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22 de junho de 2018

"Magma", colaboração na Strapazin no. 130

No último Abril, o Festival Internacional de Banda Desenhada Fumetto, em Lucerna, Suíça, apresentou como exposição central o projecto "Magma". Trata-se de uma colaboração à distância entre um grupo de autores suíços , que conta, por um lado, com  Fanny Vaucher, Corinne Odermatt, o colectivo Ampel, e a artista Anete Melece, da Lituânia, e por outro com uma "embaixada do Brasil", agregando Fábio Zimbres, Diego Gerlach, Rafael Coutinho e a artista visual Talita Hoffman. Ainda que nenhum destes grupos participasse como um "bloco nacional", mas bem pelo contrário como artistas altamente idiossincráticos, inclusive no seu entendimento formal e estético do que pode ser entendido como "quadrinhos", o projecto foi elaborado através de um contacto directo. 

Os artistas trocaram uma série de impressões, ideias e imagens ("trocar cromos" é um pensamento que nos ocorreu de imediato), que serviria para que houvesse uma rede de comunicação e possível influência mútua. Através desse trabalho de bastidores, os artistas desenvolveram trabalhos originais, alguns mais próximos do material trocado do que outros, uns investigando mais profundamente questões de identidade ou de potencialidades artísticas do que outros mas sem dúvida que em resposta a esse contacto. Esta é uma das dimensões interessantes do Fumetto, que como que encomenda trabalhos originais e imediatamente associadas a essa mesma circunstância.

A selecção dos artistas foi coordenada entre a directora do Festival, Jana Jakoubek, o artista brasileiro Nik Neves, e os resultados seriam publicados no número 130 da revista Strapazin.


Tivemos o grato prazer de sermos convidados a observar o trabalho de troca de comunicações entre os artistas e a génese e desenvolvimento de alguns trabalhos, com o intuito de escrevermos um ensaio associado à acção. Os resultados podem ser vistos e lidos em alemão e português (o nosso texto foi escrito sob a norma do Brasil), aqui.
Nota final: agradecimentos à Jana e ao Nik, pela amizade instantânea e confiança, assim como a Talaya Schmid, editora da Strapazin.

14 de abril de 2018

A leoa. Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg (G. Floy)


A longo prazo, será produtivo pensar na colaboração desta dupla de uma forma mais analisada. Tentar compreender como é que atingem uma fórmula de fundação sólida tal que a factura dos seus livros não pode ser considerada do ponto de vista de uma “história com desenhos” nem de “desenhos historiados”. Todos os factores contam na sua estruturação prístina, inconsútil, enquanto banda desenhada. A leoa é uma biografia da escritora dinamarquesa Karen Blixen, autora da famosa autobiografia África Minha (graças igualmente ao filme de Sydney Pollack de 1985), A festa de Babette, e de Contos e Inverno. Uma biografia que vai além desses instrumentos, pra devolver uma vida profunda, imaginativa e vivida dessa personagem. (Mais) 

4 de abril de 2018

Desolation.Exe ESP. Berliac (Fosfatina)

Serve o presente post tão-somente para indicar que a edição profissional e em língua espanhola de Desolation.Exe, de que faláramos anteriormente na sua primeira versão, foi publicada. O texto que tínhamos escrito foi transformado em prólogo, o que muito nos honra. 

Em breve, daremos notícias do novo projecto do autor, que tem tido alguma recepção complexa, Sadboy.
Nota final: agradecimentos ao autor pelo volume.

12 de maio de 2017

Les têtards. Pascal Matthey (L’employé du moi)

Ao olharmos agora para o conjunto de alguns dos seus livros, compreendemos que Pascal Matthey tem na autobiografia uma das suas preocupações centrais. Este pequeno volume vem na sequência de Le verre de lait, Pascal est enfoncé, do qual falámos largamente aqui, de Du shimmy dans la vision, e de outras pequenas peças espalhadas pelas mais diversas antologias. Conforme o que já havíamos discutido a propósito desse livro anterior, a equação entre autobiografia, auto-ficção, desvio autobiográfico, versão, etc. é algo elástica, e é tão necessária na sua categorização ou análise quanto supérflua na sua leitura. Depende, portanto, da escala de atenção. (Mais) 

9 de abril de 2017

Torrente de ilustração (várias editoras).


Permitam-nos iniciar este texto com uma nota pessoal e um pedido de desculpas. A nota pessoal prende-se com uma justificação de termos estado “em silêncio” em relação a toda uma série de livros ilustrados para a infância que têm sido publicados nos últimos meses em Portugal, não por falta de atenção e menos ainda por falta de interesse, mas devido a vários compromissos profissionais e académicos que nos têm impedido de poder fazer uma recepção crítica mais atempada, individualizada e específica a cada um desses projectos. O pedido de desculpas deve-se às editoras, que têm sido generosas em deixar-nos a par das suas novidades e apostas editoriais, que não acarreta de forma alguma a obrigatoriedade de escrever sobre elas mas parte de um pressuposto de atenção, dada a (ainda) desequilibrada recepção crítica desta produção nos meios de comunicação mais massificados, e mesmo nos mais especializados reduzidos muitas vezes a discursos impressionistas. Porém, esse pedido de desculpas deve ainda dizer respeito ao presente texto, pois ao abordar mais de trinta títulos de um só fôlego, é mais do que natural que incorramos numa profunda injustiça, já que nem poderemos entrar numa leitura formal pormenorizada que cada título mereceria nem poderemos dar conta de um juízo de valor mais argumentado e claro. (Mais)

13 de janeiro de 2017

Pandora # 2. AAVV (Casterman)


Se em Portugal estamos a seco há décadas em relação a títulos regulares de banda desenhada cujas narrativas sejam publicadas em capítulos, ou que mesmo antologias de histórias curtas saiam somente de quando em vez e usualmente como gestos únicos ou limitados, o mesmo não pode ser dito de outros mercados mais consistentes financeiramente. Esta é apenas uma constatação de factos, não um juízo de valor, já que se tentam várias vezes reatar essas chamas por cá, com fortunas díspares mas quase sempre sol de pouca dura (mas trabalhos em si de qualidade). Em França, por exemplo, ainda há vários títulos que garantem a chamada “pré-publicação”, um pouco para todos os gostos, desde o mais mainstream (a Bodoï, depois transformada em webmag, a Lanfeust) às mais clássicas (Spirou) até mesmo às que servem o círculo independente (a Lapin, agora transformada em jornal). Mesmo assim, no panorama actual mais empobrecido na abordagem convencional – já que em termos de “reportagem em bd” a existência da Révue XXI e La Révue Dessinée apenas nos fará sonhar num mundo mais perfeito -, o surgimento de um título como Pandora encaixa-se num contexto de maior diversidade, mas terá certamente o seu papel. (Mais) 

26 de novembro de 2016

O meu Nelson Mandela e outros contos. Anton Kannenmeyer (Mmmnnnrrrg)

Depois do “sucesso” de Papá em África, não apenas em termos comerciais para a editora como para a sua recepção-discussão no nosso país (o ruído e os mal-entendidos são sempre fogo em caruma), o selo “para gente bruta” resolveu publicar mais uma pequena colecção de algum material do autor sul-africano. Provindo da sua parte, isto é, de “Joe Dog”, na revista Bitterkomix, este caderno surge por ocasião da presença de Anton Kannemeyer em Portugal na sua exposição integrada no Festival da Amadora. Desta forma, este pequeno volume serve de complemento à histórias do livro anterior, e onde aquele era uma espécie de radiografia a um imaginário interno e cultural partilhado, que tantas vezes reflecte igualmente fantasmas dos seus leitores, estoutro é mais focado na experiência própria do autor, como se houvesse a possibilidade de mostrar um balanço da sua vida como fruto das consequências da educação. (Mais) 

25 de novembro de 2016

O astrágalo. Sarrazin, Pandolfo e Risbjerg (G. Floy)

Baseado no romance de uma literal enfant terrible, e em muitos aspectos o seu molde original (se bem que, em termos masculinos, se poderia apontar “Antoine Doinel” ou os miúdos de Zéro de conduite – mas esta apropriação de género não deixa de ser absurda, já que a autora real foi longe nas suas acções e não foi longe na sua vida), esta banda desenhada recupera de forma perene e vincada a celebração de uma liberdade anti-burguesa que ainda hoje (ou outra vez hoje) é difícil de enquadrar. O romance homónimo de Albertine Sarrazin foi publicado em 1965. Curiosamente, o romance tornou-se novamente acessível [v. secção de comentários para nota sobre a primeira tradução] graças a uma edição portuguesa muito recente, publicada pela irrepreensível Antígona no mesmo ano da sua segunda adaptação ao cinema, ainda que infeliz e nomeadamente de uma forma negligenciável. Com efeito, esta versão planificada por Anne-Caroline Pandolfo e desenhada por Terkel Risbjerg – que constituem uma equipa com larga experiência – acaba por ser uma devolução superior da palavra, do humor e da verve de Sarrazin. (Mais) 

20 de novembro de 2016

Rendez-vous em Phoenix. Tony Sandoval (Kingpin Books)

A travessia de fronteiras, em alguns casos, não é vista como possível em termos de liberdade total, mas é ela que poderá determinar a possibilidade de conquistar uma vontade que, sem o seu alcance, é esmagada na inércia. Os Estados Unidos são vistos ainda, não sem razão, como um campo mais aberto e preparado para sonhos que parecem inalcançáveis noutros contextos, sobretudo se disserem respeito a vontades que vão bem para além da mera sobrevivência e começam a ocupar áreas de criatividade artística, como a banda desenhada. Ora, pelo menos em parte, era esse o fito que o artista Sandoval tinha em querer emigrar para os Estados Unidos: a de que seria aí que o seu sonho em se tornar autor de banda desenhada profissional se poderia cumprir. Este livro inicia-se num momento em que está à espera do momento ideal para atravessar a fronteira e tentar então nesse outro país a sua sorte. (Mais) 

26 de outubro de 2016

Megg, Mogg & Mocho. Simon Hanselmann (Mmmnnnrrrg)

Este texto serve para dar conta de um dos livros que a Chili Com Carne & a Mmmnnnrrrg lançaram de catadupa, por ocasião, parece-nos, do Amadora BD, reunindo este pequeno caderno uma pequena selecção das histórias das personagens incómodas e delirantes do autor australiano Simon Hanselmann. Há quase três anos certos demos conta de uma leitura por atacado detoda uma série de publicações desse autor, explorando o seu universo temático, os seus ambientes, um paradoxal misto de humor negro, aventuras de desenhos animados e desespero urbano. Pouco tempo depois, a Fantagraphics agregaria a esmagadora maioria dessa produção num volume imponente. Este volume, mais modesto, não deixa ainda assim de ser um decisivo contributo para a disponibilização, em Portugal e em português, de material digno da “gente bruta” anunciada pelo selo editorial. (Mais) 

6 de outubro de 2016

Colecção Novela Gráfica II. AAVV (Levoir)

Nota de intenções: tendo traduzido dois volumes desta colecção, assim como escrito o prólogo de dois outros, temos uma associação profissional a esta colecção.
Tendo terminado esta colecção, e não tendo tido oportunidade antes de falar sobre ela, esperamos que ainda sejam pertinentes estes comentários, uma vez que a colecção continuará disponível quer através da rede do Público quer, mais tarde, no mercado livreiro. As ideias apresentadas a propósito da primeira colecção são ainda válidas para esta segunda. Compreendendo-se que o mundo editorial em Portugal, no que diz respeito à banda desenhada, ainda não se encontra num estado óptimo, sobretudo no que diz respeito à sua recepção e circulação, a aposta em apresentar de rompão toda uma série de títulos é uma estratégia válida. De certa forma, é mesmo uma maneira de revalidar alguma da sua história, aumentar exponencialmente os títulos disponíveis de entre os “clássicos”, os “desconhecidos” e os “contemporâneos”, e, de resto, trazer algum grau de diversidade à sua maneira. Não sendo possível esquecermos os gestos, tão diferentes mas sustentados e programáticos, de editoras como a Polvo, a Chili Com Carne e a Kingpin Books, selos mais pequenos mas também buscando coerências várias, como a El Pep, o Clube do Inferno, a Libri Impressi, os projectos comerciais sólidos da Devir, da Goody e da G.Floy, os gestos mais ou menos isolados de editoras generalistas com apostas na banda desenhada nacional e internacional (Bertrand, Parceria A. M. Pereira, Tinta da China, Teorema, Gradiva, etc.), a paisagem é suficientemente variada para albergar e acomodar os propósitos destes projectos da Levoir. (Mais)

21 de junho de 2016

Desolation.Exe. Berliac (Low Spirits)

Este pequeno fanzine do autor argentino reúne cinco histórias que o autor havia divulgado nas mais díspares publicações durante o ano de 2015, entre as quais a Kus! e a Kovra # 6, de que falámos na altura. Diferentemente de Playground, que tivemos também a oportunidade de ler com atenção, e que se revestia de uma forma mais clara por interesses que têm a ver com a expansão das capacidades estéticas, políticas e teóricas da banda desenhada, esta antologia agrega uma espécie de procura e criação sob o signo, quase obsessivo, de uma certa banda desenhada japonesa dos anos 1960 e 1970 veiculada pela Garo. (Mais) 

11 de junho de 2016

Le piano oriental. Zeina Abirached (Casterman)

Este livro coloca na linha da frente várias relações bicéfalas entre objectos ou realidades que parecem distintas, mas cujo entrosamento faz aceder a uma força maior, ou até mesmo a uma nova natureza. O bilinguismo. A relação entre a música ocidental e a “oriental”. O próprio instrumento do piano. A banda desenhada. E a história pessoal e familiar da autora. 

Zeina Abirached é sobretudo conhecida pelos seus livros autobiográficos publicados na Cambourakis, destacando-se Mourir partir revenir. Le jeu des hirondelles (que será lançado em português brevemente integrada na nova colecção Novelas Gráficas da Levoir) e Je me souviens. Beyrouth, tendo tido nós oportunidade de citar o trabalho dela em várias ocasiões, ainda que jamais falado dos livros directamente. Nascida no Líbano, e de expressão francófona, a autora tem procurado, como Edmond Baudoin, Marjane Satrapi, Étienne Davodeau, Marco Mendes, Francisco Sousa Lobo, topedro, entre outros autores, a ir lavrando a cada novo livro uma pequena pedra de um muro tão coeso como de construção livre. Le piano oriental, apesar de à primeira vista não o parecer, não apenas dá continuidade a essa construção como lhe aumenta o escopo. (Mais)

16 de abril de 2016

6 livros para a infância ilustrados (várias editoras)

É possível que seja apenas uma coincidência, em que a força das circunstâncias nos empurra para querer ver uma tendência em que ela pode não se verificar, mas pensamos que poderão existir, de futuro, outros factores que confirmem esta ideia. Se temos notado que no campo da ilustração para a infância tem havido uma maior insistência, quer na produção nacional quer na escolha editorial, num campo da ilustração que se pauta por princípios de design simplificado, de linhas geometrizantes, cores planas, etc. (falámos alargadamente desse tema a propósito das Cerejas), é necessário não tornar a visão vendada a outras possibilidades de criação. Sobretudo quando uma certa atenção mediática, expositiva e de crítica (e até de ensino) parece querer confirmar aquele princípio em detrimento a outras abordagens. (Mais) 

14 de março de 2016

Lisboa é very very typical. AAVV (Chili Com Carne)

O último volume da colecção LowCCCost, da Chili Com Carne, dá continuidade a uma visão particular de tipos de trabalho de banda desenhada e de discursos em torno da realidade social. Apesar das diferentes angulosidades de cada um dos projectos, poder-se-ia dizer que Kassumai, Zona deDesconforto e Boring Europa e, agora, Lisboa é very very tipical, procuram escavar um dos mais importantes elementos que usualmente caracterizam a cultura associada ao zine: a identidade. (Mais) 

26 de fevereiro de 2016

Rembrandt. Typex (Self Made Hero)

Apesar deste livro, como aquele sobre Saint Phalle, se tratar de uma encomenda, neste caso do Rijksmuseum Amsterdam, com o intuito de celebrar a vida do grande pintor holandês, Typex evita todas e quaisquer armadilhas de um discurso didáctico ou simplificador quer da vida quer da obra de Rembrandt. Estamos, portanto, num diálogo que, se mais próximo dos intentos de Ruitjers em relação a Bosch, acaba por se tornar mais feliz no seu resultado. Não há grandes hipóteses deste livro ser recuperado por programas escolares. (Mais) 

24 de fevereiro de 2016

Hieronymus. Marcel Ruijters (Knockabout)

Neste breve corpo de três biografias em banda desenhada de artistas visuais ou plásticos, entramos em território holandês, com um pintor de uma época mais recuada, e com um autor que, contemporâneo, já revelou o seu contínuo interesse por uma “língua antiga”. Espécie de biografia inventada – dada a ausência de dados biográficos sólidos, com poucas excepções pontuais e em segunda mão, sobre o pintor Jeroen van Aeken de ‘s-Hertogenbosch, mais conhecido por Jerónimo ou Hieronymus Bosch -, Marcel Ruijters opta por subsumir toda e qualquer pesquisa inerente ao título à ideia de perseguirmos o trajecto de um pintor na sua ascensão e conquista de algum nome. Hieronymus não reconta toda a sua vida de fio a pavio, mas inicia-se na vida adulta do pintor. E não procura criar nenhum mecanismo de explicação definitiva dos seus mais famosos quadros, os quais não perfazem, na verdade, a maioria do que se lhe pode atribuir com segurança: a esmagadora dos quadros que sobreviveram de Bosch são na verdade de matérias convencionais religiosas. Nesse sentido, e até pelo uso “mágico” que o autor da banda desenhada faz dos seus quadros, aqui e ali mostrando a sua feitura, mas obliquamente, e incorporando nas ideias internas de muitas personagens as estranhas e distorcidas criaturas que parecem criar um imaginário “Boschiano”, Hieronymus contribui sobremaneira para a manutenção de um certo mito. (Mais)

12 de fevereiro de 2016

Colaboração no The Comics Alternative: The Abbadon, de Koren Shadmi.

Este livro é, de certo modo, baseado na peça Huit Clos, de Jean-Paul Sartre, particularmente (des)conhecida por ser aquela onde encontraremos a frase "O inferno são os outros". O autor de origem israelita Koren Shadmi transforma essa peça existencialista, concentrada e sombriamente cómica numa intriga mais convencional, naturalizada, mas não por isso menos angustiante, numa espécie de loop num circuito espacial sem escapatória. 

O texto sobre este livro, em inglês, encontra-se aqui.

28 de janeiro de 2016

Volcan, Komikaze # 14, Hollow, Ping-Pong. Amanda Baeza, outros artistas (várias editoras)

Como introdução ao “campo específico” em que emergem todas estas publicações, remetemos os leitores às considerações tecidas a propósito de Mould Map e à introdução da bateria sob a designação “art comics”, a qual, não sendo explicativa nela mesma nem sequer produtiva em todos os seus quadrantes, admite porém uma circunferência suficientemente bem enquadrada para capitalizar as forças destes projectos. A razão, porém, da junção destes títulos deve-se ao trabalho contínuo e cada vez mais consolidada, inclusive em plataformas internacionais, de Amanda Baeza. Duas destas publicações são exclusivamente da sua responsabilidade, ao passo que outras duas contêm trabalhos seus. (Mais) 

23 de janeiro de 2016

Sam Zabel and the Magic Pen. Dylan Horrocks (Knockabout)

A expectativa pessoal em relação a este novo livro do autor neo-zelandês era, na verdade, muito grande, uma vez que continuamos a considerar Hicksville (1998) uma pequena conquista na modernidade da banda desenhada internacional, e um verdadeiro gesto para criar pontes fortes entre as várias tradições nacionais num só contínuo. Além disso, Horrocks é um autor que tem dedicado algum tempo à reflexão sobre a sua própria arte, tendo fornecido alguns argumentos sólidos em relação, por exemplo, à problemática ahistoricidade da primeira obra de McCloud. Estes factores são importantes, uma vez que continuam a alimentar Sam Zabel, se bem que para resultados bem diversos. (Mais)