “brasileiridade” (coisas como o samba, alegria, folia, verde e amarelo, catatuas ou bundas em forma de balão). O que se pretende acentuar são as afinidades electivas entre estes autores particulares, se bem que seria possível seguramente ter arrolado outras referências da mesma geração. A nosso ver, a linha de força que os une é tratamento que os autores fazem, não de uma forma directa e dogmática, mas antes subtil, inteligente e com um foco muito forte e até mesmo, poder-se-ia dizer, “engajado”, da vida vivida pelas pessoas no quotidiano, do estado sócio-político do Brasil de hoje, e que pode ser associado a muitos outros eventos políticos localizados no mundo, desde a Primavera Árabe ao Occupy Wall Street passando pelas manifestações dos indignados em Espanha e Portugal (cada uma dessas realidades com fortunas diferentes e desenvolvimentos específicos, naturalmente). Ou seja, em vez de entender “político” de uma forma limitada aos partidos e detentores do poder representativo, estas bandas desenhadas criam pequenos espaços de resistência de representação: colocando personagens e locais que usualmente são vistos como 2marginais” e “sem voz” no centro da acção, sendo eles mesmos os actores dessas acções. Além do mais, uma outra características forte é a forma como representam - figurativa e estruturalmente nas suas páginas - o urbanismo: favelas, ruas pobres, ruas apertadas, becos e ruas secundárias, mas, de novo, onde se vive uma vida qualquer. Como Maurício Hora afirma em Morro da Favela, de André Diniz, também estes autores têm como propósito central “mostrar pra todo mundo que aqui também tem vida!”
Portanto, sendo o conjunto dos autores e trabalhos algo melancólicos, nada é negro ou soturno e, sendo urbano, não significa que se seja despojado de traços humanos.
Reunir-se-ão aqui trabalhos de alguma variedade de temas e géneros, formatos e técnicas, humores e estratégias de comunicação, produção e circulação. Alguns dos trabalhos são mesmo “experimentais” ou de um humor absurdo - Rafael Sica -, ao passo que outros parecem mais reportagens ou “autobiografias emprestadas” sobre a realidade histórica - André Diniz, sobretudo, com Morro da Favela -, e outros ainda misturando géneros mais convencionais para criar histórias de alguma “raiva social” - Pedro Franz, André Kitagawa, Diego Gerlach - ou uma resistência pela não-acção - Marcelo D'Salete. Alguns autores apresentarão um largo espectro da sua produção, enquanto que outros estarão mais confinados a um grupo menor de trabalhos.
Atempadamente serão divulgados mais pormenores, mas podemos desde já indicar que 1. estarão em Portugal os artistas Pedro Franz e André Diniz; 2. este último apresentará ainda um novo projecto a ser lançado igualmente pela Polvo, Duas Luas, como desenhos de Pablo Mayer; 3. haverá visitas guiadas todos os fins-de-semana, inclusive com os artistas presentes; 4. estarão disponíveis para venda alguns exemplares das publicações destes artistas, mas em quantidades compreensivelmente limitadas.
Nota final: agradecimentos à organização do FIBDA/CNBDI, por aceitar a proposta, e às suas equipas pelo trabalho. Aos artistas, por todos os gestos de facilitação. Ainda a Sara Figueiredo Costa, Rui Brito, Maria Clara Carneiro e Fábio Zimbres por várias razões. E ainda a Ricardo Cabral, por esclarecimentos.
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Pedro Moura
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11:12 a.m.
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23 de julho de 2013
Crónicas de arquitectura. Pedro Burgos (Mundo Fantasma)
Apenas uma leitura superficial “despachará” este projecto de Pedro Burgos, sem lhe tomar o pulso.
O prefácio de Graça Dias é muito explícito nos pormenores dessa relação de trabalho, de ritmo, de resposta (corroborados pela inclusão de uma reprodução dos sketchs que caçam a ideia e estrutura em primeiríssima mão, ao lado da imagem publicada), já para não falar de outras informações sobre a vida do autor, que por vezes roçam o biografismo e o essencialismo entre as informações daí provenientes, tantas vezes repetidas. Por exemplo, Pedro Burgos é formado em arquitectura e (caso mais raro, devido ao, nas palavras do autor, “a grande gruta dos talentos perdidos”) trabalha como arquitecto, mas essa informação biográfica de pouco serviria ou servirá se não houvesse esta capacidade de transposição do seu gesto de moldação de espaços, formas, personagens em vivências legíveis nos seus cartoons, se assim os podemos chamar. Não há nada na formação académica e profissional de um arquitecto que o torne particularmente apto a esse gesto nem nada da banda desenhada que a torne melhor ecrã para temas ou formas de banda desenhada. Quando surgem casos de estudo que merecem uma atenção crítica particular – como aqueles casos que vão sendo estudados de modo sistemático por Renata Pascoal ou aqueles casos nevrálgicos como Building Stories, de Chris Ware, de que falaremos muito em breve – eles rasgam a vulgaridade desses encontros. É um arquitecto uma profissão que à partida o/a torna mais sensível à plenitude humana? Claro que não. Torná-lo-á mais propenso a um determinado grau de qualidade de conquista na fabricação da banda desenhada? Independentemente do número que se possa angariar de arquitectos na banda desenhada, esse “casamento” ou esses actos criativos são singulares, não expectáveis. Caso contrário, seria roubar ao(s) artista(s) a sua capacidade idiossincrática de conquistarem esse papel.
Além do mais, e um dos aspectos que importa sublinhar sobremaneira nestas 12 crónicas é que não há de forma alguma uma concentração nos aspectos objectuais da arquitectura, isto é, o isolamento dos edifícios ou das suas formas (trata-se de uma resposta ao acto da arquitectura bem distinto do de Blanciak), nem uma reificação quase absoluta dos estilos (à la Peeters-Schuiten). É importante notar que o autor opta por colocar como títulos de cada peça o verbo “ser” [se bem que, em rigor, esse título tenha sido dado a todo o número respectivo do JA, podendo ter partido a equipa da redacção], recordando a lição de Erich Fromm sobre a paulatina mas decisiva emergência do materialismo nas sociedades capitalistas avançadas, servindo então aqui, através do humor, da observação do quotidiano, português ou outro, de solução. Mesmo o nom de plume do autor reflecte essa tendência de vivência, e não tanto de reificação do objecto-edifício.
Podemos dizer que, em termos gerais, estas crónicas são sobre os obstáculos que o acto de arquitectura conhece. Imaginemos que nas mentes dos arquitectos o projecto é tudo, um mecanismo ideal de passagem do conceito ao objecto e sua implementação no espaço, mas que infelizmente tem de atravessar o atrito da realidade, sob a forma de clientes, orçamentos, materiais, barreiras legais, vontades de terceiros, recepção e coordenação com os vários círculos concêntricos de contextos.
Cada um deles é visitado pelas crónicas. Isto não significa que os arquitectos surjam como pessoas desinteressadas ou sacrossantas, e muitas vezes a sua soberba aparece retratada ou pelo menos relativizada de alguma forma nestas curtíssimas histórias (se é que lhes podemos incutir uma ideia de facto de narrativa, e não antes de retrato social em acção), como nos casos de “ser populista”, “ser pobre”, “ser crítico” ou mesmo “ser arquitecto” e “ser nada”. Por outro lado, tal como nas várias histórias que Burgos foi criando ao longo dos anos, de modo esparso, e pelas forças das circunstâncias dos projectos em que esteve envolvido, como as publicações que a Bedeteca de Lisboa coordenava com os transportes dessa cidade, ou o absurdamente esquecido e subapreciado À Esquina, com João Paulo Cotrim (uma dessas pequenas obras-primas que fica esquecida no meio do ruído criado por fãs mais vocais de tantas mediocridades), Burgos (de novo sublinhando o nome artístico?) dá uma atenção particular à cidade de Lisboa, incutindo-lhe uma pátina especial de observador da cidade, de colhedor de costumes, de retratista das suas facetas, à la Carlos Botelho (v. adiante). Isto é particularmente vincado na presença dos corvos antropomorfizados, na porteira tacanha para com as outras culturas que pintam Lisboa, na passagem de modelos à la Gehry que tão provincianamente quase picotaram a capital...
Porém, acima talvez dos
conteúdos temáticos e populados por personagens reconhecidas de forma óbvia ou
simbólica, está a forma como Pedro Burgos compõe as suas pranchas, e essas
soluções são uma das grandes vitórias do autor, e que o colocam num trajecto
particular da nossa “cena”. Se nos permitirem o desvio, recordemos que algumas
destas pranchas estiveram presentes na exposição Tinta nos Nervos, e colocadas de uma maneira pensada na sua
possibilidade de diálogo. Do lado oposto da estrutura em que se integrava,
portanto como que num diálogo contrastivo, ou complementar, ou gémeo,
encontravam-se algumas das pranchas de Richard Câmara, outro arquitecto de
formação, nomeadamente as do projecto ainda inédito Almedina (de que mostramos uma imagem) e as pranchas da exposição Estereotomias. Nota final: agradecimentos à Mundo Fantasma, pela oferta da publicação.
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Pedro Moura
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15 de maio de 2013
On Deciphering the Pharmacist’s Prescription for Lip-Reading Puppets. The Quay Brothers (MoMA).
Tendo estado patente no ano de 2012, esta exposição apresentava não somente as pequenas câmara-cenário que eles criaram para os seus filmes de animação de volumes (as quais estiveram patentes em Lisboa, no Museu das marionetas, em 2008, sob o título Dormitorium), como objectos-instalação, posters, capas de livros, ilustrações, projecções de filmes, e “coisas”, à falta de melhor termo, criadas de propósito para a exposição, como as caligrafias anarmóficas nas paredes. Este catálogo, que tem pouco mais que sessenta páginas, reúne stills de filmes, fotografias das tais instalações e dos cenários, dos bonecos-actores e dos cenários para teatro e ópera, algumas fotografias pessoais, imagens da sua carreira em ilustração, e muitas referências das suas formações artísticas, académicas e culturais.
No que diz respeito a textos, apresenta dois textos curtos, mas muito incisivos. O primeiro é de Ron Magliozzi, comissário desta exposição e responsável no museu pelo departamento de cinema, e que apresenta uma contextualização e uma biografia breves, sem no entanto deixar de tecer algumas interpretações sobre temas recorrentes (a ideia de gémeos, a importância da dança, as relações entre espaços interiores, exteriores e inanalisáveis, como os dos sonhos ou dos trompe-l’oeil). O segundo é de Edwin Carels, importante investigador de Ghent, sobre as relações entre a animação e as artes “em geral”. Intitulando-se “Aqueles que desejam para sempre. A ruminação enquanto ‘máquina celibatária’” (a primeira metade do título remete ao subtítulo do filme Nocturna Artificialia), Carels elege “máquinas celibatárias” dos Quay (o que remete a um ponto discutido no livro de Buchan) como ponto nevrálgico do, digamos assim, funcionamento dos seus filmes, como a propósito da cena inicial, introdutória, de Street of Crocodiles, em que se dá a transição, ou relação, ou negociação, importante entre filme e espectador: “de encenar um olhar para a câmara à captura do espectador no interior de uma configuração espacial”. A exposição Dormitorium, de acordo com Carels, convidava o visitante a “activar [aqueles] espaços”, mas os seus filmes atingem uma mais completa “interpenetração sensória”. Num elaborado processo de crítica à emergência da museificação da cultura, mas relacionando essas instituições aos seus imediatos predecessores, as “Wunderkammer” ou “gabinetes de curiosidades” (e o objecto de transição, a vitrine, que implica o princípio “vê mas não toques”), o autor pretende demonstrar como o cinema eleva essa diferenciação absoluta entre o visual - sempre visível, sempre penetrante - e o táctil - sempre fora do alcance, corroborando a transformação que teve lugar quando a “experiência foi substituída pelo conhecimento”, uma lição que, não sendo citada, soa a Walter Benjamin. No entanto, o cinema particular dos Quay, que convida o espectador, nos mais recônditos rincões dos seus corpos e mentes, a transporem as fronteiras existentes entre vigília e sonho, entre tempo(s) e espaço(s), negam muitas vezes o conhecimento para remeterem a uma nova experiência.Nota final: as duas primeiras imagens foram tiradas da internet, através de urls directos.
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Pedro Moura
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8 de abril de 2013
Cartografias da Memória e do Quotidiano. AAV (Guimarães 2012/INCM)
O resultado é um livro oblongo que reúne esses mesmos desenhos nessas vidas. Para além dos desenhos originais, claro está, eles destinavam-se sempre a um qualquer meio de reprodução. O primeiro, desde logo previsto, era uma reprodução em grande escala para ornarem outdoors estrategicamente colocados em Guimarães. Se bem que essa prática possa remeter a todo um historial de práticas artísticas, que envolvem arte politizada, críticas à publicidade, estratégias várias da street art, ou meramente jogos lúdicos de ilusão e referência, a utilização de outdoors para palco de imagens enormes, que não estão associadas a nenhuma mensagem publicitária ou de propaganda (pelo menos no seu sentido comum), criam logo um espaço de disrupção, feliz, do olhar distraído dos transeuntes. Obriga a olhar com uma intensidade particular naquele momento. A primeira parte do livro tem um conjunto de fotografias precisamente mostrando esses espaços ocupados pelos desenhos (e um mapa com as suas localizações, mas desconhecemos se estes materiais estiveram disponíveis durante essa presença). Só essas imagens poderiam levar a leituras complexas e estimulantes sobre o diálogo entre as imagens e esses “não-lugares” (Marc Augé), a ideia de “cidade sobre-exposta” (Paul Virilio), ou outros conceitos, ora desarmando ora reforçando as noções de “memória e quotidiano” que os autores exploravam, e que poderiam ser vistas como resistências.
João Miguel Lameiras institui estes títulos para cada núcleo autoral: “Anke Feuchtenberger e os caminhos da água”, “Deniz Deprez e a uniformidade dos subúrbios”, “João Fazenda e a síntese impossível”, “Marco Mendes entre autobiografia e memória”, “Nuno Sousa e o fascínio do quotidiano”, e “Ulli Lust e as mulheres de Guimarães” (pp. 18-24). É na sua leitura, e dos textos dos autores, que encontraremos muitos elementos que podem corroborar a leitura e análise das imagens. Se não podemos dizer que haja surpresas, também devemos estar conscientes que não se esperam surpresas destes autores, mas sim antes inflexões inteligentes, como já debatemos noutras ocasiões, em que os autores são capazes de engrenar as circunstâncias e exigências dos projectos para que são convidados na continuidade dos seus projectos, ou linguagem, individuais.
Não deixa de ser importante, e sinal de inteligência da parte dos artistas e da parte dos organizadores do projecto, que estas imagens, quer enquanto núcleos individualizados quer enquanto conjunto, não se pautem por um discurso de encómio simplificado à cidade de Guimarães. Se a CEC é usualmente uma oportunidade de celebração e mitificação mediática, já para não falar de palco de controvérsias, e como sobejam!, em torno das artes visuais e a sua relação com o poder político, as vontades autárquicas e interesses locais, o “grande público” e outros agentes, Cartografias aproveita essa oportunidade – política e financeira – mas para criar pequenas resistências. Afinal, as imagens de Deprez ou de Sousa ou de Fazenda, salvo as diferenças e estratégias (“ausência de singularidade” versus “desencanto” versus “estilização máxima”), poderiam ser as de outro local qualquer, mas não o sendo, retiram uma vontade de singularizar a cidade de Guimarães, “berço de Portugal”. Esta última dimensão não deixa de ser desconstruída por Marco Mendes igualmente, pela oposição que faz dos episódios histórico-míticos (a batalha de Mamede) e cíclico-simbólicos (as Festas Nicolinas) e um absoluto desencanto do dia-a-dia hodierno. E se a banda desenhada de Feuchtenberger parece criar uma ideia de “memória eterna” que mescla os seres viventes e a terra, sob o signo das pedras e da água (tão opostas como complementares), ela não deixa de querer desviar a circunstância espacial e temporal, precisamente para chegar a algo mais universal. Talvez uma das poucas universalidades a que se podem chegar, a do chão que pisamos? E Lust, no seu elogio feminino, não estará a negar, totalmente, aquelas mesmas grandes narrativas, que as mais das vezes são asseguradas pelos “grandes homens da História”?
Nota final: agradecimentos, e saudades, à ESAP-GMR, pela oferta do livro.
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Pedro Moura
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26 de janeiro de 2013
Jogo da Glória. AAVV (Quidnovi)
O subtítulo deste tomo é claro e explicativo: “O
Século XX Malvisto pelo Desenho de Humor”. Projecto assinado por uma série de
personalidades de grande importância na revalorização, recuperação da memória,
circulação e até mesmo transformação crítica de toda uma serie de artes
gráficas que incluem a ilustração, o desenho de imprensa e a banda desenhada no
seu necessariamente novo papel num novo contexto social, este livro é um objecto
obrigatório numa biblioteca mínima de referência. Apesar de haver um colectivo
por detrás do projecto, estamos seguros não sermos ofensivos para com os
intervenientes se destacarmos os nomes de João Paulo Cotrim, comissário da
exposição a que este livro-catálogo se refere, e de Jorge Silva, designer do
objecto, mas igualmente cúmplice no gesto museográfico, arqueológico, expositivo, editorial e
do pensamento, em acção, que ele implica.
A exposição partiu de um núcleo de trabalhos
pertencentes a uma colecção particular e identificada, a saber, a da família
Ricon, que se encontra em depósito no Museu da Presidência da República, o qual
recebeu este projecto, com muitas adições e participações de colecções
institucionais, pessoais e até mesmo dos artistas vivos que nela se encontram.
Mas independentemente do processo se desenvolver num qualquer espartilho
circunstancial aos trabalhos existentes, ou aos instrumentos possíveis de
criar, o que importa é entender qual o fito da estrutura que emerge deste
livro. Como dissemos atrás, este volume parece ter um uso muito claro, que é o
de objecto de referência. A parte de leão das imagens dos artistas
seleccionados encontram-se em breves secções cronológicas, separadas por
décadas e introduzidas por duas páginas, em spread,
com breves datas e dados que reúnem o sumo histórico desses mesmos anos em
termos de acontecimentos à escala nacional ou mundial, com particular foco nos
campos da política e da cultura, ou de outras esferas que influam sobre essas
áreas. Isso permite desde logo uma consulta rápida, simples, para confirmar ou
providenciar uma qualquer pista que depois tem de ser perseguida com mais
atenção. Não é este livro o local ideal para aprendermos um novo nome, apesar
das pequenas biografias no fim do volume. Não é aqui que nos poderemos inteirar
da força de uma qualquer publicação ilustrada, apesar de se encontrar aqui uma
plataforma para conhecer um panorama alargado e variado de publicações dessa
natureza.
Poder-se-ia apontar o facto de que as imagens surgem
de uma forma reduzida, quase na dimensão de selos, ou que algumas das imagens
foram já alvo de trabalhos anteriores – mais ou menos gravitando o mesmo
universo de referências dos produtores, de Cotrim a Jorge Silva, passando mesmo
por António Antunes, e às exposições, publicações e acções que os mesmos
protagonizam. Por outra palavras, que este volume servirá menos como um
catálogo de nova presença destas obras no nosso universo de referências do que
como um volume de verificação, súmula e síntese desta longa e variegada
história. Alias, arriscar-nos-íamos a dizer que ele deverá ser uma espécie de
nexo entre essa outra obra expandida, de que haverá seguramente capítulos
futuros (pensamos sobretudo nos livros assinados por Cotrim na Assírio &
Alvim, por exemplo, ou as transformações do AlmanaqueSilva em objectos livrescos e catálogos). Todavia, é esse mesmo propósito
que é preenchido cabalmente. A prosa de
Cotrim, que acreditamos ser aquela que pontua os textos de apresentação, e não
apenas o texto introdutório, encontra-se na sua capacidade de síntese e poética
mais aguda de sempre. Aliás, podemos encontrar neste verdadeiro compêndio, por
assim dizer, uma espécie de súmula do trabalho de investigação, levantamento,
divulgação e esclarecimento que ele tem cumprido ao longo dos seus vários
volumes dedicados as nomes centrais da história e da contemporaneidade da
ilustração nacional, de Bordalo e Stuart a Fazenda e Carrilho.
O centro nevrálgico do livro é constituído por uma
colecção assombrosa de desenhos de imprensa, caricaturas, cartoons, desenhos editoriais,
retratos, curtas bandas desenhadas, de tiras ou de página inteira, ciclos de
imagens ora temáticos ora narrativos, pinturas, esculturas, instalações, stills de filmes de animação, de cinema,
(querendo, ainda que não de forma sistemática, identificar territórios mais ou
menos distintos entre cada um destes termos). Muitos objectos são fruto do
trabalho solitário dos artistas, mas há casos de colaboração. Algumas imagens
vieram a tornar-se icónicas e parte de um património colectivo, e que devem fazer
parte da cultura geral de um português (o Pessoa de Almada, o Salazar à janela
de Abel Manta, o “novo Zé Povinho” de António), outros são pérolas mais ou
menos esquecidas mas que nesta ou anteriores recuperações deveriam ocupar o seu
lugar respectivo (um mapa da Europa de Leal da Câmara, de que faláramos quandoda sua exposição, um pedinte geograficamente dividido de José de Lemos, o
escudo quebrado de Cid, que bem poderia ser substituído hoje pelo Euro, um Gil
monstruoso de Nuno Saraiva). E mesmo os casos de trabalhos que parecem ser de
segunda linha, ou relativamente secundários face a um património mais vetusto,
e haver mesmo exemplos de um humor ora brejeiro ora parolo, ora impenetrável (a
ausência das supostas legendas e falas que iluminariam a situação cómica
ajudariam, decerto, caso repetido da rubrica “O riso amarelo”, de onde partem,
pensamos, as imagens de José de Lemos), tornam a potência arqueológica do livro
particularmente sentida.
A inclusão de objectos muito distintos do que se
consideraria mesmo uma família alargada de “ilustração de imprensa” ou “desenho
de humor”, como o cinema ou as obras de arte no seu sentido mais restrito,
encontram-se aqui não numa intenção de refundir nomenclaturas nem de elevar a
nobreza do gesto expositivo e editorial, mas sim de contextualizar mas também
de recomplexificar a relação desses mesmos desenhos com o mundo mais largo da
criação e representação do mundo, assim como para dar a conhecer dimensões
interdisciplinares ou multidisciplinares de alguns nomes, sejam os de Almada
Negreiros ou de Sam, de Amadeo de Souza-Cardoso ou António.
Para além deles, o catálogo tem um suplemento de cerca
de 100 páginas composto por dossiers temáticos, se assim os podemos chamar.
Estes vários textos, que se apresentam no núcleo final, intitulado “sínteses”,
são de uma qualidade muito díspar entre si, alguns dos quais densos em
informação (sobre jornalismo, por José Miguel Sardica), outros pautados por
experiências pessoais que informam a história (Paulo Costa Domingos sobre a
censura), outros um pouco mais impressionistas (uma breve história do design
por Mário Moura), mas todos eles compondo, no seu conjunto, uma exímia
demonstração das variadas qualidades que pautaram o século XX português, nas
suas especificidades mais renhidas, para bem ou para mal. Essa diversidade de
tratamento é salutar, na medida em que a própria selecção dos sintetizadores é
pensada nos seus contornos mais exactos, e multiplica assim as visões,
instrumentos, sensibilidades, estratégias de navegação, mas nunca colocando em
perigo ou em xeque a inteligência e completude que se lhe deve reconhecer.
No fundo, é talvez sob o signo da diversidade a toda a
linha que este livro se estrutura. Sendo, como é indicado, um projecto montado
sobretudo em torno de uma colecção particular, haverá ausências, é certo, sendo
discutível se são “gritantes” ou “circunstanciais”. Mas é um balanço
significativo e digno deste capítulo da história da arte portuguesa, e que
deveria fazer pensar todos e quaisquer projectos que se arrisquem a querer
surgir como representantivos da mesma área.
Nota: agradecimentos à editora, pela oferta do volume
(imagens colhidas na internet).
Publicada por
Pedro Moura
à(s)
9:59 p.m.
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Etiquetas: Academia, Exposições, Ilustração, Portugal















