São estes gestos editoriais que
garantem ainda alguma felicidade de uma verdadeira contribuição
para a diversidade de vozes e acessos à banda desenhada em Portugal.
Já o repetimos em várias ocasiões, e aqui mesmo neste espaço, que
atravessamos um momento relativamente estável e interessante de
editoras especializadas que vão alargando o leque de vozes. Mas a
meu ver, seria ainda mais feliz se editoras generalistas abrissem um
pequeno espaço à banda desenhada que fosse ao encontro dos
assuntos, abordagens e tratamentos estilísticos que lhes interessam
nos seus catálogos – por hipótese, o romance contemporâneo, a
ficção historiográfica, a reportagem política, a poesia, a
literatura para jovens ou para a infância, o diário de viagem, etc.
Não tem de ser necessariamente uma colecção especial (se bem que a
coerência ajudaria à consolidação de um corpus, o que a
Bertrand/Contraponto não conseguiu fazer, apenas a título de
exemplo), tem de ser coerente com um programa.
Independentemente das questões económicas, cruciais e basilares, há
também o esforço e o conhecimento e a sensibilidade. Ora, a Planeta
Tangerina, enquanto plataforma quase de auto-edição, ou
cooperativa, já havia com Finalmente, o Verão, das primas
Tamaki (recentemente re-publicado) feito uma aposta num projecto de
banda desenhada internacional que fazia falta na oferta em língua
portuguesa. Agora, com dois livros, um de autores portugueses e esta
tradução de uma autora francesa, arranja novamente um espaço
fulcral. (Mais)






















