26 de agosto de 2019

Pêra Verde & Manuel inútil. Patrícia Guimarães (C. M. Beja & fanzines e martelos)



Um é um pequeno apontamento, talvez autobiográfico, sobre pêras verdes comidas e deixadas na infância. O outro uma pequena ficção, um fado, sobre uma personagem patética e trágica. Em termos de género, de tom e humor, não haveria nada em comum. O desenho tem afinidades, claro, mas Patrícia Guimarães lança mãos de várias técnicas na forma como constrói o desenho, persegue as linhas, fecha os contornos e preenche o espaço com aguadas mínimas, quase ríspidas. (Mais)

25 de agosto de 2019

A Piscina. JyHyeon Lee (Orfeu Negro)


Porque é tão fascinante quando mergulhamos na água? Trata-se de uma memória da espécie, ou do nosso desenvolvimento ontogenético, ou uma mera sugestividade devida a tantos mitos? Dever-se-á à alteração das percepções e capacidades físicas, do incrível equilíbrio entre os limites impostos e as novas liberdades? Em A Piscina, de JiHyon Lee, encontraremos esses encontros, descobertas e possibilidades. (Mais) 

23 de agosto de 2019

Ilustrações de João Maio Pinto para «Confissões de um travesti». Anónimo (Orfeu Negro)


Esta nota breve serve para falar de um livro que foi, originalmente, publicado pela casa Le Terrain Vague, parte do projecto editorial de Eric Losfeld, que nos daria também Emmanuelle, as obras de Sacher Masoch e De Sade, no campo da literatura dita “erótica” (que vocábulo mal empregue e confuso nestes três casos), e todo um rol de bandas desenhadas de expressão francesa dos anos 1960 que introduziriam, para nunca mais se alterar, o erotismo e um certo grau de sofisticação intelectual e visual.

Todavia, estamos longe de uma obra com o peso literário de um Mishima, Bataille, ou Renault na sua capacidade de descrever as forças subcutâneas e tectónicas do desejo e as esplendorosas formas como explodem cintilantes no momento da libertação expressiva a que acedem. Tampouco estamos perante os malabarismos frásicos de um Ubaldo Ribeiro ou até à desfaçatez, sarcasmo genuíno de um Luiz Pacheco. Apesar de se titular uma “confissão”, não há aqui espaço para a intimidade e proximidade desse género, mas tão somente um tom quase documental, jornalístico e, passe o paradoxo, seco. Todavia, a promessa desse percurso permite, digamos assim, um acesso directo às questões principais. (Mais)

19 de agosto de 2019

Verões felizes. Vol 1. Zidrou e Jordi Lafebre (Arte de autor)


A fórmula é sustentável. Cada livro desta série é dedicado a um Verão da família Faldérault, que parte “rumo ao sul” na sua 4L – um clássico – comme il faut, com mudanças no tablier. Há frases repetentes e canções que se alteram, pontos de passagem obrigatórios e variações aventurosas, piadas recorrentes e transformações significativas na vida de todas as personagens. A propósito de Finalmente o Verão havíamo-lo dito: o Verão é em si mesmo uma narrativa bem contida. Ei-la transformada em série. 

15 de agosto de 2019

Pimenta no cu dos outros para mim é refresco. José Feitor (Imprensa Canalha)


Fosse José Feitor escritor medíocre, ou editor banal, provavelmente teria dado como título a este opúsculo “Tratado da crueldade humana”, ou algo assim, exercício insonso a que estas mesmas palavras, de crítico sempre votado à segunda palavra, derivada, incorre. Todavia, esse apodo descritivo ou putativo sub-título tão explicativo como redutor, é tão-somente uma tentativa de começar a dar a ver este segundo volume de uma planeada trilogia que começara com Uma perna maior que a outra, de que já faláramos. Se um título destes, de provérbio de pouco uso, não capta desde logo o futuro leitor, então não estaremos a falar sequer de um leitor digno desse papel. (Mais)

7 de julho de 2019

Tutti Fruti. Marco Mendes (Mundo Fantasma)

Foi com alguma expectativa e alegria que anunciámos o início da publicação do trabalho de Marco Mendes, num ritmo diário, no Jornal de Notícias. Infelizmente, essa colaboração nem sequer perfez um ano quando chegou ao fim, talvez antes adivinhado, aos soluços e que simplesmente teve lugar. Nesse mesmo anúncio, havíamos escrito “é possível que algumas características mais risqué sejam domesticadas”. Em que medida se verificou isso? (Mais) 

4 de julho de 2019

A guerra. José Jorge Letria e André Letria (Pato Lógico)


A expressão “para a infância” deverá, cada vez mais, libertar-se do seu juízo de valor associando-o a produções que significam tão-somente um entretenimento formulaico, protegido, incontroverso e afastado das mesmas preocupações que regem (regeriam? Deveriam reger?) o “mundo dos adultos”. E, cada vez mais, são livros como A guerra que contribuem para essa alteração. Mais, se acreditarmos que a formação cognitiva, intelectual, cultural e para a cidadania das crianças começa “de pepino”, genuinamente, então que se lavre esse trabalho com instrumentos intensos, directos e acabados. Ei-lo. 

3 de julho de 2019

Pré Carré # 13

Serve o presente post para somente indicar que foi publicado o 13º número da Pré Carré, uma revista independente, de expressão francesa, que debate várias das dimensões teóricas, ensaísticas, históricas e sociais como pensadas por artistas e pensadores informais. Os aspectos académicos são colocados de lado, e o experimentalismo e o left field revelados de formas descontraídas e criativas. 

Tive o imenso prazer de ter sido convidados a colaborar nesta revista, tendo porém apresentado um texto já conhecido dos leitores do Lerbd, sobre o volume de poesia acompanhada de imagens, de Rui Pires Cabral, Biblioteca de Rapazes. 

Agradecimentos aos editores.


26 de junho de 2019

Tinta nos Nervos.


A 6 do presente Junho, abriu em Lisboa, na Rua da Esperança, no. 39, uma nova livraria-galeria chamada Tinta nos Nervos. Trata-se de um espaço dedicado às artes do desenho, inclusive as artes gráficas, as artes do livro, o cartoon, a ilustração, e, claro, a banda desenhada. É também uma galeria, que apresentará exposições de média-duração de artistas e/ou obras associadas àquelas disciplinas indicadas. Finalmente, tem um pequeno café e esplanada que poderão tornar uma visita rápida numa experiência zen.

10 de junho de 2019

Participação em Colóquio: Braga, 13 de Junho.


Por ocasião do Colóquio Internacional «Figuras do pós-humano. Literatura, Cinema, Banda Desenhada», organizado pelo CEHUM, em Braga, tenho a honra de ter sido convidado a participar com a conferência plenária. Assim sendo, dia 13, pelas 10h00 no auditório do ILCH, na Universidade do Minho, apresentarei a comunicação: "Espectros do vivente na banda desenhada".

Mesmo em casos de fantasia extrema, o antropomorfismo é patente. Mesmo o teriomorfismo, que não é mais do que um falso "devir-animal", reconduz sempre à territorialização e à subsunção de toda a esfera da natureza aos propósitos humanos. Tudo é dessubjectivizado face ao ulterior interesse humano. Procurarei, portanto, explorar questões de representação de entes não-humanos em vários textos de banda desenhada, em formas cada vez mais complexas. O propósito não é apenas o de questionar o vivo, descentrando o humano, mas procurar entender como como formas de questionamento estrutural da própria banda desenhada enquanto meio pode levar a modos de imaginar um alargamento daquele espectro. 

Link directo, com apresentação, programa, etc., aqui.